Temari era uma pessoa de poucos hábitos, no geral, não se apegava muito a objetos, ou rotina. Se algo quebrava, apenas comprava outro sem um segundo pensamento de lamento.
O mesmo podia ser dito a respeito do seu cotidiano, quando uma coisa saia fora do esperado — uma tarefa a mais no trabalho, a carteira esquecida em casa, um flagra na siririca semanal — ela só planejava uma alternativa e seguia sem maiores problemas. No entanto, o único ritual que seguia religiosamente e podia mudar seu humor de forma assustadora, era seu café matinal.
E não estamos falando de qualquer café, mas sua fórmula especial que só era vendida em uma loja especializada no Centro. Os grãos eram moídos manualmente para manter toda a essência, fervido em uma cafeteira absurdamente cara que havia comprado pela internet em um site estrangeiro.
O líquido sagrado tinha o poder de acalmar seu coração, animar seu espírito e afiar sua mente. Não bebida com desespero como uma maldita viciado — garantiu para si mesma — só pela manhã e, em ocasiões importantes, no meio do dia.
O problema é que naquele dia a cafeteira não ligou.
A Sabaku tentou de todas as maneiras, entretanto, nada fez com que funcionasse. Até que — a princípio com descrença, logo com puro ódio — Temari percebeu uma rachadura na lateral da máquina. Era um dano que não estava lá no dia anterior, e com toda a certeza não tinha sido feito sem a contribuição de mãos humanas.
Um humano burro e inconsequente.
Calmamente, pegou uma panela no armário e uma colher de pau, respirou fundo e foi para o meio da sala. Na primeira batida nada aconteceu, no entanto, a fúria do movimento tornou o barulho estridente e impossível de ser ignorado.
O pior não era quebrar a cafeteira, entendia que acidentes podiam acontecer e na medida do possível, tudo bem. Só que, pelo santo Inferno, o desgraçado que havia feito aquilo pensava que ela era otária. Pois tinha deixado a coisa cair no chão, sabia que estava quebrado e NÃO FALOU PORRA NENHUMA.
Como se tratava da primeira semana de aula, e a maior parte cabulava, ou havia montado a grade escolar para mais tarde, Temari era a única acordada. Mas não por muito tempo:
— O que está acontecendo? — um Neji de pijama e cara amassada, saiu do quarto.
— Senta no sofá — ela rosnou.
O Hyuuga estreitou os olhos, porém — talvez convencido pela expressão maligna dela — acabou sentando.
Naruto e Kiba foram os próximos — o loiro só com uma cueca samba canção e o cabelo bagunçado, e o moreno, que nem se deu ao trabalho de pôr uma roupa, enrolado com o lençol em volta da cintura.
— QUE CARALHO É ESSE! — o Inuzuka gritou raivoso.
— Senta.
Ele se empertigou para revidar a ordem, entretanto, o Uzumaki — aparentemente com um senso de autopreservação melhor que do amigo — segurou o braço de Kiba e arrastou ele para o sofá, sussurrando um "segura sua onda, ela tá putassa".
Sasuke — também vestindo uma cueca, e uma promessa de morte dolorosa refletida nos olhos ônix — nem mesmo se deu ao trabalho de falar algo, apenas foi em direção a Temari para arrancar a panela da mão dela. Mas antes que pudesse concluir a coisa, a Sabaku o desafiou:
— Estou por um maldito fio, Uchiha — o encarou — e você não ganharia uma briga contra mim.
Debochado, ele cruzou os braços.
— Você não é tão boa quanto pensa, Sabaku.
— Hoje, sou mais que o suficiente — cuspiu as palavras.
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Colega de quarto
FanfictionNara Shikamaru tinha a vida perfeita que todo preguiçoso crônico sonhava. Era professor universitário aos 21 anos, dividia seu apartamento com outros cinco amigos e mantinha uma rotina banal e minimamente notória. Até que seu melhor amigo, Akimichi...
