Deu tudo errado?

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— Te desafio a beijar o Shikamaru.

As palavras de Ino reverberaram por sua cabeça, sentiu o corpo frio e as pontas dos dedos dormentes. Não poderia dizer que estava surpreso, acompanhou o progresso malicioso de toda a coisa, mas ainda assim, não soube conter suas reações.

— Não vou fazer isso — a recusa cortante veio de Temari, a postura dela havia assumido um tom completamente defensivo. Shikamaru a conhecia o bastante para saber que estava se preparando para uma batalha.

— Claro que vai, esse é o desafio! — Yamanaka retorquiu com um sorriso convencido no canto da boca — A menos que seja uma covarde, — a encarou com deboche — nunca pensei que fosse do tipo que foge das consequências das próprias decisões.

Muitos acreditavam que a beleza de Ino era sua melhor qualidade, que um jogar de cabelo e piscar de olhos, fosse tudo que precisava fazer para convencer um esquimó a comprar gelo, no entanto, o Nara era mais inteligente que a maioria, e compreendia a verdade escondida. 

O maior dom da sua melhor amiga, provinha da sua capacidade de analisar a fraqueza do inimigo, entrar na mente dele e manipulá-lo como uma marionete bem-disposta. Cada palavra, cada flerte — quando assim queria — nada era espontâneo, mas sim, uma peça fundamental para executar um plano.

Shikamaru nunca tinha sido o alvo daquela habilidade... até agora.

— Não sou covarde! — a Sabaku defendeu-se, furiosa.

— Então prove! — Ino praticamente cantarolou.

Ele deveria dizer algo, porém, lhe faltavam palavras — sentia-se o espectador apreensivo de um filme de terror. A situação rapidamente saia do controle e se um simples flagra em um momento íntimo — algo inofensivo — rendeu um tapa na cara, silêncios constrangedores e uma conversa forçada, imagina um beijo — mesmo que sob a justificativa de uma brincadeira.

Pelo maldito inferno, uma parte de si queria tanto aquilo que chegava a doer, o que tornava tudo mais perigoso.

Complicado.

— Que seja! — Temari acabou por cuspiu a concordância repleta de raiva.

A loira levantou em um arroubo desafiador, encarou Shikamaru por um instante antes de segurá-lo pela gola do casaco, aproximar seus rostos, e o beijar. 

Bem, não foi exatamente um beijo, mas um toque de lábios — violento —  que durou segundos, logo já estavam separados.

— Pronto! — ela encarou Ino.

— Ah, você está zuando com a minha cara — destemida, Yamanaka riu — o desafio foi um beijo de verdade, não essa coisa patética de dorama coreano.

Os outros participantes que até o momento acompanhavam toda a cena — igualmente atônitos — resolveram intervir a favor de Ino, gritando e vaiando, pedindo por um contato real.

Ainda com os punhos cerrados, segurando sua roupa, Temari voltou-se para Shikamaru, só que agora tinha mais que fúria reprimida em seus gestos. Quando seus olhos se encontraram, ele pode ver não só o desamparo — que compartilhavam —  como também uma pergunta.

A Sabaku não iria tomar como da primeira vez — compreendeu — pois estava pedindo sua permissão. Ele deveria recuar, pegar aquela oportunidade de escapar de algo extremamente complicado e sair correndo. Porém, o Nara deu um assentimento quase imperceptível.

E novamente, seus lábios se uniram.

Shikamaru já tinha beijado outras mulheres antes, apesar de não ter ido muito além disso. Só que beijar Sabaku no Temari era completamente diferente de tudo que já havia experimentado na vida. Por aqueles instantes ele esqueceu de onde estava, as pessoas a sua volta, sua cabeça só parou e ele foi inundado por sensações.

Colega de quartoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora