Capítulo 9

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   Eram 19h em ponto quando me vi pronta na frente do espelho

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Eram 19h em ponto quando me vi pronta na frente do espelho. Sara e Michael já tinham ido para suas respectivas casas - depois que eu o fiz prometer dezenas de vezes que ele estava bem de verdade - e eu esperava ansiosa a chegada de Kyle. Sara tinha me ajudado a escolher roupa, mesmo parecendo meio desanimada, e eu tinha que reconhecer o belo trabalho. Calças 'boca de sino' azuis e uma blusa que imitava camurça, de mangas compridas e que era amarrada com um nó na frente da minha barriga. E, claro, não poderiam faltar meu tamanco e minha bandana nos cabelos, marca clássica da Summer.

Desci as escadas como um jato assim que ouvi a campainha tocar, mas é claro que minha mãe foi mais rápida e chegou a porta primeiro. Argh, por que ele tinha que ser tão educado a ponto de tocar minha campainha ao invés de só buzinar?

— Boa noite, senhora Hemingway. — ouvi sua voz, rouca e totalmente despreocupada, e qualquer irritação se foi. — Jenny.

Minha irmã estava esgueirada no sofá, contorcendo seus músculos para conseguir observar o meu nam... digo, Kyle do lado de fora. "O que acabou de acontecer?" "Você quase chamou ele de namorado, bobinha". As vozes dentro de mim começaram a discutir e eu tive que me esforçar para sair daquele transe.

Arrastei os pés, com os tamancos que pareciam ter o dobro do peso agora, enquanto passava a mão pelas madeixas, tentando encontrar e desfazer qualquer imperfeição. Como se eu já não tivesse ficado quase duas horas na frente do espelho fazendo o mesmo processo de agora.

— Boa noite, senhor Kyle. — minha mãe responde e eu me pergunto como ela já sabia o nome dele. Então lembrei de todas as horas que passei no telefone com ele e a resposta veio tão rápido quanto a pergunta. — Finalmente conhecemos o motivo da minha filha estar tão soltinha esses dias...

"Soltinha"? Pelos céus e pela minha dignidade, tenho que parar isso agora.

Enquanto Kyle está rindo e confirmando com a cabeça eu tento me meter no meio dos dois, mas mamãe me dá um empurrão e quase vou parar do meu outro lado da sala. Xingo baixinho já prevendo de que mais formas ela iria tentar me envergonhar agora.

— Entra, Kyle. Quer tomar um café? Fiz uma torta de limão hoje mesmo, está deliciosa.

Minha mãe o puxou pelo antebraço e fechou a porta atrás de nós, me condenando para sempre naquele simples ato. Eu estava tão nervosa que não conseguia ficar quieta e Jenny ria atrás de mim apreciando toda aquela cena. E, para piorar, depois que minha mãe ofereceu comida, comecei a fazer movimentos frenéticos por suas costas, indicando para que ele não aceitasse, com as mãos, a cabeça e todo meu corpo. Mas o safado sorriu e se inclinou para a frente, ficando mais perto da altura da minha mãe.

— Eu iria adorar um pedacinho de torta, senhora Hemingway.

Vou matar esse palerma.

Resmunguei em seis línguas diferentes, quatro delas inventadas, enquanto eu seguia os dois para a cozinha. Jenny surgiu de não sei aonde e deu tapinhas em minhas cotas, se esgueirando para ficar mais próxima do meu ouvido.

90 Dias Com EleOnde histórias criam vida. Descubra agora