Capítulo 3

250 34 1
                                        

Meu celular começou a vibrar, obrigando-me a parar de escrever e atender.

- Alô?

- Lois? - a voz da minha irmã mais velha soou do outro lado da linha. - Sabe aquele Ariel que você não parou de falar depois que foi no show de balé?

- Sei.

- Você chegou a pesquisar sobre ele?

- Não.

- Idiota! - resmungou. - Eu achei o Instagram dele, e ele tirou uma foto do poema que você fez e agradeceu.

- Sério?

- Sim! Você deveria ver e respondê-lo! - ela ficou em silêncio por um tempo, mas depois continuo: - Eu te mandei o link.

- Espera um segundo.

Tirei meu celular do ouvido e entrei no link pelo computador. Assim como a Sam disse, tinha uma foto do meu papel e em baixo escrito um agradecimento à mim.
Sem querer, abri os comentários, e me assustei com tantos xingamentos que tinham para Ariel. Algo como "Esse Lois só poder ser outro gay" e "Já não basta esse Ariel fazer balé?" e etc de outras coisas. Não tinha passado pela minha cabeça que talvez fosse difícil ser um bailarino homem em um mundo com pessoas ruins.
Coloquei o telefone de volta no ouvido e peguei minha caneta para escrever.

Ele só queria dançar, queria amar
Mas no fim, ninguém lhe deu nada.

- Voltei. - eu disse, depois de terminar e largar a caneta outra vez.

- E então?

- O mundo é cruel.

- Poetas - bufou. - O que isso tem a ver? É algo relacionado com o seu novo livro?

- Não! Você leu os comentários?

- Não. O que escreveram?

- Coisas horríveis! Acho que é difícil dançar balé sendo homem.

- Claro que é! Se lembra da época que eu era criticada só por gostar de jogar futebol quando éramos crianças?

- Lembro.

- No final, eu nem me tornei uma jogadora de futebol. Droga! - ela riu, eu também. - Bem, você o respondeu?

- Não.

- E o que está esperando?!

- Bem...

- Ele certamente quer que você responda - interrompeu-me. - Ninguém posta uma coisa dessas atoa, hm?

- Eu vou respondê-lo. Um segundo!

Tirei meu celular do ouvido, coloquei a ligação no viva-voz e digitei a mensagem para ele no privado.
Oi, aqui é Lois Cruz! Fico feliz que tenha gostado do meu poema. Eu gostei de ver você dançando noite passada.

- E então?

- Eu mandei.

- Mandou o que?

Dança do amorOnde histórias criam vida. Descubra agora