VINTE E QUATRO

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(CONTÉM GATILHO AO SUICÍDIO

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(CONTÉM GATILHO AO SUICÍDIO. NÃO RECOMENDADO PARA PESSOAS FRÁGEIS AO ASSUNTO)

A capacidade de não perceber a dor do outro é abominável.

— Daarte.

Sessão 98
15:45 da tarde:


Quase dois meses sem vir nas consultas por que eu me sentia bem, aqui estou eu sentada de frente para a Doutora Hendrix. Me sinto bem. Sinto que tudo está em paz e que não preciso de terapia. Mas hoje acordei com uma sensação estranha, aquela sensação que falta algo em sua vida. Levantei da cama e fiz tudo que faço nos últimos dias e, conclui que senti falta de Karen Hendrix.

Senti falta de seus conselho, conversas e até mesmo, suas broncas. Foram anos de terapia e não somos apenas médica e paciente, ao longos dos anos desenvolvemos uma amizade e um carinho. Karen não fala apenas como profissional, fala também como uma amiga e confesso que gosto disso.

Às vezes a mulher me dá alguns sermões, alguns conselhos e até mesmo, tenta me animar quando estou para baixo. Repassando tudo que aconteceu nas últimas semanas, tenho muito o que contar para ela. Muitas coisas não ditas, superações, novidades e descobertas. Sinto ansiedade, conversar com essa mulher me deixa feliz e leve.

Faço uma nota mental de nunca mais deixar de vir para as consultas. Preciso disso. Minha saúde mental também. Há coisas que não posso contar para minhas amigas, não é porque não confio nelas; mas sim porque preciso de uma resposta profissional. Um conselho que vai além das habilidades de minhas amigas.

Decidi também que não farei parte dos roubos e furtos de Dylan e Dimmy. Estou prestes à me formar, minha irmã está aqui, tenho dinheiro o suficiente para dar um futuro para Lili; não preciso mais fazer o que fazia. O dinheiro que ganho no escritório é suficiente para despesas e me manter. Se eu continuasse naquele negocio, uma hora ou outra iríamos nos ferrar, e, iria ferrar também minha carreira recém formada. Lutei tanto para chegar onde estou que não vale a pena perder tudo por burrice.

— Olha quem apareceu — Karen comenta sorrindo.

O sorriso dessa mulher é perfeito. Karen é a negra mais linda que já vi. A mulher é alta, cabelos negros e cacheados, corpo curvilíneo e malhado, sorriso reto e uma personalidade admirável. Karen sofreu muito na vida e batalhou para estar onde chegou. Sofreu preconceitos, não só por sua cor como também sobre sua sexualidade. Karen Hendrix é lésbica e mãe solteira, seu filho tem dezessete anos. O pai dela a expulsou de casa quando descobriu sobre sua sexualidade. Ela batalhou muito para se formar e ter tudo que tem, mas o desejo de ser mãe falou mais alto. Então, ela fez inseminação artificial que resultou em seu filho.

Pessoas como Karen fazem gosto de manter por perto. A história de superação da mulher é incrível. Existem varios motivos gostar de Karen, mas um em especial me fascina: a mulher nunca julga ninguém. Por ter sido julgada por pessoas que nem a conheciam, a mulher aprendeu o dom de não julgar. A única pessoa que conheço que não julga ninguém.

DOSES DE PERIGO [concluído]Onde histórias criam vida. Descubra agora