Alec Mazon...
É como se ... ele pudesse saber meu sentimento ao escrever... o que eu quis transmitir em um todo de tudo que já publiquei. ... é como se ele entendesse .
Quando terminei de falar ele ficou olhando para mim.
- Pensa da mesma forma? - pergunto.
- Sim.. - ele cora um pouco ... até que quando ele não está sendo um idiota ele é... agradável - Acho que por isso que não gostei do ultimo livro do Ciel...
Olho para ele .
- Não despertou o mesmo de sempre em mim . Não tinha a chama... sabe é como se o proprio Ciel estivesse escrevendo aquilo por senso de obrigação, e não pela paixão que eu sentia a cada página virada.
Surpreso? Sim. Ele consegue me ler ao ler meus livros... ele tem a sensibilidade de me entender .. ou tentar ... por meio das palavras que eu escrevo.
- Você está certo .
- Hã?
Tomo um pouco do cappuccino.
- Por isso eu tinha ficado bravo quando nos vimos pela primeira vez . - olho para ele - Você me disse a verdade que eu não queria ouvir ... coisa que nenhum maldito editor fez .
Ele estava me olhando sem entender nada .
- Você... n...não Está falando serio ne Alec?
Assinto.
-Estou... eu sou a pessoa por trás de Ciel Brown . Decepcionante? Eu sei .
Ele começa a rir.
- Eu estou falando serio . - protesto.
- A .. ata - ele tombou a cabeça e soltou o cabelo ,ele levanta o rosto ainda com um sorriso nos lábios ,ele estava vermelho por ter rido... seu cabelo ia até abaixo do ombro , alguns fios estavam caido nos óculos... ele é.....
Sou tirado dos meus pensamentos pela voz dele .
- Não acredito que alguém como você.. é o Ciel Brown.
Reviro os olhos.
- Acredite . E aquele livro, que foi o último publicado ... só saiu daquele jeito porque estava sem ideias ... e agora tudo está pior ... nada aparece.. tudo que eu escrevo é ruim ... é repetido... nada prende atenção... é tudo vazio e ... clichê. Eu perco noites de sono , faz muito tempo que eu não durmo mais que 4 horas , eu fico vidrado a madrugada toda , esperando que alguma ideia apareça... eu faço de tudo... mas tudo que eu encontro é o vazio da minha mente... e a única coisa que penso é o quão deplorável é a minha situação atual ... eu estou decepcionado comigo mesmo... sentindo o fracasso e quando você me disse aquilo, um completo estranho percebeu isso com meu último trabalho ... eu tive certeza do ciclo vicioso de merda que eu estou.... na merda... bem na merda... e ainda tem a editora - tomo o resto do Cappuccino em um gole - a droga da editora ... que fode tudo mais ainda... falando como se fosse facil assim ..." escreve alguma coisa logo "... porra... se eu conseguisse escrever eu já tinha escrito.... - abaixo a cabeça e dou uma risada breve - agora... eu acabo desabafando a merda da minha vida com uma pessoa que eu não conheço direito, mostrando o quão patético e ferrado é a pessoa por trás do adorado escritor Ciel Brown...
Liel Gastesy...
Eu não sei o que dizer. Foi tudo extremamente rápido... em alguns minutos a pessoa que é meu vizinho, virou um dos maiores escritores de romance da atualidade, falou sobre o bloqueio criativo e como isso vem afetado sua vida ... é deplorável... o que eu posso dizer ...
Levo minha mão até seu rosto e o levanto... essa é a primeira vez que nos tocamos praticamente... sinto minha mão ficar quente, e esse calor subir pelo meu braço me arrepiando .... que merda é essa?
- Liel?
Olho para ele e abro um sorriso.
- Eu Liel Gastesy vou te ajudar ...
- Me ajudar ?
- Eu vou fazer você se inspirar de novo Alec Mazon.
- E como pretende fazer isso ?
Meu sorriso vai desaparecendo.
- Isso eu ainda não sei ... mas amanhã eu já tenho a resposta.
Ele olha para mim com olhar desconfiado.
- E porque vai fazer isso?
- Porque ... eu quero .
Ele sorri de lado , mas diferente das outras vezes esse sorriso não me deu vontade de bater na cara dele.
- Acho que não vai conseguir.
- Acho que vou .
- Certeza que não vai .
- É... se por minha causa você conseguir escrever você... vai fazer um jantar para mim.
-Que? Não.
Abro um sorriso e me aproximo dele.
- Com medo de eu ganhar ?
Ele simula uma risada.
- Nunca . Aceito... se você perder... deve...
- Se eu perder... eu que faço o jantar.
Ele assente .
- Justo.
Quando ficamos em silêncio por alguns segundos, percebemos que o barulho de chuva havia parado . Olhamos ao mesmo tempo para fora.
- Parou de chover- falo.
- Acho melhor irmos para casa- ele levanta- pode ser que a chuva volte.
- Você tem razão... só vou pegar meu celular ali atrás.
Ele assente.
Pego o copo dos cappuccino e jogo no lixo, corro até a parte de trás e tiro meu celular do armário. Enquanto ando até ele que estava na porta eu tiro as chaves e apago a luz do local.
Abro a porta e saímos.
- Só vou baixar o negócio aqui - tento pegar o portão e proteção da loja . Fico na ponta dos pés- Por isso essa parte fica com o Liam... droga. - estico os braços... sinto algo atrás de mim e vejo uma mão baixar o portão. Olho para trás e vejo o Alec.
- Pode deixar que eu puxo... só... tranca.
Assinto meio corado pela aproximação... espero que ele não tenha reparado ...
Fechamos tudo e começamos a andar até o prédio.
- Acho que quando chove a cidade fica bonita - falo.
- Por estar molhada?
- Limpa... fica com um cheiro bom ... as ruas ficam vazias e tem uma sensação de calmaria.
Ele assente. Vejo ele pegar algo do bolso e logo em seguida ascender o cigarro.
- Você fuma? - pergunto surpreso.
Ele estica o maço para mim.
-Quer um ?
Nego.
- Isso vai acabar te matando.
- Eu vou morrer de qualquer forma- ele solta a fumaça- Qual o problema de acelerar um pouco as coisas ?
- Isso é uma maneira muito pessimista de ver a vida .
Viramos a esquina.. estamos a uns 15 minutos de casa .
- Se você vê a vida de uma maneira muito realista falam que você não sabe sonhar... se você é muito otimista te chamam de idiota e falam que vive fantasiando ... se você é pessimista , falam que você não sabe ver a beleza das coisas ... a beleza de arriscar e acreditar... independente da forma que eu penso,sempre vão tentar encontrar algo errado nela .
Fico em silêncio... ele está certo... o que mais eu posso dizer?
Ele solta a fumaça mais uma vez... me sinto baixo perto dele ... agora que reparei minha cara fica um pouco abaixo de seu peito praticamente.
- Alec - ele olha para mim - posso .... ver um dos seus escritos originais? - pergunto um pouco corado - claro... se não for atrapalhar.
Ele pensa um pouco.
- Pode ... que tal amanhã depois que sair do trabalho? Bate la em casa... ai você me conta a ideia fantástica para acabar com meu bloqueio criativo.
Sorrio.
- Por mim tudo bem ... só vou dar comida para a Tauriel primeiro.
- Quem?
- Minha gata .
- Por que o nome dela é de uma elfa que protege a floresta das trevas,que acaba se apaixonando por um anão e vê ele morrer na sua frente... para salva-la?
... ele já assitiu Hobbit...
- Pera... você gosta de Hobbit?
- Claro ... o filme foi bem elaborado ... mas ainda prefiro o livro.
- Sempre o livro é melhor que o filme.
- Sem dúvidas.
Fomos o restante do caminho falando sobre o universo criado por Tolkien , até chegar em nosso andar.
Paro na minha porta e ele na dele .
- Acho que é um adeus Alec Mazon.
- Adeus Liam . - ia entrar quando ele me chama - Até que você não é tão ruim quanto eu pensava.
- Você não é o Ciel que eu pensava e nem o idiota que parecia o Alec... ou talvez não seja tão idiota .
Ele sorri.
- Boa noite . Obrigado por me ajudar.
Ouvi bem ?ele me agradeceu?
Sorrio.
- De nada.... boa noite.
Ele assente e fecha a porta de casa . Entro na minha e fecho a porta... vejo a Tauriel vir se esfregar em minhas pernas... deixo o sapato na porta e abaixo a pegando no colo .
- Oi meu amor... com fome?
Levo ela até a cozinha... minha mente está embaralhada... eu descobri que o cara da livraria/ vizinho / Alec Mazon é o Ciel Brown... que ele não é tão mal assim e agora... eu vou ajuda-lo a se inspirar novamente... sorrio... é estranho eu estar muito empolgado com isso?
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" O mal do século é a solidão. Cada um de nós imerso em sua própria arrogância . Esperando por um pouco de afeição ".
- Renato Russo.
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"Maybe A Love Story ".
Lãng mạnAlec Mazon , o escritor de diversos livros de romance prestigiados publicados com o pseudônimo "Ciel Brown" , acaba encontrando um petulante menino na livraria que o abala ,ao falar que seu último livro era meia-boca . Ele vê sua paz e sossego ir em...
