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🍩 Capítulo dezesseis:

Era quarta-feira, horário de almoço na escola. Estava sentada em uma mesa qualquer do refeitório mastigando alguns pedaços de maçã enquanto a lembrança do que aconteceu após o luau rondeava a minha mente, assim como todos os dias após aquele estavam sendo.

Eu lembrava do cheiro dele, do calor de seu corpo, sua tatuagem de lobo, o toque suave em meus cabelos... Seus lábios, por que eu tinha o beijado? Droga de bebida.

Antônio deveria estar chateado comigo pois não havia sequer mandado uma única mensagem como estava fazendo anteriormente, talvez agora sim ele me odiasse. E com razão, eu só dou bola fora.

— Ou — Tomei um susto e pisquei repetidas vezes quando vi longos dedos estalando em frente aos meus olhos.

Todos os meus amigos me olhavam com uma cara de paisagem.

— O que foi? — Perguntei os olhando também, voltando ao mundo real.

— Você tá viajando na maionese — Thomas diz, mordendo seu hambúrguer de forno. — Aconteceu alguma coisa que eu, por acaso, perdi? — Ele olha para a namorada que apenas dá de ombros.

— Corine tá apaixonada e fez merda. — Thalia diz, com a boca cheia de sucrilhos. Faço careta pra ela que me devolve mostrando sua língua cheia de farelos.

— Tu? Apaixonada? — Thomas ri. — Não tem mais ninguém que presta nessa cidade, o último que tinha era eu.

— Com isso eu concordo — A namorada diz, dando um beijinho em sua bochecha e eu reviro os olhos.

— Quem é? — O garoto de cachinhos parece muito curioso em descobrir quem é a pessoa que está sendo referida nessa conversa.

— Não tem o velhinho Antônio? — Maethe começa. — É o neto dele, o cara é um deus grego, tu não viu ele no luau não?

— Ah, é ele? Até eu tenho que concordar que o cara é incrível...

Acho engraçada a forma como meus amigos conversam sobre coisas referentes a minha vida como se eu não estivesse aqui, se eu me levantasse e saísse dessa mesa, tenho certeza que eles só perceberiam muito tempo depois por estarem tão compenetrados em dar um jeito na minha vida.

— Você precisa fazer um gesto — Thomas conclui, o que me faz voltar a prestar atenção no que estão dizendo.

— É — Maethe concorda, animada. — Um gesto tipo aqueles de clichê americano, sabe? Descer da caçamba de um carro enquanto canta uma música romântica e faz uma performance andando na direção dele...

— Não é mais fácil eu só pedir desculpas? — Os olhos dos três vieram em minha direção e eles ficaram quietos como se eu tivesse roubado toda a esperança deles. — E além disso... Eu não fiz nada demais — Resmungo e dou a última mordida na minha maçã.

— Nada demais? Não foi você que, tipo, assediou o cara? — Thalia fala com deboche.

— Ei! Não foi desse jei... — Ela me corta.

— De zero a dez, o quanto você ia odiar que um bêbado te beijasse do nada no meio de uma resenha? — Ela pontua. — E depois tivesse que levar o mesmo incoveniente pra casa, segurar seu cabelo enquanto vomita, dar banho e depois dormir com o bêbado porque ele não quer dormir sozinho? — Minha amiga levanta as sobrancelhas bem feitas na minha direção e eu fico quieta porque sei que ela me pegou.

— Touché! — Thomas dá um tapinha na mão levantada da namorada e eu reviro os meus olhos.

É, eles me pegaram, mas talvez o grande gesto não precise ser tão grande assim... Certo?

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⏰ Última atualização: Mar 06, 2025 ⏰

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