10. Falling

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"And it kills me 'cause I know we've run out of things we can say"

Acordo e não encontro ninguém do meu lado. Vou até o banheiro da suíte para fazer o que preciso. Saio do quarto só de calcinha e com a famosa blusa no corpo a procura do moreno.

Passo pela cozinha e encho uma caneca com o café que encontro pronto. Vejo o caderno de Calum aberto em cima do balcão, não resisto e dou uma olhada. Poxa, uma espiadinha não faz mal, né? Ele deixou aberto sabendo que alguém poderia ver.

Wildflower
I hear you calling out my name
I love the sound, I love the taste
and I can see it in your face
you gotta side you can't explain
you telling me you wanna come over
that you wanna be closer
I love when you wear your hair down
over your shoulder
'cause i wanna hold ya
'cause i kmow were tonight is going

Dou uma gargalhada abafada desacreditada do que tinha acabado de ler, puxo a caneta que está presa nas aspirais do caderno e deixo um recado no final da folha.

Sigo até o jardim da casa, onde enfim encontro Cal que logo percebe minha presença.

– Bom dia! – solta a fumaça presa em sua boca enchendo o ar com cheiro de tabaco e essência de canela, abre os braços me convindando para um abraço.

– Bom dia, the sensation! - brinco mostrando a camisa que vestia antes de abraçá-lo – Você tá fumando de novo, Calum? – me ancaixo em seus braços.

Ele pensa um pouco em silêncio, aquilo já estava começando a me preocupar. Apaga o cigarro e me encara.

– Precisamos conversar – deixa um beijo em minha testa.

– O que aconteceu? – apoio meu queixo em seu peito para que possa olhar seu rosto com mais clareza.

– A gente precisa conversar sobre a gente, Tália. – me afasto pois aquele assunto não me deixa confortável – A papelada que falei ontem é para uma tour que estamos planejando pelo novo álbum, vou passar muito tempo na estrada – ela faz uma pausa e quebra o contato visual – Vou passar muito tempo longe. – completa
– Não quero sair em turnê sem ter certeza do que temos. O que nos temos?

– Não sei. – respondo como respondo todas as perguntas da minha vida, essa é a única resposta que conheço. – O que nos temos, Calum?

– Eu gosto de você, baixinha. Gosto de verdade. – ele sorri

– Não sei. – repito como um disco arranhado e vejo o sorriso de Calum desmanchar, engulo seco. – Eu acho que eu gosto de você mas eu não sei dizer, não sei lidar com sentimentos, não estou acostumada com eles.

– Não consigo entender como você consegue reproduzir tantos "nãos". –
ele diz curto e grosso e sinto vontade de desmoronar ali mesmo mas seguro o choro. – Não quero que você ache que gosta de mim, é sim ou não.

– Eu só não quero te magoar.

– Você responde "não sei" e acha que é assim que não vai me magoar?

– Você tá sendo ridículo. A gente conversou milhares de vezes sobre isso e você sabe de tudo. Não faz isso comigo.

– Eu sei, Tália, mas você não pode sair usando e machucando as pessoas desse jeito.

– Machucando? Usando? – aumento o tom de voz incrédula com o que tinha acabado de escutar.

– Sim, usado e machucado é como eu me sinto agora.

– Abre a porta pra mim, por favor. Não to conseguindo olhar na sua cara agora.
– falo enquanto coloco meu short e recolho minhas coisas.

A verdade é que ele talvez tenha razão e eu não quero sustentar essa discussão.

– Normal, está fugindo mais uma vez, como sempre faz. – ele diz sarcástico parecendo ler meus pensamentos.

– Você é inacreditável. Não se preocupe por que não vou te incomodar mais e espero que você se foda. – saio e escuto a porta bater com força quando já estou no corredor.

Não consigo segurar mais e desabo ali mesmo em meio a adrenalina. Já vi esse filme antes e eu não gosto do final. Saio e sigo decidida para o bar, a ideia de voltar para casa nem passa pela minha cabeça.

Passo o dia ali sozinha bebendo esperando que chegasse a hora em que as pessoas iam aparecer, estava pronta para voltar a vida que tinha antes e desistir de vez dessa ideia de gostar de alguém, era impossível.

O local começa a encher e me sinto exausta e sufocada. Reencontrei alguns conhecidos e ouvi pelo menos uns dez ''Meu deus, quanto tempo", "Você sumiu'' ou "Olha só quem voltou!" era muito mais fácil relembrar o por que tinha sumido com aqueles comentários. Calum era o motivo.

Nada me animava, me sentia uma verdadeira estranha no meio daquela gente. Paguei por uma garrafa inteira de wisky e fui pra casa. Chorei, chorei e chorei. As palavras reviviam na minha cabeça e para cada vez que escutava a voz dele dizendo ''normal, tá fugindo mais uma vez'' era um shot na esperança de esquecer tudo.

Did You Get The Sensation Today?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora