– Quem era?
– Femi.
Anoto o nome. Estamos em meu quarto. Annie está sentada em meu sofá, as pernas cruzadas, a cabeça descansando na almofada do encosto.
Enquanto ela tomava banho, coloquei fogo no vestido que ela estava usando. Agora ela veste uma camiseta cor-de-rosa e cheira a talco de bebê.
– E o sobrenome?
Ela franze o rosto, apertando os lábios, e balança a cabeça como se estivesse tentando jogar o nome de volta para a parte da frente do cérebro. Mas não adianta. Ela dá de ombros. Eu deveria ter pegado a carteira dele.
Fecho o caderno. É pequeno, menor do que a palma da minha mão. Uma vez assisti a um TEDx no qual um homem dizia que carregar um caderno e anotar um momento feliz por dia tinha mudado a vida dele. Foi por isso que comprei o caderno. Na primeira página, escrevi, "Vi uma coruja branca pela janela do quarto". Desde então, o caderno ficou basicamente vazio.
– Não é minha culpa, sabe – mas não sei. Não sei a que ela se refere. Ela está falando de não conseguir lembrar do sobrenome? Ou da morte?
– Me conte o que aconteceu.
[...]
Femi fez um poema para ela. (Ela consegue lembrar do poema, mas não do sobrenome dele).
Desafio você a encontrar um defeito
na beleza dela;
ou a apresentar uma mulher
que possa ficar ao seu
lado sem definhar.
E entregou a ela escrito em um pedaço de papel, dobrado duas vezes, uma lembrança dos tempos de ensino médio, quando crianças passam bilhetes de amor entre si nos fundos de salas de aula. Ela se sentiu tocada por tudo isso (se bem que Annie sempre se sente tocada pela adoração de seus méritos) e, por isso, concordou em ser sua garota, enquanto obviamente sua missão era mata-ló, o que foi comprido:
No aniversário de um mês de namoro, ela o esfaqueou na cozinha de seu apartamento. Não era a intenção, é claro. Ele estava bravo, gritando, o hálito manchado de cebola quente no rosto dela.
(Mas por que ela tinha uma faca?)
A faca era para proteção. Você nunca sabe como homens podem reagir, eles querem o que querem quando querem. Não queria matá-lo, queria assustá-lo, mas ele não tinha medo da arma. Tinha mais de um metro e oitenta, e ela provavelmente parecia uma boneca de sua perspectiva, o corpo pequeno, longos cílios e lábios rosados e cheios.
(A descrição é dela, não minha).
Ela o matou com o primeiro golpe, direto no coração. Mas o esfaqueou mais duas vezes para ter certeza. Ele caiu no chão. Ela conseguia ouvir a própria respiração, e só.
- Você literalmente precisa aprender a contar historias - suspirei exagerada.
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Amor e obsessão
FanfictionContinuação de Linha Tênue. O que acontece depois que você encontra a sua cara metade? Depois de ser juntado a ela por uma linha delgada? Rio e Beth são completamente diferentes até um precisar do outro, agora Rio se vê obrigado a ajudar a mulher...
