Querida quarentena,

Hoje foi o primeiro dia que pensei em falar com a minha mãe. Mais de 20 dias em casa, e nem cogitei ligar ou dar assunto às mensagem dela nesse tempo todo.

Será que eu ainda sou uma boa filha?

Eu me fiz essa pergunta muitas vezes na minha vida. Por isso, sempre tirava notas boas, sempre voltava para casa no horário combinado e nunca, nunca gastava mais dinheiro do que a família podia.

Talvez eu até tenha me preocupado demais com isso.

Depois da separação dos meus pais, a última coisa que minha mãe precisava era mais um peso. Ela já tinha dois empregos para trabalhar e um coração partido para remendar. Então, sim, talvez eu tenha assumido mais contas da casa do que uma adolescente comum. Talvez eu tenha cuidado da minha irmãzinha mais como uma mãe do que irmã. Talvez eu tenha sido boa filha demais.

Mas eu não tive escolha.

Ela precisava de mim.

Será que isso é ser guerreira?

Será que minha mãe também me vê assim, que nem a Jé disse?

Faço um chimarrão como minha mãe fazia antigamente e mato minha sede de coragem.

"Oi, mãe. Tá ocupada?"

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