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Liel Gastesy...

   Entramos no parque e andamos por aquela estradinha,  que era branca feita de pedras , ao redor tinham canteiros com flores , que só não foram destruídas por conta do patrulhamento eficaz na área .
   Tinham arbustos cortados ao redor , no centro uma pequena fonte , que jorrava água,  o local era iluminado pelos postes , alguns bancos estavam presente , e no meio da grama do lado direito tinha uma árvore grande .
   O Alec acabou sentando na grama proximo a um dos bancos, a poucos passos da árvore. Ele me chama e sento ao seu lado.
   Ficamos em silêncio,  não sei se já devo perguntar como eu o ajudei,  quando ia falar algo ele começa a falar.
- Eu gosto daqui... é sempre calmo e muito bonito.
   Assinto.
- Nunca tinha vindo para este lado da cidade .
- Eu morava aqui quando era criança, duas ruas atrás.  Vinha as vezes aqui para ficar sentado olhando o nada. Ou na minha adolescência quando não conseguia me concentrar em casa , ficava sentado perto da fonte e escrevia,  até ficar tarde o suficiente para ficar perigoso.
   Mais uma vez ficamos em silêncio e resolvo falar.
- Então Alec , como eu te ajudei sem nem ajudar?
   Ele olha para mim e abre um mini sorriso.  E da de ombros.
- De alguma forma , você me inspirou , sem esforço algum , sem fazer absolutamente nada ... você fez eu me encontrar de novo , aquela parte que me impedia de me sentir um fracassado qualquer. 
   Nossos olhares se encontram e ele abre um sorriso... um sorriso sincero que me paralisa , seu olhar parece  brilhar, e sinto meu peito vacilar... como se estivesse em duvida , sem saber se acelerava ou fingia que não era nada .
- Alec eu não entendo...
   Antes que eu termine de falar ele se aproxima,  e coloca sua mão perto da minha ,ao ponto de nossos dedos tocarem um no outro. Olho para ele e só consigo ficar em silêncio. Paralisado...

Alec Mazon...
 
   Derrepente ele ficou em silêncio, aproximei minha mão da sua e ele não a afastou . Ficamos apenas nos encarando.  Eu tentando achar as palavras corretas e ele muito provavelmente tentando entender o que viria em seguida.
    Senti meu corpo se arrepiar ao lembrar de quando peguei em sua mão, do calor que senti naquele momento,  misturado com uma corrente eletrica que vinha da ponta de meus dedos até percorrer meu corpo por completo. Dessa sensação... que até então por mim era desconhecida . Me dei conta que queria sentir isso novamente.  Sem pensar muito ,e jogando toda a lógica para escanteio , levo minha mão até a sua,  ele olha para baixo visivelmente surpreso.
- Liel ... - nossos olhos se encontram-  Posso te garantir que assim como você não entendo nada do que está acontecendo comigo - dou um sorriso - Não entendo como ontem,  apenas ao lembrar de seu rosto , do seu sorriso - conforme eu ia falando o Liel desviava o olhar e suas bochechas ficavam coradas - do seu olhar ... seus cabelos... como apenas ao lembrar de você ,eu consegui me inspirar novamente,  e as ideias vinham e vinham sem eu conseguir organizar,  e eu ia escrevendo como a alguns meses eu não conseguia . E eu realmente... gostei do que escrevi... você me inspira Liel ... por isso... ao menos até eu conseguir me recuperar 100% , fique ao meu lado.
   Ele me encara com uma expressão de surpresa.
- F...Ficar ao seu lado ?
  Assinto .
- Pera... deixa eu te explicar. - dou uma risada - Você... de alguma forma me inspira, eu sozinho não consigo escrever... por um tempo fique na minha vida . Deixe que eu conviva com você por um tempo.. ao menos até eu voltar a ser eu e o Ciel ao mesmo tempo.
   Ele me olha e bate um vento e uma mecha de seu cabelo voa até sua cara , com a mão livre ele a tira do rosto.
- Alec,  eu não sei como posso te ajudar...
- Só... seja você,  só esteja aqui . O resto deixa comigo.
   Ele dá um sorriso de lado.
- Esse é aquele tipo de coisa que não tem como dizer não. 
    Abro um sorriso.
- Obrigado- aperto um pouco sua mão antes de solta- la... e parece que o frio do tempo me atinge no momento em que quebro o contato fisico com ele.
   Ele deita na grama enquanto soltava um longo suspiro.
- Você me deixou sem entender nada o dia todo.
   Rio enquanto deito ao seu lado na grama.
- Quando fui na sua casa de manhã eu estava meio enérgico ainda.
- Você possivelmente nem tinha escovado o dente.
   Dou um riso envergonhado .
- Muito provavelmente.  É que ... fazia tanto tempo que eu não escrevia que ... foi muito ... impressionante.
   Estavamos olhando para o céu,que estava com poucas estrelas ,mas as poucas que tinham brilhavam intensamente. Como se estivessem dando seu melhor , para o mundo não notar a falta de todas as outras.
- Acho que escrever para você deve ser tudo- ele fala . Olho para seu rosto-   Tenho certeza que todo mundo usa algo que ama para não surtar.  Todo mundo precisa do que amamos.
   Assinto.
- Não tenho dúvida alguma quanto a isso.
  Ele olha para mim . É impressão minha ou os olhos dele brilham mais que qualquer estrela presente no céu?  Involuntariamente um sorriso domina meus lábios.
- O que foi?
   Desvio o olhar.
- Lembrei de um trecho de uma música. 
   Ele assente.
- Você é muito aleatório.
  Rio.
-As melhores coisas são vindas do acaso.
   Levanto da grama,no momento que uma brisa gelada bate em meu rosto.
- Vem está esfriando. 
   Ele se levanta,  posso ver seu rosto com um pouco mais de nitidez ,percebo que seu nariz está vermelho pelo frio.
- Vamos logo para o carro. Antes que o resto de seu rosto fique vermelho.
   Ele assente e fomos até o carro.
   Conversamos um pouco no caminho sobre coisas triviais,  enquanto escutavamos Beatles. Deixei o carro na garagem e subimos de escada até nosso andar. Ando até a porta do Liel.
-Entregue.
  Ele abre um meio sorriso.
-Obrigado pela noite Mazon. Amanhã não poderei ir na sua casa... tenho que preparar uns negócios da Dream .
  Assinto.
-Sexta eu tenho compromisso.
- Eu também-  ele diz.
- Certo.. então.. nos vemos. Durma bem.
- Tenha bons sonhos Alec.
   Sem pensar muito me abaixo e deixo um selar em sua testa. Quando percebo o que fiz ,recuo. Ele está muito corado.
- Liel me desculpa , foi automático... Eu ...
- Tá tudo bem. Até mais Alec.
   Ele abre a porta rapidamente entrando para dentro. Mas que porra deu em mim?
   Ando até em casa , e quando abro a porta vou direto para a escrivaninha
... a noite será longamente produtiva. 

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  "  O mistério da existência humana não reside apenas em permanecer vivo , mas em encontrar algo por que valha a pena viver ".
                        - Fiódor Dostoiévski.

"Maybe A Love Story ".Histórias para pegar e não largar. Descubra agora