11. To Be So Lonely

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Calum's POV

Relaxo meu corpo na porta que havia acabado de bater, sinto minha cabeça pesar. Caminho pela casa inquieto tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Ando de um lado para o outro, a procura de algo para me acalmar. Tália podia me irritar de todas as formas possíveis mas ela estava certa quanto a frequência com que tenho fumado.

Vou até a cozinha, abro a geladeira e encho um copo d'água que bebo em um só gole, não resolvendo meu problema.

Passo pelo balcão e encontro meu caderno aberto, dou de cara com o que havia escrito essa manhã e me surpreendo ao olhar o fim da folha.

"A pessoa que te fez escrever essa letra deve ser muito sortuda mesmo.
Hoping you got the sensation last night. Your wildflower.''

– Merda! – jogo o caderno para longe.

•

Passo o resto do dia em casa. Tento arranjar coisas para fazer mas nada era capaz de me distrair.

Eram por volta de quatro da tarde, penso em sair da cama para tomar um banho, já que ficar deitado por horas havia me deixado com muita enxaqueca. Crio forças para levantar mas ouço o telefone na cabeceira tocar me forçando a ficar ali por mais um tempo.

Encolho os olhos na tentativa de enxergar quem estava me ligando, só atenderia caso valesse a pena, honestamente, não estava a fim de papo. Vejo que é um número desconhecido e não atendo.

Uso o telefonema como uma desculpa para continuar na cama. Alguns minutos se passam e o telefone toca novamente. Bufo ao vê que era o mesmo número desconhecido. Penso em colocar em modo avião mas não queria preocupar ninguém.

Ele toca mais uma vez. Acho estranho e resolvo atender mesmo que irritado com a insistência.

– Você pode por favor parar de ligar. Não quero conversar. – falo sem paciência.

– Por que você tá fazendo isso comigo?
– ouço a voz do outro lado dizer atropelando as sílabas em tom de choramingo.

Reconheço aquela voz, era Tália. Demoro para raciocinar e a primeira coisa que penso é de onde ela estava me ligando se era um número desconhecido. Tiro o celular do ouvido para conferir os números mais uma vez mas quando olho vejo o número salvo, ela tinha me ligado do telefone dela.

Olho desacreditado, esse tipo de coisa só acontece comigo. Recebo três ligações seguidas, duas de um número desconhecido e na que eu decido atender é ela. Desperto do meu pensamento e volto a ligação.

– Tália? – pergunto mais para uma auto confirmação do que por dúvida.

– Sim – um silêncio estranho toma conta – Você já esqueceu de mim? A gente tinha alguma coisa, não acha?

Sinto meu estômago embrulhado. Abro a boca algumas vezes esperando que alguma frase saísse dela mas era inútil, decido ignorar sua pergunta.

– Por que você tá me ligando?

– Você vai me odiar pra sempre? Por favor não me de odeie pra sempre. Desculpa. Você me desculpa? – ela parece bebada.

– Se você me quisesse deveria ter demonstrado.

– Eu queria ter sido uma coisa boa pra você mas eu só sou essa pessoa fria e vazia. Por favor, me desculpa. – ela começa a chorar, falava devagar e atropelada, agora sei que está bebada de verdade. – Você nem me escutou, eu te dei tantos sinais.

– Eu não sou capaz de lê sua mente, Tália.
– ela não fala mais nada, me arrependo de ter atendido aquela ligação, se tivesse ido tomar banho nada disso estaria acontecendo.

– Eu to com saudade. – ela diz depois de um tempo – Eu to com saudade, Calum.
– fala duas vezes o que fazia aquilo muito mais difícil de escutar. – To com saudade dos seus lábios perfeitos, desenhados pelos deuses. Do jeito que você me trata. Você me deu poção mágica? Você me dá muito tesão, como nunca senti com ninguém antes, sabia? – ela ri sapeca do outro lado. Repito em minha cabeça varias vezes para não escuta-la. Aquilo tudo era apenas efeito to álcool.

– Mas aí você me disse coisas horríveis, por que você me disse coisas horríveis?
– a voz de Tália muda instantaneamente para um tom de dor e isso quebra meu coração.

Ela ameaça continuar, não sou capaz de escutar mais nenhuma palavra. Me sinto culpado pelas coisas que falei mas por algum motivo não conseguia assumir o quão filha da puta e arrogante havia sido. Não estava preparado para desculpas, ainda precisava digerir, eu também estava machucado.

Além de não querer conversar pelo telefone, ela estava alterada e não lembraria de nada amanhã. Chamo pelo seu nome decidido a acabar com aquela conversa.

– Vou perguntar de novo, por que você me ligou?

– Eu não sei. Não me culpa, eu não tava preparada para isso.

– Eu não vou conversar com você assim.

– Assim como? Bebada? Destruída?
– ela começa a chorar de novo. – Não me culpa, eu só queria...

– Tália, chega! – interrompo. – Não quero conversar com você. Chega! Você vai se arrepender disso depois.

Ela desliga o telefone. E a ligação acaba assim. Ninguém diz mais nada.

Eu realmente não queria conversar com ela nessa circunstância mas me sinto culpado por não conseguir deixar meu orgulho de lado e me desculpar. Talvez eu realmente precisasse de um tempo para mim. Não queria perder Tália mas ainda precisava digerir que para te-lá teria que aceitar o amor que ela era capaz de me dar. Não posso forçar ninguém a gostar de mim mas entender que você e outra pessoa se amam mas não dá mesma forma é difícil.

Deixo a bateria do meu telefone acabar e não boto para carregar. Enfim levanto para tomar o banho que precisava e tiro um tempo para pensar sozinho.

Did You Get The Sensation Today?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora