— Sabe de uma coisa — Lois se aproximou, enquanto eu dava um gole na xícara de chá. — Eu não cheguei a devolver seu guarda-chuva.
— Nossa, verdade. Obrigado.
Peguei o guarda-chuva, lembrando do nosso primeiro encontro, quando tomamos um banho de chuva. Foi uma baita sorte eu não ter pegado um resfriado naquele dia.
— Você podia passar o dia comigo, não?
— Você quer que eu passe?
— Claro que eu quero.
— Bem, então eu fico.
Lois sorriu e me deu um rápido beijo na bochecha.
— Espera, que dia é hoje?
— Hoje é domingo, não é?
Ele pegou o celular do bolso e confirmou. Hoje é domingo.
— Então, no domingo eu e minha família sempre almoçamos juntos, você não quer ir comigo?
Alguns poderiam pensar, não é muito cedo para conhecer a família? Mas eu nunca me importei muito com essas cosias, então aceitei o convite.
— Mas eu vou ter que passar em casa pra trocar de roupa.
— Sem problemas, quando for 11 horas você vai e eu te busco, até lá, eu vou te encher de carinho.
Ele me deu um outro beijo, só que dessa vez no pescoço e eu ri, já que eu sempre fui sensível na região da nuca.
Lois estacionou o carro e saímos.
— É por aqui.
O segui até uma casa simples e provavelmente a casa aonde ele cresceu. O próprio Lois abriu a porta com uma chave reserva e entramos.
— Tio Lois!
Uma garotinha que parecia ter entre os 7 e 6 anos veio correndo e pulou nos braços dele.
— Olá, pequena, como vai?
— Eu estou bem — ela me encarou. — Quem é esse, tio?
— Esse é o quase namorado do tio Lois.
— Por que quase?
— Porque ainda não o pedi em namoro.
— Então pede logo!
Comecei a rir e em seguida também escutei a risada de Lois.
— Olha só quem temos aqui — agora uma mulher que parecia ser um pouco mais velha do que eu apareceu. Mas ela também não era tão mais velha então duvido que seja a mãe de Lois. Ela é bem parecida com a garota. — Já chegaram no ponto de trazer pro almoço em família?
— Mamãe! — a garota gritou, pulou e correu até a moça. Só podia ser a irmã dele. — Esse é o quase namorado do tio Lois, mas eu não sei o nome dele.
— O nome dele é Ariel, querida.
Encarei Lois curioso.
— Como ela sabe meu nome? — sussurrei.
— Ela foi a primeira a ficar sabendo de você, sabe?
— Entendi.
— Eu me atrasei no nosso primeiro encontro porque ela escolheu minhas roupas.
Comecei a rir novamente e só parei quando a mãe da garotinha nos convidou para entrar.
Um casal de velhinhos e um homem que eu suspeitei ser marido da irmã de Lois me encararam.
— Pessoal, esse aqui é o Ariel, um amigo.
Todos me receberam com um sorriso. E eu descobri seus nomes. A garotinha se chama Maria e a irmã de Lois Samanta, mas ela prefere que a chamem de Sam. Seu marido se chama Billie mas o chamam de Bill. E o casal de idosos, pais de Lois, se chamam Julie e Zack.
O almoço foi bom mas algo um pouco novo demais para mim. Já faz um tempo que eu não vejo meus pais, desde que minha tia literalmente me adotou eu só vejo eles às vezes, e quando eles me vêm reclamam por eu dançar, por eu fazer o que simplesmente sei e amo. Então eu não sei como é ter uma família direito, ou esse negócio de almoço em família, minha família sempre foi apenas eu e minha tia. Agora eu me sinto acolhido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Dança do amor
Romans"Te ver dançar pela primeira vez Foi como mágica Seu corpo parecia poesia E eu amo poesia Eu amo o jeito que você dança Acho que amo você."
