#1 LUGAR NO CONCURSO MISTÉRIOS DA ÍNDIA NA CATEGORIA ROMANCE
#3 LUGAR NO CONCURSO BEVELSTOKE NA CATEGORIA ROMANCE ADOLESCENTE
"(...) e acima de tudo, eu queria te agradecer por me apresentar o amor. Esses meses com você foram os melhores da minha v...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Em alguns momentos eu nem sabia mais por que estava chorando, apenas deixava que as lágrimas escorressem, como se tentasse esvaziar meu reservatório para que não chorasse quando o visse ir embora.
Kyle vai embora... às vezes ainda parecia uma ideia distante. Mas não. Ele vai voltar para casa, para a mãe que nunca conheci, para a faculdade que o aguarda, para os amigos que ouvi tão pouco sobre. Vai voltar para toda uma vida que já existia antes de me conhecer, e que ele quase deixou para trás. Por mim.
Chorei. Por pensar que se eu fosse um pouco mais egoísta talvez pudesse tê-lo feito ficar, ele disse que ficaria. Mas eu não me perdoaria, minha cabeça nunca se deitaria leve no travesseiro novamente. Mesmo que ele aceitasse, ainda teria que esperar quase um ano para tentar se inscrever nas faculdades daqui se nada desse certo. E até lá, como seria? Ele me veria estudar e trabalhar naquilo que amo, teria que arrumar um trabalho que talvez não gostasse, provavelmente se afundaria no sentimento de que sua vida estava parada enquanto a de todo mundo passava por seus olhos.
Não. Eu o amava demais para isso. E ele me amava ao ponto de arriscar até sua própria felicidade.
Chorei ao lembrar de todos os nossos encontros, por desejar que não tivessem sido tão poucos. Mas para os últimos meses, quando o tempo era um mero detalhe, tudo pareceu tão certo. Até mesmo toda a confusão naquele almoço, até mesmo isso pareceu certo. Depois, claro. Quando percebi que só tinha doído tanto porque eu gostava mais dele do que achava, do que parecia ser possível para apenas algumas semanas juntos.
Mas, depois do que pareceu uma parcela da eternidade, meu peito não apertava mais. Encarei os desenhos no meu teto, as estrelas pintadas sobre a tinta escura para que se parecessem o máximo com o céu lá fora. Sorri com os olhos marejados, a visão embaçada de alguma forma deixava mais real, lembrando do nosso primeiro beijo e da noite passada. Acho que seria para sempre minha lembrança preferida, de quando o mundo parou por alguns segundos para que nossas bocas finalmente se encontrassem.
Lembrei do céu no dia em que fomos ao cinema a céu aberto, onde nos beijamos até que o filme começasse, nossos corpos pareciam ansiar um pelo outro. Não estava tão estrelado, as luzes da tela gigante ofuscavam um pouco o brilho delas, mas o dos olhos dele nunca diminuiu.
Até que senti o nó voltar ao pensar que não veria mais aqueles olhos castanhos que me prenderam desde que os vi pela primeira vez. Não sorriria ao vê-los quase se fecharem quando Kyle sorria, não sentiria as borboletas no meu estômago quando ele me olhava como se pudesse me despir apenas com o pensamento. Talvez pudesse mesmo.
Não dividimos a cama muitas vezes. O sofá de outras pessoas, o banheiro e o banco de trás do carro, sim. Sempre fantasiei minha primeira vez do jeito mais clichê possível: pétalas de rosa pelo quarto, velas deixando-o a meia luz, talvez alguma música romântica no fundo. Se me dissessem que seria no sofá de uma cabana de ferramentas, com as roupas encharcadas, a chuva caindo agressiva do lado de fora, eu riria.