✏ ◤ Introdução ◥

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20 De Janeiro De 1999


A noite já cobria todo o céu, por isso deitei-me na cama à espera que a minha mãe me aconchegasse, como ela sempre faz todas as noites. 

Poucos minutos depois, ela entra no quarto e caminha até mim com o seu belo sorriso estampado na cara. Depois de bem aconchegada nos cobertores ela dá-me um suave beijo na testa.


- Dorme bem meu amor. - Sussurra. 

- Tu também, mamã.- Beijo a sua bochecha.

- Nunca te esqueças que a mamã te ama muito, sim meu amor? – Abano que sim com a cabeça.


A minha mãe agarra nas minhas pequeninas mãos e coloca-as no meio das suas. Apoia os seus cotovelos e ajoelha-se no chão ao lado da cama, com os seus olhos presos nos meus. Os seus lábios depositam um beijo nas minhas mãos e uma pequenina lágrima escorre pela sua bochecha. Rapidamente removo uma das minhas mãos do meio das suas e limpo-a.


- Também te amo muito, mamã. – Ela sorri. – Mas não chores porque eu gosto muito do teu sorriso.

- Oh meu amor! – Larga a minha mão e levanta-se, deitando-se de seguida ao meu lado enquanto me abraça desajeitadamente.


Depois de um último beijo na minha testa, levanta-se e começa a sair do meu quarto. 

Antes de fechar completamente a porta manda-me um beijo com a sua mão.


- Dorme bem meu docinho.- Sorri fracamente.


A luz do quarto é apagada levando a que os meus olhos se fechem devido ao sono e cansaço que sinto.



***



Logo pela manhã a luz do sol preenche o meu quarto em conjunto com uma gargalhada, gargalhada essa que me faz sorrir contra a almofada.


- Toca a acordar meu amor. – Ouço a voz do meu pai.

- Tenho soninho. – Agarro na minha boneca com força e puxo os cobertores para cima de nós as duas.

- Tens de te levantar para ir para a escola.

- Não quero ir. – Sinto os cobertores serem levantados.



Os olhos verdes do meu pai espreitam por entre os cobertores e eu tapo-os com uma das minhas mãos.


- Não posso ficar?

- Não princesa. – Puxa os cobertores para trás, destapando-me toda.

- A mamã? Ela é que me costuma acordar. – Sento-me na cama e esfrego os meus olhinhos.

- A mamã... - Suspira. – A mamã não está em casa amor. – Senta-se na ponta da minha cama e apoia os cotovelos sobre as suas pernas, perto dos joelhos.

- Onde é que ela foi? – Coloco-me de joelhos ao seu lado.

- Não te posso dizer meu amor. – Beija a minha testa.

- Porquê?

- Prometi segredo à mamã. – Dá-me um sorriso triste.


Aproximo a minha mão direita da sua bochecha e começo a fazer festinhas. Ele encosta-se mais à minha mão e fecha os olhos. Dou-lhe um beijinho na sua outra bochecha e ouço-o a respirar fundo. Quando me afasto da sua cara vejo lágrimas nas suas bochechas vermelhas.


- Que se passa papá?

- Desculpa o papá, amor. – Puxa-me para o seu colo.

- Eu desculpo-te. – Começo a dar-lhe muitos beijinhos nas suas bochechas. – Não chores papá.

- Desculpa. – Começa a limpar as bochechas – O papá tem algo para te dizer.

- Diz. – Sorrio-lhe.

- A mamã... - Respirou fundo – Ela não vai voltar para casa amor.

- Porquê? – Sinto as minhas bochechas a ficarem quentes.

- Ela precisou de ir amor.

- Mas eu preciso dela. Eu preciso da mamã. – Saio do colo do meu pai e coloco-me à sua frente enquanto aperto com força a minha boneca contra o meu peito.

- Eu sei amor, mas a mamã um dia volta sim? Pode demorar alguns dias mas num dia quando acordares ela estará aqui ao teu lado a sorrir para ti.

- Eu preciso dela agora. – Começo a chorar.

- Calma amorzinho. – Abraça-me. – Prometo que a mamã volta.


O meu choro intensifica-se e o meu pai agarra-me ao colo, para me acalmar com um abraço apertado. Uma das suas mãos fica nas minhas costas e a outra faz-me festas no cabelo.


- Nós vamos ficar bem meu amor. Prometo.


Continua...



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