Não consigo parar de pensar no príncipe e na maneira que ele se portou quando se encontramos na porta do meu quarto. Só conseguia pensar na sua mão que podia estar machucada depois do seu excesso de raiva. Quase arranquei meus cabelos tentando entender o que tinha acontecido, era tão difícil assimilar qualquer coisa.
Elian tinha me dado às costas e eu fiquei ouvindo seus passos firmes ecoando pelo chão. Não importava o que eu dissesse ele sabia que eu tinha mentido, era óbvio, transparente em minha face. Era impossível mentir, quando tudo o que você mais queria era falar a verdade.
Elian tem me evitado a todo o custo, nem quando nos encontramos por acaso no corredor, nem quando meus olhos correm de encontro aos seus e ele rapidamente desvia seu olhar e enrijece sua face. Seu contato comigo é o mínimo possível. E agora que posso andar mais livremente pelo palácio, tenho medo de transitar a qualquer lugar que eu possivelmente encontre o rei, ou a sua esposa. Depois daquele dia em meu quarto eu não o vi mais por alguns dias, até minha presença ser solicitada novamente nas refeições, e eu com todo o medo do mundo aceitar qualquer ordem como uma boneca de pano. A rainha não estava presente nas noites em que estava na sala de jantar. Elian não trocou nenhuma palavra comigo, nem com seu pai. Ele parecia tão cruel, envolvido em suas próprias trevas ao seu redor, que eu temia estar ao seu lado, mas mais do que isso, me sentia desapontada. Richard sempre estava me olhando com seu sorriso frio em seu rosto, sempre me encarando com seu ar vitorioso.
E eu parecia estar morrendo aos poucos...
Dormir era algo que me aterrorizava tanto, que eu passava várias noites escrevendo, nem forças para conspirar eu tinha. Quando fechava os olhos, os pesadelos vinham me aterrorizar, e em muitos casos embalava meu corpo para tentar fugir dessa tortura psicológica. Como hoje, que já passava da meia noite, e eu me encontrava debaixo do carvalho, admirando a bela lua cheia no alto do céu. Não havia nem um lápis, nem um caderno em minhas mãos, apenas a grama sobre meus dedos, e a sensação de paz que raramente se acomodava em meu peito. Ventava fracamente, e a estação que antes era quente e abafada, dava lugar para uma noite mais fresca.
Meus pés roçavam levemente pelo gramado bem aparado, e meus pensamentos divagam longe, estava me perguntado frequentemente o que estava acontecendo em Ryce nesse momento. Não tive coragem de mandar a carta para Melissa, sou tão covarde quanto meus pais que tiveram a audácia de me mandarem para cá, mas eu não tive bravura o suficiente para confronta-los. E a cada dia me sentia mais fraca para isso. Minhas forças estavam se esvaindo e cada dia mais me sentia mais sozinha do que jamais estive.
Não consegui parar de pensar no rosto de Nicolas e no seu sorriso cativante que parecia estar mais distante do que nunca, até sua imagem parecia estar desaparecendo da minha mente aos poucos, então eu me desesperava em tentar reviver cada momento nosso em minha memória repetidas vezes. Como seu cabelo sempre se mexia quando o vento batia, ou como seus cílios eram claros e longos, como seus lábios eram macios. Das suas mãos entrelaçadas em minha cintura, em sua respiração em meu pescoço... Pequenos detalhes. Meros detalhes que eu não podia esquecer que eu não podia viver sem. Que não consigo deixar de sonhar em viver de novo.
O vento que pareceu aumentar sua força levemente, e o farfalhar das folhas fez com que eu olhasse ainda mais admirada para o céu. Meu sorriso se ampliou à medida que observava as coisas simples ao meu redor. Fiquei tão impressionada olhando para o luar, que mal notei que alguém estava ao meu lado me observando. Com o canto do olho, observei um corpo parado, e automaticamente me virei, fazendo com que nossos olhares se cruzassem por um longo período. Instintivamente meu grande sorriso reduziu-se a um mero esboço, enquanto os lábios de Elian estavam entreabertos como se estivessem sugando o ar a nossa volta.
— O que faz aqui? — Minha voz não passava de um sussurro espantoso que se perdia junto ao vento.
— Estava caminhando, não conseguia dormir. — Elian estava com as mãos bolso, ainda me encarando. — Aí te vi aqui sozinha, pensei que gostaria de companhia.
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Reino Obscuro
FantastikExiste uma velha lenda de um Rei que doou seu próprio filho para a escuridão para salvar a vida de sua bela amada. Há um reino que vive obscuro, sem saber o que é amor, apenas o poder se torna um sentimento constante em seus governantes, o ódio perd...
