Capítulo 7

177 27 0
                                        

Às 17h, eu estava com o carro estacionado de frente para a casa de Ariel, e ele saiu de lá com um sorriso enorme.
Lindo. Só consigo pensar em como ele é lindo.
Ariel entrou no carro, sentando-se no banco ao meu lado e colocando o cinto de segurança.

- Oi, Lo - cumprimentou-me com um beijo na bochecha. - Que filme vamos assistir?

- Não sei, vamos ver quando chegarmos lá.

Ele assentiu e eu dei partida no carro.


- Doutor Sono, por favor! - Ariel suplicou. - É a continuação de O Iluminado!

- Parece que alguém acompanha as obras de Stephen King.

- Ele é um escritor perfeito, e eu preciso assistir essa adaptação!

- Eu também, então vamos assistir esse - ele comemorou e entramos na fila para pegar os ingressos. - Você quer pipoca doce, salgada, com manteiga?

- Com manteiga, óbvio.

- Bebida?

- Faz tempo que eu não bebo refrigerante, acho que não faz mal se eu beber um pouco.

- Por quê?

- Eu sou bailarino, preciso manter meu corpo em dia.

- Seu corpo é perfeito - suas bochechas ficaram vermelhas. - Eu vou comprar um refrigerante grande para nós dois. Vamos dividir.

- Ok - ele tirou o cartão de crédito da bolsa, assim que chegou a nossa vez na fila. - Deixa que eu pago os ingressos, você paga a pipoca e o refrigerante.

- Tudo bem.

Ariel pagou os ingressos e depois caminhamos para a fila da pipoca que não estava muito grande.

- Você acha que o filme vai ser bom, Lo?

- Comparado ao livro nunca vai ser bom, porém, vamos fingir que não lemos o livro.

Ele riu, me fazendo rir também.
Paguei a pipoca e o refrigerante, então fomos para a sala de cinema e nos sentamos no fundo. O filme e nem os trailers haviam começado ainda, mas Ariel já estava comendo a pipoca.
Algumas pessoas começaram a entrar e eu comecei a me pergunta se séria errado um beijo no segundo encontro. Mas antes que eu pudesse ter uma resposta os trailers começaram e mais tarde, se iniciou o filme.

Eu joguei o balde vazio de pipoca fora, junto com o copo de refrigerante, antes de sair do cinema com Ariel.

- Estou cansando - bocejou. - Filmes me dão sono.

- Vem, eu vou te levar para casa.

Puxei ele pelo ombro e entramos dentro do meu carro. Eu coloquei a chave do carro no devido lugar, mas fui impedido de gira-lá.

- Eu não quero ir para casa.

- Você não está quase morrendo de sono aí?

- Mas eu quero passar mais tempo com você - não pude evitar sorrir, quando ele apoiou sua cabeça no meu ombro. - Cite um dos seus poemas para mim, Lo.

Hoje eu fujo daqui, dessa cidade
Em seguida fugirei desse estado
Depois desse país
Mais tarde estarei fora desse mundo
Mais tarde fora do universo
Fugirei com toda minha alma
Eu serei infinito.

- Se você for fugir mesmo me deixei fugir com você - riu. - Vamos ser infinitos juntos, o que acha?

Não respondi, em vez disso pensei em citar outra poesia minha, porém, uma poesia que escrevi para ele.

Ele só queria dançar, queria amar
Mas no fim, ninguém lhe deu nada.

- Gostei - bocejou novamente. - Larry tinha razão, você é o Shakespeare do século XXI.

- Você acha?

- Eu não acho, eu tenho certeza.

- Quer ir para casa agora?

Ele retirou a cabeça do meu ombro e murmurou um "sim", então eu girei as chaves e dei partida no carro.
Quando chegamos, Ariel estava dormindo, com a cabeça encostada no vidro. Fiquei com pena de acorda-ló.
Acariciei seu cabelo, fazendo ele despertar. Parece que ele tem o sono leve. Afastei meus dedos.

- Ariel, chegamos.

Ele se ajeitou no banco e retirou o cinto de segurança.

- Obrigado, Lo - se despediu com um beijo na bochecha. Esses beijos me deixavam louco. - Espero te ver no show de balé.

- Estarei lá.

Ele saiu do carro com um sorriso enorme e entrou dentro de casa.
Essa é a minha deixa, parece que me apaixonei por Ariel.


- Então quer dizer que ele é um gay que fingi ser hétero para os fãs? - minha irmã perguntou, cruzando as pernas no sofá da nossa mãe.

- Sim.

- E vocês saíram ontem?

- Sim. - repeti.
Minha irmã abriu a boca para dizer algo mas foi interrompida por Maria, minha sobrinha, que veio correndo na direção dela.

- Mamãe! Mamãe!

Maria pulou no colo da mãe e Sam automaticamente a abraçou.

- O que foi, querida?

- A vovó está chamando, o almoço já está pronto!

- Fala para ela que já vamos.

Maria assentiu e pulou do colo da mãe. Saiu correndo para a cozinha.

- Vamos?

Eu apenas me levantei e Sam parecia ter entendido. Então fomos para a cozinha, aonde minha mãe, meu pai, meu cunhando e minha sobrinha me esperavam sentados à mesa. Os almoços em família sempre foi uma tradição. Perguntou-me se um dia Ariel vai fazer parte deles.
Sentei-me no mesmo lugar de sempre e me servi.

Dança do amorOnde histórias criam vida. Descubra agora