Depois que Muhtar saiu da cafeteria eu continuei ali, alisei minha barriga e pensei comigo mesma que ficaria tudo bem.
Logo o Rio voltaria e seriamos uma familia, completamente felizes !
Terminei de comer minha comida e tive que concordar com Muhtar, o maffin de chocolate de Alexia (?!) era maravilhosa. Lembrei de quando conheci ruby, eu estava dirigindo um carro e annie estava junto, Ruby nos ajudou e desde entrão viramos amigas, ela fazia um cukie de chocolate divino.
- Esta satisfeita senhora Winn barra jonh - a moça sorriu divertida.
- a conta, por favor!
- claro.
O resto da tarde passou tranquila e totalmente imperceptivel, as vezes sentia clafrios por parecer que estava sendo seguida, outras eu simplesmente revirava os olhos com o quão idiota esta situação era. No que o Rio andou se metendo?
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Annie
Duas coisas que faço muito bem: mentir e cair.
Na véspera da minha primeira viagem para a Argentina consegui rolar dois lances de escada e cheguei
em Buenos Aires parecendo que alguém tinha me rabiscado com um carvão de tão pretos que estavam meus hematomas. A viagem de trinta e cinco horas até lá foi bem agradável, como você deve imaginar.
No meu segundo dia no albergue, ainda arrebentada do tombo, fiz amizade com uma peruana hospedada no mesmo quarto, que ficou horrorizada quando viu meus machucados e perguntou o que tinha acontecido.
Não estava muito numas de explicar o ocorrido porque
1) é ridículo admitir para alguém que acabou de conhecer que aos 18 anos de idade você ainda não dominou a arte de subir e descer escadas;
2) falar, assim como respirar, doía. Respondi que era uma longa história e não queria falar sobre isso.
Naquela noite, essa peruana me chamou para ir a uma boate de salsa encontrar uma amiga argentina dela.
Expliquei que não danço salsa nem quando estou saudável, que dirá com hemorragia interna, mas daí ela disse que era open bar e eu fui buscar minha bolsa.
Chegando lá encontramos Gabriella, a tal amiga argentina. Gabriella era maravilhosa, aquele tipo de
mulher que você não consegue decidir se prefere agarrar ou ser ela.
Enquanto a peruana dançava, Gabriella ficou me fazendo companhia.
- Você tem falado com ele?
- Ele quem?
- O cara que te fez esses machucados. Ela me contou o que aconteceu.
Risos. A peruana encarou meu "não quero falar sobre isso" como "apanhei do meu namorado e fugi pra Argentina". Por isso que o Peru não vai pra frente.
E o que eu fiz? Expliquei o mal entendido? Lógico que não. Resolvi viver essa mentira intensamente.
Contei todos os detalhes do meu relacionamento destrutivo e acho até que entre uma margarita e outra devo ter chorado.
Com cada mentira que eu contava, ela ia chegando mais perto.
- Esse não foi meu primeiro relacionamento abusivo.
Puxou a cadeira mais pra perto.
-Ele me empurrou da escada.
Segurou minha mão.
-Tenho medo que ele venha atrás de mim aqui.
Começou a me beijar.
Não entendi muito bem esse fetiche dela por mulheres espancadas, mas quem sou eu pra reclamar. Como diria Zé Mayer: não tenho tipo, tenho pressa.
Largamos a peruana na boate bailando como si no hubiera mañana e fomos para o albergue. Lá, tomei a
decisão que, de todas as decisões equivocadas que já tomei na vida, mais vai me atormentar até o fim dos
dias: em vez de irmos para o meu quarto, fomos para o banheiro. Banheiro compartilhado por mais de
quarenta pessoas. Sinto arrepio até hoje só de lembrar daquela poça imunda no chão enquanto rolávamos
apaixonadamente sendo dois rodos humanos.
No final da noite precisei emprestar uma roupa para ela poder ir embora sem pegar leptospirose no caminho. A única coisa que coube foi uma calça militar que roubei do meu grupo de teatro quando
fizemos Miss Saigon, mas menti que a calça era do meu ex.
Nunca mais vi Gabriella, nem a calça.
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Amor e obsessão
FanfictionContinuação de Linha Tênue. O que acontece depois que você encontra a sua cara metade? Depois de ser juntado a ela por uma linha delgada? Rio e Beth são completamente diferentes até um precisar do outro, agora Rio se vê obrigado a ajudar a mulher...
