Temari precisava admitir que não havia pensado direito ao aceitar o pedido de Shikamaru para passar o Natal com a família dele. Em sua defesa, estava sonolenta e satisfeita, os dois tinham acabado de transar, pelo amor de Kami, era esperar demais dela medir todos os prós e contras da proposta num momento tão inusitado. Porém, dias depois, parada em frente a porta da residência arborizada, no limite de uma cidadezinha afastada, a loira foi tomada pelo impulso visceral de fugir.
Não que seu colega de quarto estivesse melhor, por mais que Shikamaru tentasse aparentar tranquilidade – na sua usual postura relaxada, com as mãos no bolso, a mochila em um dos ombros e olhar displicente – a Sabaku conseguia perceber a rigidez quase imperceptível de seus movimentos, estava na forma que trocava o peso de um pé para o outro e a respiração profunda que tomou ao ver a maçaneta da porta girar – como se pegasse fôlego para uma batalha decisiva.
Geralmente o nervosismo dele a acalmava, entretanto, não saber o que esperar de toda aquela situação inflamou sua inquietação de uma forma perturbadora.
Tudo só piorou quando a mãe dele abriu a porta.
Temari era boa em decifrar as pessoas, afinal, foi assim que sobreviveu a sua infância, porém, Nara Yoshino lhe deixou confusa: primeiro a mulher xingou o filho por ter se atrasado, depois por não ligar ou retornar seus telefonemas tanto quanto deveria – ao que foi respondido com um resmungo malcriado por parte do rapaz, que lhe rendeu um belo puxão de orelha. Toda a cena deixava claro que se tratava de alguém de natureza severa, no entanto, quando a Sabaku estava cogitando a possibilidade de escapar e voltar para Konoha, pois não lidava bem com conflitos familiares, Yoshino abraçou Shikamaru afetuosamente.
A senhora Nara não era pequena, e mesmo sem a conhecer, Temari tinha certeza que ninguém a descreveria como frágil, mas dentro dos braços do filho – sempre resmungando como ele estava magro – parecia algo adorável.
Minutos se passaram e a loira foi notada, inconscientemente tratou de endireitar a postura, o olhar castanho que a observava carregava uma curiosidade avaliativa. Não havia a menor dúvida de que todos os seus gestos ansiosos estavam sendo percebidos – com o tipo de atenção que só uma mãe possuía.
– Mãe, essa é Temari – Shikamaru as apresentou com simplicidade.
– Obrigada por me receber em sua casa – a Sabaku a cumprimentou respeitosamente, pois como a princesa que um dia foi, sabia manter seus modos independente do nervosismo.
A senhora Nara abrandou um pouco com a saudação, sua expressão ainda trazia a especulação, mas sem rispidez.
– Seja bem vinda – devolveu, também a reverenciando – venha, vamos entrar.
A residência não era muito grande, mas a arquitetura Minka dava uma sensação de amplitude em todos os cômodos. As portas de shōji estavam abertas, dando hora para um jardim bem cuidado, outra um bosque. A Sabaku sentiu-se como se tivesse sido transportada para um chalé oriental no meio de uma floresta encantada, pegou-se mais de uma vez encarando atentamente os cantos esperando encontrar uma criatura mitológica. Era fácil imaginar Shikamaru crescendo ali, largado pelo gramado – dormindo – ou observando as nuvens. Podia até mesmo ver Ino, uma criança mandona, brincando de princesa enquanto obrigada os meninos a participarem da fantasia.
Esse pensamento a fez sorrir.
– Todos vem para o jantar esse ano? – o Nara perguntou.
– E onde mais iriam? – Yoshino respondeu com um bufo irritado – todos os Nara são iguais, esperam sentados que o universo realize seus desejos e se conformam quando nada acontece – a mulher os levou até a cozinha, o ambiente seguia tomado por um caos de vários pratos em estágios diferentes de preparação – não sei o que seria de vocês sem mim...
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Colega de quarto
FanfictionNara Shikamaru tinha a vida perfeita que todo preguiçoso crônico sonhava. Era professor universitário aos 21 anos, dividia seu apartamento com outros cinco amigos e mantinha uma rotina banal e minimamente notória. Até que seu melhor amigo, Akimichi...
