A briga

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Shikamaru não deveria ficar remoendo, ou se irritar com a situação, afinal, foi ingenuidade sua pensar que Temari seria razoável quando ofereceu a carona. Durante todo o trajeto a Sabaku nem mesmo lhe dirigiu um olhar — ficou encarando a janela — e pior que ele até tentou puxar assunto, mas na segunda resposta monossilábica que recebeu foi obrigado a desistir. Depois — quando chegaram em casa — ela se trancou no banheiro só para ignorá-lo. Agora, sentado na varanda da sala, fumando o segundo cigarro enquanto observava o movimento da rua, ele remoía.

Já passavam das duas da manhã, tarde demais para pedir algo por delivery e muito provavelmente, o pessoal não iria chegar tão cedo, logo sem distrações. A única alternativa que restava era tomar um banho para arrefecer a raiva e dormir. Havia feito sua parte ao dar o primeiro passo, não era sua culpa ter uma mulherzinha teimosa como colega de quarto.

Apagando o cigarro, entrou para dentro de casa. No quarto, fez todo um show para pegar o pijama nas gavetas e a toalha, bateu a porta do guarda-roupa com mais força do que era necessário, porém, Temari continuou impassível — deitada mexendo no celular. 

"Será que está falando com Itachi?" A voz do ciúme perturbou sua consciência. Não, precisava ser objetivo, a briga entre os dois tinha sido feia, quase certo que ela estivesse falando com Ino... ou o esquisitão das tatuagens.

O simples pensamento azedou ainda mais seu humor.

Quando terminou e saiu do banheiro, o quarto estava silencioso. Acendeu o abajur da cabeceira para encontrar a Sabaku de cara virada para a parede, mas Shikamaru sabia que ela permanecia acordada — conhecia seu padrão de respiração ao dormir e não era aquele.

Irritado — por estar sempre tão consciente dela — puxou as cobertas, deitou e após um instante de hesitação, esticou-se para desligar a luz. Não ganharia nada ficando puto a noite toda, a culpa não era sua se as coisas estavam daquele jeito — garantiu para si mesmo pela milésima vez — a problemática nem tinha motivos para continuar tratando-o com frieza. Qual é, não é como se a tivesse atraído por ficar com Shiho.

A quietude tomou conta do cômodo — um contraste gritante com o turbilhão dentro da sua cabeça. Quase um minuto depois o Nara voltou a se esticar para acender o abajur.

— Sabe de uma coisa, você é muito mal agradecida — ele reclamou ao sentar na cama — e sei que está fingindo dormir.

Temari não se mexeu.

— Eu podia ter ido para a boate com o pessoal, mas te trouxe pra casa — continuou com os dentes trincados, sua vontade era sacudi-la — e você continua me ignorando sabe-se lá por qual motivo! — levantou as mãos para os céus como se esperasse uma intervenção divina — não deveria me tratar dessa forma.

Só então a Sabaku virou-se para enfrentá-lo.

— Em primeiro lugar, desistiu do role para me trazer em casa porque quis, não te pedi absolutamente nada, então não espere um agradecimento para afagar seu ego — apesar dos olhos verdes em chamas, seu tom era perturbadoramente controlado — segundo, estou te tratando como sempre fiz, nunca fomos amigos só dividimos o quarto.

— Sério? — sorriu com sarcasmo — Temari, desde a festa do Kiba não me dirige a palavra, toda vez que chego num lugar você sai — e isso era o que mais lhe incomodava — é verdade que não somos amigos, mas nossa convivência era melhor que isso.

— Que convivência? — ela riu, algo sem humor ou alegria, apenas um gesto mecânico — Mal me conhece, idiota.

— Tem certeza? Agora mesmo estamos conversando e sei que está tremendo de raiva, mas insiste em fingir que está tudo bem — cuspiu as palavras — deve ser algo muito ruim, ou vergonhoso, para agir como uma covarde.

Colega de quartoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora