Annie
Nas férias de 2001 eu precisei decidir se queria ir para o Rock in Rio sem dinheiro ou ir para o nordeste com mamãe e tia Daisy. Minha fase hippie mística já tinha passado, então escolhi o nordeste por motivo de: hotel cinco estrelas.
O fato de estar com a família não influenciaria em nada as chances de humilhação pública, posto que a última viagem que fizemos juntas acabei seguindo um trio elétrico da Baby Consuelo correndo em círculos gritando VIVA MONTEIRO LOBATO QUINHENTOS ANOS DE VISCONDE DE SABUGOSA QUINHENTOS ANOS DE BRASILenquanto Baby cantava Emília, a boneca gente.
Não cheguei nesse nível de ridículo em Fortaleza, mas um belo dia estava andando pelo calçadão e avistei um loiro com pinta de alemão gatíssimo sentado no quiosque em frente ao meu hotel. Sentei na mesa ao lado e fiquei usando o poder da mente (resquícios da fase mística) para ele falar comigo. O poder da mente falhou, então apelei pro poder da meteorologia e mandei um calor, né? pra começar o papo.
Combinamos de jantar mais tarde na praia de Iracema. Para fugir de mamãe inventei que tinha encontrado uma amiga da escola e ia sair com ela e os pais, mas se tivesse dito que tava indo ali assaltar um banco teria dado na mesma, ela só tinha olhos para a caipirinha. Filho de peixe, etc.
Chegando lá, mas que vergonha. Só tinha maconha. Brinks. Chegando lá ele estava com um amigo e o amigo por sua vez estava com outra biscate. Na hora achei ótimo outra biscate para sermos biscates juntas, mas não foi muito legal biscatear com ela não.
Ela não falava portugues, então eu tinha que ficar de intérprete pra ela e o amigo do meu gato. Tava quase pedindo para me deixarem em paz e se virarem na língua do amor, quando os dois rapazes engataram um papo em alemão. Aproveitei para conhecer melhor minha nova amiga.
- E você é de onde?
- Durham.
- Legal, eu sou de Detroid.
- Chegou quando?
- Dois dias, vim com minha mãe e minha tia.
- E elas sabem que você faz programa?
- Desculpa, não entendi.
- Sua mãe e sua tia.
- Que tem?
- Elas sabem que você faz programa?
A coitada precisou repetir a pergunta mais umas três vezes até meu eu inocente de 17 aninhos entender o que estava acontecendo. E quando a ficha finalmente caiu, eu e minha amiga biscate/prostituta nos deparamos com outro problema: ou o cara dela não sabia que ela era garota de programa ou o meu achava que eu também era.
Obviamente o problema da A.B. (Amiga Biscate) era pior, porque se o cara não soubesse que ela era profissional ela estava perdendo horas de trabalho. Se o meu achasse que eu era profissional, eu ganharia uns trocados por algo que já tinha saído de casa disposta a fazer de graça.
Decidimos que ela ia sair rapidinho, pra achar um orelhão e ligar para o cara que tinha arrumado o encontro pra ela e confirmar a história, enquanto eu enrolava os dois.
- Mas você volta mesmo, né?
- Lógico, vou só ligar e já volto.
Estou esperando até hoje.
Ela nunca mais voltou e tive que jantar com os dois enquanto tentava explicar porque ela tinha fugido.
No final largamos o amigo rejeitado na praia, fomos para o hotel dele e transamos a noite inteira. Na hora de me despedir fiquei esperando um envelope com dinheiro mas só ganhei um abraço.
E essa foi minha curta passagem pelo mundo do turismo sexual.
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Amor e obsessão
FanfictionContinuação de Linha Tênue. O que acontece depois que você encontra a sua cara metade? Depois de ser juntado a ela por uma linha delgada? Rio e Beth são completamente diferentes até um precisar do outro, agora Rio se vê obrigado a ajudar a mulher...
