#1 LUGAR NO CONCURSO MISTÉRIOS DA ÍNDIA NA CATEGORIA ROMANCE
#3 LUGAR NO CONCURSO BEVELSTOKE NA CATEGORIA ROMANCE ADOLESCENTE
"(...) e acima de tudo, eu queria te agradecer por me apresentar o amor. Esses meses com você foram os melhores da minha v...
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Por que mulheres são tão difíceis?
Tudo bem, eu sei que sou uma, e por isso posso falar com propriedade. E de verdade, não sei como papai não surtou convivendo com três mulheres ao mesmo tempo por quase catorze anos. Neste momento estou jogada no chão do meu quarto, com uma almofada cobrindo o rosto e abafando meus gritos de frustração.
Já faz dois dias que tento ligar para Sara e ela se nega a me atender. Ela ainda fez sua mãe me dar desculpas esfarrapadas em todas as vezes, como que ela estava dormindo ou tomando banho. Mas a última foi a pior de todas e o motivo do meu quase surto: Sara tinha ido levar a avó no médico. Ah, pequeno detalhe: a avó dela morreu faz um ano! Eu estava no enterro!
O que mais me frustra é o fato de que sou eu indo atrás, tentando resolver as coisas entre nós, e eu nem sou a errada. E acontece assim todas as vezes, independente se eu tenho alguma parcela de culpa, sempre sou eu que tento resolver as coisas. Sara pede desculpas primeiro, mas se eu não ligar ou aparecer na casa dela às duas da manhã, nada feito. E já brigamos por isso também.
Mas, depois de décima sétima ligação, declarei meus esforços como encerrados. Já eram 10h da manhã e eu ainda nem tinha tomado café, minha barriga roncava e eu já suava com o calor que fazia. Achei que depois daquela chuva as temperaturas diminuiriam um pouco, mas estava completamente errada. Então tomei um banho gelado, coloquei short jeans e uma camiseta e desci para a cozinha.
Papai e Jenny ainda estavam na mesa fazendo uma disputa de quem conseguia ficar mais tempo com um cubo de gelo na mão e mamãe tinha uma cara de decepção no rosto enquanto mexia com alguma coisa no balcão.
— Vocês sabiam que gelo queima, né? — perguntei para os dois depois de dar um beijo na minha mãe.
Jenny tinha pequenas lágrimas no canto dos olhos e o rosto de papai estava vermelho, mas nenhum dos dois abria a mão.
— É uma questão de honra. — minha irmã disse com uma voz esganiçada. — Ele já me ganhou duas vezes.
— Não tenho culpa se você é muito fraquin... — mas ele nem conseguiu terminar a frase. Era como se tivesse levado um choque: ele saltou da cadeira e largou o cubo em cima da mesa. Sua mão estava numa mistura de branco e vermelho e ele assoprava numa tentativa de aliviar a dor. Soltei uma gargalhada quando vi Jenny subir no assento e jogar de todas as formas na cara de papai que ele era um 'fracote' e mais outras dez formas de falar que ganhou.
Me virei para mamãe de novo, ela mistura ovos, leite e farinha em uma bacia e em outra fazia algo que parecia ser massa de cokies. Enfiei o indicador na primeira e saí de perto quando ela me jogou um rolo de papel de toalha na cabeça.
— Isso é pra amanhã, sua porca! Vai infectar todo mundo agora.
— Todo mundo? O que tem amanhã?
A mulher me olhou como se eu tivesse acabado de falar que o mundo estava acabando. Completamente perdida eu me virei para trás e quase cuspi a massa de bolo quando vi a data no calendário: 3 de julho. Amanhã era meu aniversário e eu tinha me esquecido completamente.