Cartas a ninguém (KiriBaku)

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Sabe Bakugou eu realmente já não sei o que fazer pra suprimir todo esse sentimento. Eu não queria sentir isso eu juro que não queria mas eu sinto, e está cada vez mais forte. Espero que eu possa ter a oportunidade de te contar algum dia. A cada dia que passa eu percebo que você se afasta de mim, eu estou dando tão na cara assim? Você percebeu alguma coisa? Ou só já não gosta mais da minha companhia? Eu realmente queria saber. Hoje o dia foi exaustivo sabe? Houve mais uma briga aqui em casa e minha mãe chorou outra vez, meu pai saiu a algumas horas e eu temo a hora que ele voltar. Meu irmão não está em casa e isso já faz um tempo. Eu acho que não vou aguentar por muito mais tempo. Eu preciso de ajuda, por favor. É tão difícil ler o pedido de socorro em meus olhos? É tão difícil perceber que meu sorriso não é mais verdadeiro? Ou será que ele nunca foi e por isso ninguém percebe? Ou os meus olhos sempre pediram socorro por isso ninguém nota? É uma possibilidade. Por favor note antes que seja tarde.

O papel vermelho foi dobrado com cuidado, depositado no envelope e posto dentro do baú junto com todos os outros. Ela também não seria enviada, era apenas mais uma das suas cartas para ninguém. Empurrou o pequeno baú pra de baixo da cama e sorriu com as lágrimas já banhando a face. Ninguém notaria, ninguém veria, ninguém iria ajudar. As cartas eram pra ninguém. Os passos cansados se dirigiram ao banheiro, a figura no espelho já não era reconhecida, não era mais ele. Era apenas uma casca do que um dia foi Kirishima Eijirou, o garoto sorridente e alegre que era gentil com todos agora já não existia de verdade. Voltou ao quarto devagar e pegou um pedaço de papel é uma caneta.

-Minha despedida será breve...- as palavras saíram sem som de sua boca.

Rabiscou algumas palavras no papel, trancou a porta do quarto e voltou ao banheiro também trancando aquela porta. Encheu a banheira devagar e observou a água se movimentar com graça. Entrou na banheira assim que ela ficou cheia e sorriu tranquilo. Não queria enrolar muito, pegou o estilete que ficava na gaveta do banheiro e fez o trabalho que devia fazer, para logo depois se deixar afundar na água morna da banheira que já estava ficando rosa pelo sangue, seu sangue. Ninguém viu, ninguém ouviu e ninguém notou até o dia seguinte. Quando a mãe do ruivo foi chamá-lo pro café e deu de cara com a porta trancada percebeu que algo estava errado. Tentou abrir desesperadamente a porta, algo tinha acontecido com o seu menininho. Desceu as escadas correndo e pegou a chave reserva do quarto. Quando entrou não o viu em lugar algum do quarto, mas achou um bilhete.

Me perdoem, eu não consegui aguentar. Ninguém percebeu meu pedido de ajuda. Por favor entregue minhas cartas a ninguém

Ass: Kirishima Eijirou

E junto tinha o local onde as cartas estavam. A mulher já chorava muito e quando encontrou o corpo do filho na banheira a ficha finalmente caiu. O seu menino não aguentou, ele tinha pedido socorro e ninguém percebeu. Tudo depois disso se passou num borrão para aquela mãe. O velório onde os amigos do filho choraram se culpando por não perceberem, o enterro que foi breve e a entrega das cartas a ninguém. Todas as cartas daquele baú tinham apenas um destinatário. Bakugou Katsuki. Agora as cartas não eram mais pra ninguém.

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