CAPÍTULO VINTE E DOIS

965 74 13
                                        

Eu não deveria estar surpresa, mas estava

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Eu não deveria estar surpresa, mas estava.

Kyle tinha uma casa praiana em Los Angeles. Na verdade, casa era um termo bastante humilde para se referir a esta residência. Tinha literalmente um pedaço da praia de Venice Beach apenas para família Acroix.

Céus, cada dia mais eu tinha certeza que estava me envolvendo com narcotraficantes.

— Quem toma conta daqui? — Perguntei enquanto estávamos na varanda. Fechei os olhos por alguns segundos, aproveitando a maresia. Eu achava tão relaxante o barulho das ondas quebrando, o cheiro de mar, o vento refrescante.

— Um casal que meus pais conhecem há muito tempo, mas no momento eles estão visitando a família no Brasil.

Assenti, desejando mais que tudo ser rica futuramente. Não que meus pais deixassem faltar alguma coisa para mim e para Justin, mas certos luxos, como poder desfrutar de uma mansão de frente para praia, não eram possíveis no nosso orçamento. Eu queria com todas as minhas forças poder paparicar Jenna e Oliver, lhes dar presentes caros, viagens pelo mundo e uma vida mais do que confortável. Eles mereciam por serem seres humanos tão incríveis e pais excelentes, e aposto que o meu irmão pensava do mesmo modo, sempre dando o máximo de si no futebol para conseguir uma bolsa esportiva.

— Quer ir até lá? — Perguntou, referindo-se à praia. Balancei a cabeça em afirmação.

No andar debaixo, Kyle pegou duas cadeiras reclináveis na dispensa, me entregando uma. Na sua mão desocupada, um violão se fez presente.

— Não sabia que você tocava.

— Há muitas coisas que você não sabe sobre mim, linda. — Ele disse, sorrindo levemente.

— Não duvido disso.

Colocamos em cima das cadeiras algumas besteiras que tínhamos comprado, rumando até o lado de fora. Deixamos os sapatos na porta e logo meus pés tocaram a areia fofa. Assim que nos aproximamos mais um pouco do mar, sentamos confortavelmente. Me encolhi um pouco pelo frio, puxando as mangas do moletom.

— O que você vai tocar para mim? — Perguntei enquanto abria meu Cheetos.

Ele tamborilou os dedos tatuados na madeira do violão, virando o rosto em minha direção. Me controlei para não soltar um longo suspiro. Droga, Kyle era bonito pra caramba. Seus traços, suas sobrancelhas grossas, seus olhos castanhos, que, no momento, se encontravam escuros, mas dependendo da luz se tornavam verdes, seus lábios finos... Deveria ser crime ter uma face tão harmoniosa dessa forma.

— O que você que eu toque?

Afastei rapidamente os pensamentos maliciosos que vieram à minha mente com essa frase. 

— Estou sem ideias no momento.

Kyle arrumou o instrumento no colo, tocando algumas notas aleatórias e murmurando melodias. Por mais que ele ainda não tenha cantado, de fato, uma música, já estava explícito que sua voz era bonita. Praguejei em pensamento. Não era justo alguém ter beleza, dinheiro e talento. Ficou claro como água que Deus realmente tinha seus preferidos.

DELICIOSO ÓDIOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora