Constrangimento

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— E isso não é um namoro?

A incredulidade de Chouji beirava ao cômico. Shikamaru planejava voltar para casa dos pais na próxima segunda, para passar o Natal, logo tinha uma lista de presentes para dar cabo. Surpreendentemente, o Akimichi era tão bom quanto Ino na hora de escolher esse tipo de coisa. Se preciso fosse, ele pechinchava, conhecia as lojas com os melhores preços e era implacável na busca pelo objeto perfeito. Então, naquele sábado à tarde, ambos circulavam pelo Shopping Central de Konoha.

— Não — o Nara continuou andando, as mãos atrás da cabeça numa postura despreocupada.

— Mas você vai levar Temari pra conhecer sua família.

— É só pra ela não ficar aqui sozinha, não é nada demais — deu de ombros.

E não era mesmo, a conversa havia surgido de maneira inocente. Shikamaru comentou sobre sua volta para casa, e o quanto não estava ansioso para enfrentar o interrogatório da mãe sobre o trabalho, amigos e casamento, porém, faria pela comida. E a loira — por sua vez — disse que não tinha o costume de comemorar a data, e que muito provavelmente ficaria por ali mesmo, assistindo série e comendo pizza.

Acontece que, para uma pessoa nascida na família que nasceu, a coisa toda lhe parecia meio melancólica. O clã Nara era muito grande e em datas como Natal, Shikamaru sempre estava cercado por parentes, boa comida, falatório e o clima festivo. Suas melhores lembranças de infância provinham desses eventos.

Levando isso em consideração, o convite foi feito suavemente.

A Sabaku aceitou sem demonstrar estranheza — nem mesmo fez qualquer provocação constrangedora — o que só serviu para reafirmar a decisão dele, afinal, a atmosfera entre os dois permaneceu igual. Logicamente, ela não achava que aquilo fosse grande coisa também, Chouji só estava exagerando sobre a situação.

Okay, uma parte muito distante de si — que tratou de sufocar — ficou incomodado por ficar tantos dias longe dela. Mas era normal — garantiu — já que tinham estabelecido uma rotina mais que satisfatória.

— Cara, vocês moram juntos, saem juntos para coisas de casal como o cinema... — Chouji começou a enumerar, mas foi interrompido pelo outro.

— Foi só uma vez, e era uma matinê do George Romero — explicou com indiferença — Temari gosta de filmes assim e — pontuou — isso não é muito diferente das vezes que você me arrastou para festivais de comida.

— É, mas a gente não transa.

Ele tinha um ponto.

Por falta de argumento, o Nara tratou de encerrar o assunto com um "complicado". Foi justo nesse momento que seus olhos se prenderam numa figura loira, vestindo um blusão verde com estampa de caveira — parecido com um que ele tinha —, meia-calça arrastão e botas escuras. Ela não estava distante, tudo que precisava fazer era descer as escadas rolantes para alcançá-la, por isso ele pode ver perfeitamente a intimidade que Temari destilava enquanto interagia com o esquisitão das tatuagem que caminhava ao seu lado.

Shikamaru foi atingido por uma cacofonia de sentimentos — todos ruins. Algo se apertou no seu estômago, e seu corpo esquentou, no entanto, fez o possível para esconder a reação.

— Aquela não é Temari? — o Akimichi apontou o óbvio.

— Sim — ao perceber que tinha os punhos cerrados, abriu os dedos lentamente, como se o gesto pudesse acalmá-lo. Aquele sentimento era familiar, e da última vez que o sentiu foi expulso de uma boate depois de brigar, desta vez precisava ser menos... passional.

— Esse não é o cara daquela vez no Ichiraku?

— Uhum.

Quando o Nara saiu mais cedo, havia deixado a Sabaku meio sonolenta na cama, não sabia que ela pretendia ir ao shopping, sobretudo com ele. Na verdade, uma vez que começaram com a "amizade colorida" Shikamaru simplesmente assumiu que ela não voltaria a vê-lo, já que a própria havia imposto exclusividade à relação.

Colega de quartoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora