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🍩 Capítulo treze:

Todos os dias antes de ir para a escola eu passava na casa de Maethe para acompanhá-la mesmo que minha casa fosse a quinze minutos da escola e a casa de minha melhor amiga ficasse mais afastada fazendo com que o percurso fosse muito maior, todos os dias que mamãe não nos levava, eu ia caminhando até lá o que era acontecia quase sempre. Carlinhos odiava isso, porque meu irmão era um enjoado que reclamava o tempo inteiro de tudo, talvez fosse por conta da idade, só esperava que um dia essa chatice toda passasse.

Na sexta-feira estava fazendo um calor desgraçado, Carlinhos fez um dramalhão para não ir junto comigo, então o dispensei e disse que se ele sabia o caminho, que fosse sozinho. Agora estou aqui, parada na porta da frente da casa da minha melhor amiga, sem entender o porquê dela não estar saindo já que Maethe era extremamente responsável com horários e sempre estava me esperando sentada na cadeira de balanço que ficava em sua varanda.

Bati na porta algumas vezes e logo tia Marlene, mãe de Maethe apareceu com uma expressão cansada no rosto.

Ela era uma mulher muito bonita, mas que havia precisado amadurecer ainda muito nova por causa da gravidez, ainda era jovem, seus cabelos crespos estavam sempre arrumados em um black poderoso e sua pele negra era tão bonita que parecia ser iluminada, como se ela tomasse banho de iluminador todos os dias de manhã, mas era apenas sua forte melanina.

— Oi minha filha, ainda bem que você chegou — A mãe de Maethe, ao contrário da maioria do pessoal da cidade, gostava de mim e não acreditava nas mentiras que haviam inventado, então desde que tinham se mudado para cá a quatro anos atrás, ela me tratava com muito amor. — Não sei o que deu na Mae hoje, mas ela não quer sair daquele quarto. — Marlene parecia extremamente preocupada. Não que essa expressão não fosse constante em seu rosto desde que minha amiga engravidou.

— Eu vou tentar falar com ela. — Sorri e ela me deu um beijo na bochecha em forma de agradecimento.

— Bom, sabe que pode ficar a vontade, eu tenho que ir, qualquer coisa você me avisa? — Assenti e ela suspirou, saindo então para seu trabalho.

Fui até a porta do quarto da minha amiga e conferi se estava trancado e realmente estava, então peguei o meu celular e mandei uma mensagem dizendo que era eu quem estava ali e sua mãe já havia saído para o hospital. A porta foi aberta em seguida e eu entrei, minha amiga estava se jogando novamente em sua cama, com aquele barrigão de oito meses.

Peguei a sua cadeira rotatória rosa da sua escrivaninha e me sentei nela, remando com as pernas até estar ao lado de sua cama.

— O que rolou? — Perguntei para ela que já estava de uniforme, jogada de barrigão para cima.

— Eu preciso contar uma coisa.

— Maethe a última vez que você me disse isso você contou que tava grávida... Tem como ser mais forte do que isso? — Falei, ficando preocupada.

Minha melhor amiga se sentou com as pernas cruzadas tendo um pouco de dificuldade no processo, mas conseguiu e me olhou, seu rosto estava inchado como se tivesse passado um tempão chorando.

Eu levantei com o coração na boca e me sentei ao seu lado, na cama, passando um braço por seus ombros e segurando sua mão.

— Eu tenho falado com o Caio desde o dia que ele foi embora. — Ela disse, após tempos de silêncio.

Evitei abrir a boca em um "o" ou arregalar os olhos, mas foi inevitável olhá-la com uma expressão de surpresa no rosto.

— Ele sabe? — Questionei, ainda exasperada.

— Não! E é esse que é o problema... — Maethe começou a chorar e tentar falar ao mesmo tempo fungando. — A gente tem conversado esse tempo todo e eu não disse que ele vai ser pai, agora ele vai voltar para cá porque quer me ver e eu não tenho o que fazer...

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