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🌻 Capítulo quatorze:

Eu não tinha tanta grana e o que eu tinha eu costumava guardar para ajudar nas economias que mamãe juntava para me auxiliar na faculdade e para ir embora daqui. Mas por hoje eu tinha me permitido gastar certa quantia de dinheiro com uma idiotice como dois engradados de cerveja no qual eu já estava na oitava garrafinha e ainda era uma hora da manhã.

Existiam regras para nós podermos estar ali, como haviam tantos menores de idade ninguém podia usar drogas no local, o que era uma regra ótima, mas fazia com que o pessoal que gostava de uma verdinha já ir chapado para a praia, outra das regras era o volume do som, que a partir de certo horário devia ser controlado. Nada longe de algo que pudéssemos desrespeitar ou que estragasse nossa festa.

Eu não sabia se era fraca pra bebida ou se era falta de costume mesmo, mas desde a terceira garrafinha eu já estava mais solta e animada, agora, eu via rostos embaçados e tudo parecia acontecer tão rápido quanto tão devagar ao mesmo tempo.

Bruno estava com as mãos na minha cintura me guiando de um lado para o outro na areia ao som de algum pagode que eu não conseguia identificar no momento, era tudo muito engraçado, minhas mãos em seus ombros eram engraçadas, o balançar que ele me conduzia era hilário, minha cabeça parecia girar e eu ficava tombando ela para trás o tempo inteiro, rindo no processo.

— Acho que tô muito louca. — Falei embolado, encostando minha cabeça no peito magro de Ferrolho e rindo em seguida.

— Quer uma água? — Bruno era outro que não estava nem perto de estar lúcido, mas acho que ele já estava tão acostumado em estar louco que pra ele tudo funcionava normalmente.

— Eu quero sentaaaar — Falei, manhosa.

Pelo jeito eu virava uma criancinha de cinco anos quando bebia.

Meu amigo pegou em minha mão e me guiou, me deixei ser levada para qualquer canto que fosse, porque eu não conseguia distinguir absolutamente nada que passava por mim, só senti que meu centro gravitacional foi colocado no lugar quando alguém empurrou meus ombros para baixo, me fazendo sentar em alguma superfície dura e sem areia.

— Você tá sóbrio, então cuida. — Escutei Ferrolho dizer, parecia que estava bem distante então dei um tchauzinho para o nada na intenção de ser para ele.

Virei para o lado encontrando um belo par de olhos esverdeados que eu conhecia muito bem sobre mim, encostei minha cabeça no ombro do dono dos olhos mais lindos que eu já tinha visto sem pensar muito nas minhas ações.

Nem tinha como pensar pois o álcool que corria pelas minhas veias controlava todas as minhas atitudes.

— Você me odeia. — Pontuei, lembrando de seu olhar magoado no dia anterior.

— Eu nunca odiaria você, mesmo que seja tão irritante. — O garoto diz, ele não tinha olhado para mim uma vez sequer, só ficava observando o horizonte com uma garrafinha de água nas mãos.

— Você não está bebendo. — Disse o óbvio, amassando minha bochecha em seu ombro coberto por uma camisa preta para poder olhá-lo sem cortar o contato físico.

— Eu não bebo mais — Falou, simples.

Antônio finalmente desviou sua atenção do mar e me olhou, seu rosto ficou pertinho do meu e eu vi que ele mastigava um chiclete de canela como sempre.

— Você disse naquele dia que queria me beijar — Meus olhos pesavam cada uma das vezes que eu piscava e parecia haver algo prendendo minha língua o que me fazia falar arrastado. — Por que não beija agora?

A expressão do homem bonito que eu estava escorada não mudou, ele continuou me olhando como se pudesse ler a minha alma atrás de toda essa bebida, usada para esconder sentimentos conflituosos.

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