Liel Gastesy...
Fico brincando com o canudo do meu cappuccino, até que escuto o barulho da cadeira se afastando e ela senta na minha frente.
Seus cabelos presos em um rabo de cavalo alto, seu olhar sereno e seus lábios que começam a se curvar em um sorriso.
- Me esperou muito?
- Não.
Ela chama o atendente.
- Quero um pedaço de bolo de chocolate e um Latte por favor. - ela olha para mim - Filho, quer alguma coisa?
Balanço a cabeça em negação. O atendente sai para levar os pedidos.
- Eu vim de trem - ela começa a falar - nossa, é realmente vazio, bem diferente da nossa cidade você não acha? Talvez por isso você resolveu vir para cá, é tão calmo e ...
- Por favor, não fique agindo como se fossemos amigos que conversam sobre trivialidades. Eu ainda tenho que trabalhar, deixei o Liam sozinho com o Derek na Dream para vir aqui, e acho que temos coisas bem mais importantes para falar, do que o fluxo de pessoas no trem de Jesstick.
O atendente deixa os pedidos e sai. Tomo um pouco do cappuccino.
- Só estava tentando puxar assunto com você- ela leva um pedaço do bolo para a boca.
- Me fala o que você queria dizer, e Por favor, me diga o que você veio fazer aqui de verdade, não estou a fim de ver seu teatrinho de mãe arrependida. - olho para ela- Então... O que você quer ?
- O que te faz pensar que eu quero alguma coisa?
Dou um meio sorriso e arrumo meus óculos, que haviam escorregado.
-Desde quando você me procura por outro motivo? Sei que bem provavelmente, você só está agindo assim porque achava que era o único jeito de me fazer te ver.
- Liel, eu sinceramente estava com saudade do meu filho e .
Puxo a cadeira e me levanto .
- Eu não vou ouvir essa besteira de novo.
Ela levanta bruscamente e segura meu braço.
- Tá bom. Eu realmente quero sua ajuda . Satisfeito?
Ela solta meu braço e se senta.
- Pode sentar, eu vou te falar.
Respiro fundo e volto a me sentar.
- Bom, eu e seu pai, tivemos que vender a casa da família, por conta de algumas dívidas e empréstimos que se acumularam, sua irmã está na faculdade e como já não mora mais com a gente e precisa se sustentar, não consegue mandar muito e...
- Resolveram extorquir ela também? Não faz joguinho emocional, para que ela pague as contas que vocês mesmo fizeram. Ela tem a vida dela agora, ela tá bem . E não precisa de vocês interferindo nisso. - falo em tom rude.
- Ela de qualquer forma, só está tentando ajudar os pais que criaram ela. É o mínimo que ela poderia fazer, as pessoas ajudam os familiares sabia Liel?
- E o que você quer ? Que eu ajude pagando tudo?
- Bom,não poderia ser tudo, talvez só um pouco. Eu e seu pai estamos em uma situação horrível, morando em uma casinha na parte mais barata da cidade, quase não sobra dinheiro e.
- E por acaso isso não é problema meu. E mesmo que eu quisesse, não teria dinheiro suficiente, acabei de abrir a Dream e ainda não tenho tantos lucros, e ainda tem a faculdade da Nora, ela paga o resto das despesas por isso não peça nada para ela.
Chamo o atendente e entrego o dinheiro do cappuccino.
- Liel - olho para ela que estava com uma expressão de raiva - Você não pode fazer isso, eu te criei, sou sua mãe.
- Foi minha mãe até descobrir que sou gay . E mesmo antes disso, não foi uma mãe exemplar e você sabe disso. Sinto muito, o fato de termos o mesmo sangue não significa nada para mim. - levanto.
- Você tem o dinheiro, porque simplesmente não me ajuda, se você não me ajudar eu não vou ter opção a não ser recorrer a Nora .
Ando a passos rápidos até onde ela está, ficando a centímetros de distância de seu rosto, me curvo.
- A Nora está construindo a própria vida, nem que eu vá até onde ela está, vocês não vão ter um único centavo meu e dela, eu não sou o idiota que vai te dar dinheiro para se ver livre de você. Você disse que eu queria que eu te ouvisse, pois bem , ouvi, minha resposta é não. Aprenda a bancar as consequências de seus próprios atos, mãe. - falo com ironia - E mesmo que você apareça na Dream de novo, ou faça o drama que você quiser, eu não vou ouvir, então, simplesmente some da minha vida, do mesmo jeito que você mandou eu fazer quando não tinha nem para onde ir .
Sem olhar para trás saio do café, e corro para a estação. . .
Alec Mazon...
- Você deveria relaxar um pouco. Com certeza, a essa hora ele já deve estar voltando. Já deve ter falado com a Diana e...
- Não dá. Derek, é muito difícil não ficar preocupado. Por mais que eu não saiba nem metade de tudo que se passa na cabeça dele, quando se trata dela, sei que mexe muito com ele. Eu nunca tinha visto ele tão nervoso, como quando a viu. Eu sei que mexe muito com ele, e me assusta eu não estar lá para ... sei lá, fazer alguma coisa- tomo mais um gole do café.
Estou sentado no balcão da Dream. O Derek veio para cá, para ajudar o Liam, eu insisti muito de manhã para levar o Liel até a estação, ele aceitou. Prometi que o esperaria em casa. Mas fiquei inquieto, e acabei vindo para cá. Desde então, estou tomando xícaras de café e tentando me distrair, mas sempre que abro a boca, falo algo relacionado ao Liel. Sei que a mãe dele mexe muito com ele, ver ela abre cicatrizes muito profundas nele, que ardem de maneira intensa, sei o quanto ele pode ser forte, mas isso não quer dizer que não doa. Ele pode precisar de mim, e eu não estou lá. Isso me deixa. Nervoso, ansioso, triste, com o coração apertado, impaciente... e tantas outras coisas.
Sinto uma mão em meu ombro. O ruivo deixa a bandeja no balcão e olha para mim.
- Alec se acalma, o Liel acabou de me mandar uma mensagem. Ele já está quase chegando aqui. Vai nos contar o que aconteceu.
- Mas , ele não me mandou nada.
O Liam vai até a parte de trás do balcão e abraça o Derek por trás, o mesmo abre um sorriso.
- Na verdade ele disse que te ligou , mas você não atendeu .
Passo as mãos no bolso.
- Acho que deixei o celular em casa .
O Derek ri.
- Você fica muito preocupado com o Liel , sei que é impossível não ficar, estaria da mesma forma se fosse com essa coisinha aqui - ele puxa o Liam e o abraça forte - Mas, a gente não pode esquecer que os dois já passaram por coisas piores antes de eu e você aparecer... O que eu quero dizer é que o Liel não vai desabar tão fácil, ele tem a gente certo? Mesmo que ele se sinta mal, não vai cair, porque nós não vamos deixar.
Ele leva a mão até a minha .
- Calma aí irmão, daqui a pouco ele chega . Respira fundo e ... se acalma.
Abro um sorriso.
- Vou tentar.
Escuto o sino da porta da Dream se abrindo, me viro e o vejo. Ele abre um meio sorriso e começa a andar até o balcão.
******************************
" Decidi não ficar mais triste, cestas coisas não valem minha dor ".
-Cazuza
VOCÊ ESTÁ LENDO
"Maybe A Love Story ".
RomanceAlec Mazon , o escritor de diversos livros de romance prestigiados publicados com o pseudônimo "Ciel Brown" , acaba encontrando um petulante menino na livraria que o abala ,ao falar que seu último livro era meia-boca . Ele vê sua paz e sossego ir em...
