#1 LUGAR NO CONCURSO MISTÉRIOS DA ÍNDIA NA CATEGORIA ROMANCE
#3 LUGAR NO CONCURSO BEVELSTOKE NA CATEGORIA ROMANCE ADOLESCENTE
"(...) e acima de tudo, eu queria te agradecer por me apresentar o amor. Esses meses com você foram os melhores da minha v...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Lembro que quando eu e Jenny éramos mais novas, papai costumava nos colocar em seu colo quando passeávamos de carro e nós fingíamos estar dirigindo. A gente sabia que era mentira, que ainda era ele que apertava os pedais - até porque nossos pés nem os alcançavam - e guiava o volante sob nossas mãos pequenas, mas a sensação era muito boa. A sensação de que podíamos fazer algo tão adulto como dirigir, de sentir a liberdade sobre nossas mãos.
Sempre fui apegada à liberdade, a minha liberdade. Não me importo em ainda não ter dinheiro para comprar um carro só meu, se tenho minha bicicleta e posso ir para qualquer lugar com ela isso já me satisfaz. Não prezo só pela minha liberdade de ir e vir, mas de ser quem eu quiser. Meus pais nunca me prenderam em suas amarras, nunca impuseram que eu devia ser algo mesmo sem querer, nunca me forçaram a esconder minha essência, seja lá qual fosse.
Talvez por isso tudo cresci sabendo que eu posso dizer 'não' quando algo me incomodasse. Sempre evito conflitos, não gosto de levantar a voz quando não é preciso e só discuto quando realmente não tem mais jeito. Mas sempre falei 'não' quando sentisse que deveria, como agora que me recusei a entrar na casa da tia de Kyle, me recusei a ter que falar com seu pai e preferi ficar do lado de fora, conversando com Marcos enquanto esperava meu namorado terminar de se arrumar. Podia ser grosseria ou falta de educação, minha mãe com certeza me repreenderia por isso, mas eu ainda não estava pronta para reviver tudo aquilo.
— Marcos, eu posso... te fazer uma pergunta? — toda família de Kyle era simpática, seus irmãos principalmente, mas ainda perguntei relutante depois de alguns minutos em silêncio.
— Claro, pode falar.
— Vocês... vão voltar pra casa no final do verão, certo?
Marcos umedeceu os lábios carnudos antes de dar um sorriso contido, quase que malicioso. Parecia que ele já sabia que eu faria essa pergunta hora ou outra, mas ainda fiquei perdida com sua reação.
— Meu pai, eu e Luke vamos. — suas bochechas por baixo dos pelos da barba se repuxaram quando seu sorriso aumentou, e eu tive vontade de chacoalhá-lo para que desembuchasse logo. — Olha, eu não deveria estar te falando isso, até porque posso estar te passando uma informação errada, mas... — seu tom de voz diminuiu, e ele olhou para os dois lados antes de continuar. — escutei Kyle falando com a tia Kris sobre ficar aqui. Eles estavam em outro quarto, então não entendi muita coisa, mas...
A porta se abriu antes que eu pudesse falar alguma coisa, contudo meu coração batia tão forte que talvez nem conseguisse. Marcos desfez a expressão no mesmo segundo, e pôs discretamente o indicador sobre os lábios, indicando segredo. Apenas assenti com a cabeça e tentei fingir naturalidade quando Kyle passou os braços pela minha cintura e beijou minha bochecha.
— Cada dia que passa você fica mais bonita. — seu sussurro no pé do meu ouvido arrepiou todos os poros do meu corpo.
Dessa vez eu nem podia negar, Sara e Cassidy tinham feito um ótimo trabalho escolhendo um vestido regado a brilhos e com um fundo escuro, me fazendo parecer quase uma galáxia ambulante, e botas cor de camurça que iam até meus joelhos. Ao entrarmos no carro, percebi como Kyle também estava bonito. A camisa de botões laranja estava aberta até metade de seu peito e a calça boca de sino, que era quase um uniforme nas discotecas, marcava a parte debaixo de seu corpo. Mordi o lábio inferior imaginando todas as coisas que queria fazer com ele, e pelo visto Marcos percebeu pelo retrovisor.