capítulo 16 - prisão mágica

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A cela de Louis é escura, retangular e gelada. Obviamente construída de pedras antigas, enfeitiçadas para tirar toda a magia do lugar.

Pelo menos em partes, porque Louis consegue criar um pequeno fogo nas palmas de sua mão, apenas o suficiente para não morrer de frio.

O corpo inteiro de Louis dói, pois além de todo o esforço colocado nos feitiços, ele foi empurrado, derrubado e amarrado das formas mais agressivas possíveis. Ninguém deu um soco no rosto dele, mas Louis sabe que todos gostariam.

Ele repensa todos os erros que cometeu, perguntando-se se mereceu aquele tratamento. Ou se existe algo por trás de tudo aquilo.

A história de sua família sempre foi dolorosa para Louis lidar.

Louis, o pequeno feiticeiro órfão que foi criado pela avó.

Será que seu pai foi morto pela Mais Alta Justiça? Louis não se lembra dele, não existe nada para sentir falta e nunca houve interesse em buscar por algo que poderia ser doloroso lidar depois.

Ele também não pensa sobre sua mãe, mas talvez devesse, porque suas memórias sobre ela estão cada vez mais embaçadas.

O corredor com as celas é silencioso. Ninguém lamenta ou chora ou conversa. Louis sabe que não está sozinho, mas é torturante o sentimento de não ter noção de quem está ao seu redor. Ou pior, o quê.

Enquanto caminha pela cela observando suas dimensões e qual lugar será o mais adequado para executar seu plano de fuga, Louis pensa em Harry.

Ele está bem, Louis sabe, pois se certificou disso, mas por que ele foi procurá-lo?

A esperança é bem filha da puta, ela acelera o coração de Louis apenas com a possibilidade de Harry desculpá-lo. E isso seria o suficiente depois de tudo que ele fez.

Louis se apoia na parede no fundo e se deixa escorregar até sentar no chão, pensando como a esperança é verde como os olhos de Harry.

Com este pensamento, ele adormece.

[...]

— Garoto? Ei, garoto, acorda.

Louis se mexe e a chama tremula, ficando cada vez mais fraca até se apagar.

O homem continua chamando-o, mas é o frio que o faz despertar de verdade.

— Fogo bacana, você deve ser muito poderoso para conseguir mantê-lo — continua o homem.

— Magia antiga — responde Louis se sentando e passando as mãos pelo rosto antes de conjurar o fogo novamente. — Mais antiga do que isso. Você deveria tentar. Todos deveriam.

Apesar da luminosidade em sua cela, Louis não consegue ver nada além dela. Aquele homem pode não ser real, pode ser um monstro, pode ser qualquer coisa.

— Talvez — concorda ele —, mas ninguém aqui conseguiria mantê-lo — continua a voz. — Sou Daniel.

— Louis Tomlinson — responde se levantando, intensificando as chamas e indo para a frente da cela, tentando ver com quem está conversando.

— Ouvi comentários de que o neto de Emma estaria aqui, mas não consegui acreditar. Eles finalmente conseguiram, não foi? Depois de tantas décadas alguém de sua família foi preso.

— Nós não fizemos nada para justificar isso — defende-se cerrando os punhos.

As chamas crescem e Louis consegue ver o relance de um homem branco de cabelos loiros na cela em frente a sua.

Violet MistakeOnde histórias criam vida. Descubra agora