Calum's POV
Meu corpo no estúdio mas a cabeça em outro lugar, é assim que tem sido desde que parei de falar com Tália.
– Então é isso? – Ashton pergunta a respeito dos ajuste finais para o show e todos respondem em positivo. Sei que escuto mas não sou capaz de raciocionar. – Ei Calum, diz alguma coisa.
– Oi.. ah.. sim.. isso... tá bom.
– Ele não sabe nem com o que tá concordando – Michael conclui e ri.
– Cara, não sei o que tá acontecendo com você mas acho melhor se recompor até a turnê. Vai ser impossível tocar com você assim.
Faltavam quatro dias para começar os shows. Sei que Luke está certo, preciso resolver isso. Ajeito minhas coisas e deixo o estúdio.
Procuro a única pessoa capaz de me ajudar naquele momento: Mali. Ligo para minha irmã para saber se ela consegue me encontrar, confesso que faço um drama dizendo que é urgente e ela concorda.
Dirigir até em casa, nos últimos dias, parecia mais doloroso do que o normal. Do estúdio pra casa passo por todos os pontos possíveis que me fazem lembrar dela.
A cafeteria de sempre é a primeira, lembro do dia em que tudo começou, quando enfim acabamos "sounds live feels live" e voltamos para casa, só aí fui capaz de me reaproximar de Tália. E quanto tempo já não se passou? Já estamos prestes a voltar para a estrada e um novo álbum quase sendo lançado. Foram dois anos que mais pareciam uma semana. Pensar nisso me frustra por que sei que não aproveitei todos os minutos possíveis com ela.
Na próxima esquina, a escola em que estudávamos. Parece que o universo está me torturando, chegar em casa nunca demorou tanto. A memória mais vívida que tenho, com certeza, foi no último dia que eu e os meninos estivemos nela. Íamos enfim começar a banda. Tália foi a primeira a nos apoiar, nunca esqueço seu rosto segurando as lágrimas no dia em que fomos embora, não é de hoje que ela esconde sua vulnerabilidade.
Estou chegando mais perto e quando acho que vou me livrar de mais lembranças, passo pela praia. A praia. Sinto meu coração apertar. Éramos só crianças quando senti vontade de beija-lá pela primeira vez, nas pedras, antes de Tia Liz chegar para examinar o machucado de Tália. Me pergunto se, na verdade, aquele sentimento, não esteve ali esse tempo todo e nossas vidas eram as únicas que nos impediam de explorarmos o que tínhamos. Jogo os pensamentos para longe, essa é minha vida e amo o que faço, não existe um "e se fosse diferente". Não dá para existir um "e se fosse diferente".
Enfim chego em casa. Já posso tirar meus sapatos e deitar na cama, me sinto exausto. Não tenho nem tempo de me deitar quando escuto baterem na porta, estava esperando minha irmã então já sabia quem era.
Atendo e Mali me recebe com um sorriso – Trouxe comida! – ela levanta o pacote que estava em suas mãos.
– Oi – não consigo evitar o sorriso em meu rosto. Abro espaço para que ela possa entrar, fecho a porta logo atrás de mim e vejo ela me puxar para um abraço. Agradeço mentalmente por tê-la ali comigo, na maioria dos dias sentia tanta sua falta.
– O que é tão urgente? – ela fala enquanto se desgruda dos meus braços.
– Eu preciso que você me ajude... quer dizer... preciso de conselho. – ela faz cara de dúvida – É a Tália. – concluo.
– Hm. Ok. Pode falar, sou todo ouvidos.
– ela se ajeita no sofá onde também estava sentado.
– A gente tava meio que juntos, eu acho. Não sei, é complicado. – coço a cabeça
– A questão é que eu realmente gosto dela mas quando fui contar e perguntar se era recíproco ela simplesmente disse "não sei". Confesso que perdi a cabeça quando escutei aquilo, na verdade, fui extremamente grosso mas é meio frustrante, não acha?
– Então você tá chateado por que ela não gosta de você de volta? Olha, não tem muito o que fazer. Essas coisas acontecem, Calum. Paciência. – ela fala e me sinto como se tivesse treze anos e estive sofrendo pelo meu primeiro fora.
– É mais complicado do que parece. Antes de nos beijarmos pela primeira vez e tudo mudar – sinto um nó na garganta – nós sempre conversávamos sobre como ela tinha dificuldades de criar sentimentos por alguém, mas quando estávamos juntos era como se nada disso importasse. Todas as vezes que tentávamos conversar sobre nós, esclarecer as coisas, ela mudava de assunto. Me sinto extremamente mal pelas coisas que falei de sangue quente mas não consigo desculpa-lá por mais que eu queira, eu me senti usado, você entende?
– Calum, os sinais. presta atenção nos sinais. – fico confuso, ela percebe mas parece não ligar e continua – Ela sempre conversou com você sobre a dificuldade que ela sente em lidar com sentimentos, certo? – concordo com a cabeça – Então, você deveria saber que conversar sobre vocês dois seria mais complicado, você tinha que ter paciência. Mas não é esse o ponto, a sua merda já tá feita, a questão é que as pessoas demonstram amor e carinho de formas diferentes, Calum. Você não disse que parecia que vocês realmente namoravam quando estavam juntos, então? Talvez tenha faltado as palavras para Tália mas algumas atitudes podem dizer muito mais.
Pode parecer dramático mas vejo tudo fazer mais sentido, lembro de quando Tália me ligou bebada naquele mesmo dia "Você nem me escutou, eu te dei tantos sinais", eu realmente não havia a escutado.
Mali sempre sabia como ajudar. Mas ainda não sabia o que devia fazer, estou prestes a entrar em turnê de novo e as coisas iam ser muito mais complicadas do que já eram.
– O que eu faço?
– Eu não posso te responder isso. Se decida primeiro e depois vá conversar com ela, escuta o que ela tem pra falar, já que você foi o único que falou da última vez. – ela ri em deboche mas sou incapaz de ficar bravo.
– Eu nem sei como te agradecer. Muito obrigada, maninha. Você é incrível.
– puxo ela para um abraço.
– Eu sei que sou – ela ri enquanto me envolve nos braços – Será que a gente pode comer agora? To morrendo de fome e a comida vai esfriar.
– Vamos, esfomeada. – rio e me levanto indo em direção à mesa onde estava a comida vendo Mali vir atrás de mim.
Comemos e passamos o resto do dia juntos. Tivemos nosso momento irmãos que não tínhamos a muito tempo e que fazia muita falta. Pela primeira vez desde as últimas semanas me sentia bem. Já tinha certeza do que precisava fazer.
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Did You Get The Sensation Today?
FanfictionNão consigo me manter em um relacionamento por mais de um mês. Passei vinte anos da minha vida sem me preocupar com isso, sou a única do meu grupo de amigos que nunca teve um namorado de escola e eu realmente não ligava. Ficava com pessoas quando da...
