As coisas entre eu e Calum estavam normais apesar de termos nos afastado. Trocávamos menos mensagens e quase não nos viamos, não vou mentir, tenho sentido muita falta da sua presença.
Estou disposta a reconstruir nossa amizade e por isso sugeri que fizessemos algo. Estou indo me encontrar com Cal na entrada da trilha que havíamos marcado de fazer.
Eram cinco da tarde quando chegamos, enrolamos tanto que atrasamos mais de duas horas do programado. Fomos conversando pelo caminho de terra e pedras. Não paravamos de falar por um segundo, como sempre, era fácil fluir uma conversa entre nós.
– Lembra de quando vocês foram parar na direção por que você tinha abaixado a calça do Mike no meio do corredor? –relembro mais uma história e ele ri
– Lembro! E o pior, esses dias Mike me contou que ele foi chamado de "hairy butt" durante todo o ensino médio, eu ri mas me senti horrível.
– Meu deus! – gargalhei.
– Você lembra daquela vez nas pedras da praia? – ele pergunta e eu fico totalmente paralisada sem saber o que dizer ou como reagir.
Flash back on
Quatro crianças de dezesseis anos fazendo merda. Estávamos na praia e surgi a ideia de subir na costeira para pular no mar da pedra maior. Perigoso? Óbvio. Mas por que não, né?
Subimos as pedras na primeira vez com o maior cuidado do mundo e chegamos no topo.
– Ta bom, quem vai primeiro? – Michael pergunta.
– Eu não. – Luke é o primeiro a falar com pressa. Nós o encaramos e começamos a rir do seu desespero.
– Eu vou. – diz Calum convicto.
– Vamos juntos? – pergunto.
Olhamos para baixo e depois nos entreolhamos. E então ele segura minha mão, olha pra mim e espera o sinal de que estou preparada. Os meninos atrás de nós, Luke roía as unhas do dedo, estava tão nervoso que era capaz de arrancar toda a pele do indicador, já Michael olhava apreensivo mas empolgado, estava ansioso para pular mas primeiro precisava que alguém fosse na frente só para garantir que não morreria.
Sorrio e balanço a cabeça para Calum em um sinal afirmativo. Corremos de mãos dadas e pulamos até que os nossos gritos fossem abafados com o corpo submergindo na água fria do mar. Voltamos a superfície felizes incentivando Luke e Michael a pularem e eles o fazem. Em minutos, estamos todos felizes e eufóricos no mar.
A obsessão pela adrenalina fez com que repetissemos a dose e lá estávamos nos subindo as pedras mais uma vez. Sigo atrás de Mike e a frente de Calum no caminho até o topo.
O fato importante que esqueço é que ao contrário da primeira vez agora estávamos molhados. Piso em falso num pedaço de pedra com musgo e escorrego, cairia direto com rosto se não tivesse usado a mão para proteger em um ato de reflexo, e, graças a ele, havia feito apenas um arranhão na bochecha além da mão machucada.
– Tália!!! – os meninos gritam juntos assustados correndo até mim.
– Ta tudo bem? – Luke pergunta e não respondo nada.
– Vai buscar sua mãe, idiota! – Calum grita para Luke que sai correndo com o Mike para buscar ajuda.
Sobra só nos dois ali. Calum me olha e passa o dedo no sangue que está levemente escorrendo do machucado na bochecha. Não sei o que aconteceu ali mas ele ajoelhado na minha frente com a pele bronzeada do sol e com os cachos molhados estava mais bonito do que nunca. Devo ter batido a cabeça ou estava muito desnorteada mas naquele momento senti vontade de beija-lo.
Ele apoiava a mão no meu rosto e faço questão de me aproximar. Consigo sentir sua respiração e nossas bocas estavam a um dedo de se encostarem.
– O que aconteceu aqui? Tália, meu deus, minha filha! Está doendo meu amor? – Tia Liz chega e se põe na frente de Calum para me examinar.
Flash back off
– Quando você ficou com aquela cicatriz na sua bochecha por semanas? – Calum completa a pergunta e me força voltar à realidade.
– Ah sim, o machucado! – mas é claro que ele estava falando do machucado.
– Lembro sim. E ainda tive que ficar com a mão enfaixada.
Aquela conversa termina e já estamos no fim da trilha, como começamos tarde já estava anoitecendo. O céu se desenhava em um azul escuro mas não tao escuro assim, ainda dava para enxergar nossos rostos. Estávamos sozinhos. Nós deitamos sobre a pedra para observar as estrelas que começavam a aparecer junto da lua.
Desejava mais do que nunca que não ficássemos em silêncio naquele momento, a memória do dia das pedras não saia mais da minha cabeça e as sensações e dúvidas que isso me trazia me assustavam, e como se o universo fosse capaz ler meus pensamentos uma estrela cadente brilha no céu.
Olho para o lado, o moreno com os braços apoiando a cabeça, os olhos no céu e um sorriso enorme no rosto. Me aproximo e deito em seu peito, sinto seu abraço quente me envolver. Senti borboletas no estômago e acho que meu coração era capaz de sair pela boca.
Foco na lua na tentativa de jogar para longe todas aquelas sensações.
Percebo o olhar de Calum em mim e por uma fração de segundos temo olhar de volta mas o faço e agradeço por ter feito por que no momento em que meus olhos encontram os dele todo o turbilhão que acontecia dentro de mim se acalma e dá espaço para a maior paz e leveza do mundo.
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Did You Get The Sensation Today?
FanfictionNão consigo me manter em um relacionamento por mais de um mês. Passei vinte anos da minha vida sem me preocupar com isso, sou a única do meu grupo de amigos que nunca teve um namorado de escola e eu realmente não ligava. Ficava com pessoas quando da...
