Alec Mazon...
Acabamos pedindo um prato italiano , e enquanto esperavamos pedi duas taças de vinho tinto. O garçom as coloca na mesa com o esboçar de um sorriso cordial e sai.
O Liel pega a taça.
- Qual o ano?
- 74 - falo - definitivamente deve estar bom .
Ele assente e tomamos um gole. Realmente era muito gostoso. Quase que ao mesmo tempo colocamos as taças na mesa.
- Está calor aqui. - ele diz e assinto.
- Deve ser o ar condicionado.
- Sim - ele tira a blusa de frio e estava com uma camiseta preta por baixo . Ele olha para mim e abre um sorriso , daquele tipo que parece brilhar mais que a decoração que estava ao nosso redor.
Ele toma mais um gole do vinho antes de falar.
- Então... se estamos jantando é porque de alguma maneira você conseguiu escrever certo?
Assinto e deposito a taça na mesa.
- Mas o combinado era que você só faria o jantar se eu tivesse ajudado você a voltar a se inspirar. - enquanto falava ele frequentemente desviava o olhar ,intercalando entre um lugar e outro, como se estivesse buscando a ordem das palavras antes de dize-las. - Mas ... ontem não fiz nada além de conversar com você, e ver os esboços- ele me encara - Não consigo entender como isso pode ter te ajudado.
Dou de ombros.
- Nem eu entendo.
Quando ele ia falar o garçom aparece colocando nossos pedidos na mesa , pedindo licença e saindo em seguida.
Retiramos os talheres antes de começar a comer.
- Está com um cheiro bom - ele fala.
- A comida aqui sempre foi boa... ao menos desde que venho aqui.
Começamos a comer.
- Alec.. o que você quis dizer com nem eu entendo?
Olho para ele.
- Vamos comer primeiro. Podemos ir para algum lugar para conversar depois daqui... isso se não tiver problema para você.
Ele nega.
- Claro... podemos.
Assinto e voltamos a comer. De vez em quando desviava o olhar do prato e o observava. Seus detalhes enquanto comia. As garfadas em pequenas proporções... Enquanto o olhava percebo que ele passou a me encarar também. Vejo seu rosto ganhar um leve rubor.
- O que foi? - ele pergunta.
- Nada... só estava te olhando.
- Faz parecer que tem algo em meu rosto- ele sorri e sorrio junto.
- Te garanto que não tem nada . Só gosto de observar as coisas .
Ele balança a cabeça em negação.
- Sempre achei que só gostamos de observar coisas belas e que nos interessam.
Tomo um gole do vinho.
- O que te faz pensar que não te acho belo ou interessante?
Ele dá de ombros corado.
- Nunca vou me acostumar com você falando qualquer coisa de maneira natural.
Dou um sorriso de lado.
- E sempre vou me impressionar com a forma em que você cora facilmente.
Ele balança a cabeça em negação.
- Vamos comer antes que esfrie.
Sorrio com a forma que ele fugiu do assunto e voltamos a comer.
Liel Gastesy...
Depois de comermos ,o Alec pediu uma sobremesa. Comemos e agora o Alec está pagando a conta. Apesar de eu ter insistido para dividirmos ele negou e não me deixou pagar. Disse que a obrigação era dele ,já que foi o mesmo que havia queimado o que seria nossa janta.
Nos despedimos do Justin e saimos.
- Quer segurar minha mão para não cair ? - ele diz em tom provocativo com seu comum meio sorriso.
- Hahaha muito engraçado Mazon.
Ele ri.
- Só quis ser gentil.
- Gentil... claro.
Ele anda até o carro e abre a porta do passageiro para que eu possa entrar , olho para ele.
- Viu? Sou gentil.
Dou um meio sorriso e entro no carro fechando a porta em seguida. Segundos depois ele entra e dá partida no carro.
- Onde vamos ? - pergunto.
- Tem um parque próximo... a uns 20 minutos daqui. São quase 10 horas , antes das 11 e meia garanto que já estará na sua cama.
- Certo...
Ele dá uma pequena tosse antes de voltar a falar.
- Quer por alguma musica ?
- Posso?
Ele assente.
Ligo o rádio do carro e paro em uma musica do Queen , Love Of My Life.
Ele olha rapidamente para o rádio e retoma a atenção a rua.
- Gosta de Queen? - pergunto.
- Bom ... costumo escutar mais músicas clássicas ou instrumental. Mas sempre achei as músicas do Queen boas ,essa específicamente tem uma letra linda.
Assinto.
- Concordo. Apesar de ser triste , mas engraçado que as músicas mais bonitas sempre partem de algum tipo de dor , que o autor esteja sentindo no momento.
- A dor é um gatilho eu diria , ela pode te fazer enlouquecer, mas também virar alguém com belas palavras . Como por exemplo perder um grande amor ,faz com que possamos pensar em inúmeras frases e letras para tentar definir a dor lascinante que estamos sentindo, porém ao mesmo tempo nós faz ... idealizar o que seria um grande amor perfeito.
- Como algo que gostaríamos de viver, ou de ter vivido- completo.
- Isso aí- ele diz. - Acho que independente de estarmos diante de algo bom, sempre tem sua carga de dor e sofrimento. A diferença é que alguns desses sofrimentos são irrelevantes , e serve apenas para nos fazer cair e outros valem a pena, por terem partido de momentos, emoções, pessoas que fazem valer a pena ,cada lágrima, porque os sorrisos agregam mais.
As vezes ele diz coisas que me fazem pensar , rever alguns momentos da minha vida por um ângulo completamente diferente . Como todas as vezes que tive meu coração partido, mas como a cada novo momento eu estava cada vez mais forte , mais preparado para enfrentar novas ilusões e não cair nelas tão facilmente. Mas uma coisa é certa , coração partido é um coração partido, independentemente do quão preparados achamos que estamos, ou o quão alto e resistente haviamos tentando construir uma redoma de proteção.
- Liel?
- Hã?
- Tudo bem ? - ele para no farol e me encara - Você fica em silêncio derrepente e não sei o que você está pensando,não sei o que falar.
Percebo que a música já havia terminado , agora está tocando Bed Of Roses do Bon Jovi. Outra música que acho linda.
- Não é como se eu estivesse pensando algo extraordinário... só as vezes , você fala algumas filosofias de bolso da vida que me faz pensar... voltar para alguns momentos .
O sinal abre e ele segue com o carro.
- Momentos bons ou ruins?
Dou de ombros.
- Não é como se tivesse tido muitos momentos bons na minha vida .
- Você teve , mas provavelmente o que mais te marcou foram os ruins.
Desvio o olhar e começo a ver a rua pela janela.
- A vida é muito complicada não acha ? - falo em um sussuro quase para mim mesmo.
- Complicada até demais.
- E sem sentido, fazemos de tudo e o tudo que temos no final se reduz a absolutamente nada .
- Inegável... mas não é tudo tão deprimente assim. Não é sobre o quanto você viveu, mas o que você faz nesse tempo.
Olho para ele .
- Inventou isso agora?
- Não- ele sorri - Tem uma frase do Charles Bukowski que é semelhante, é uma daquelas verdades da vida que teimamos em esquecer... ao menos eu consegui guardar - ele estaciona o carro.
- Chegamos?
- Sim.
Olho pela janela do carro e vejo a entrada do parque,ele não era muito grande, mas estava vazio . Tinha uma parte com brinquedos para as crianças, umas mesas ,árvores, e uma estradinha com outra parte que não consigo ver daqui.
Ele destrava a porta do carro e saimos. Pego minha blusa no banco e coloco a mesma.
- Vem - ele segura minha mão e me coloca ao seu lado , soltando ela em seguida. - Fique ao meu lado, você é muito baixo posso te perder na grama.
- idiota .
Olhamos um para o outro e começamos a rir enquanto andavamos até dentro do parque...
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" Os abraços foram feitos para expressar o que as palavras deixam a desejar".
- Anne Frank.
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"Maybe A Love Story ".
RomanceAlec Mazon , o escritor de diversos livros de romance prestigiados publicados com o pseudônimo "Ciel Brown" , acaba encontrando um petulante menino na livraria que o abala ,ao falar que seu último livro era meia-boca . Ele vê sua paz e sossego ir em...
