Clã Nara - parte II

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Shikamaru estava satisfeito com o rumo que as coisas haviam tomado naquele feriado, constatou enquanto observava Temari a distância. Ambos estavam na festa de Natal com sua família, Yoshino havia colocado as luzes e enfeites num antigo sabugueiro. Mesas de madeira forradas com toalhas festivas abarrotadas de comida, pessoas conversando e crianças de mãos cheias de doces e brinquedos recém adquiridos, tomavam grande parte do quintal.

A Sabaku permanecia ao lado da sua mãe pacientemente, enquanto a outra a apresentava com orgulho para os mais velhos do clã. O Nara tinha gastado horas preciosas naquele dia para explicar para a mãe que o que tinha com a colega de quarto era apenas uma amizade, e que o motivo de tê-la levado naquela data era por empatia, no entanto, considerando a forma como os olhos da mulher brilhavam de contentamento e a maneira com que suas bochechas se avermelharam de entusiasmo no decorrer da noite, ele havia arrumado um grande problema.

Temari não parecia mais tão constrangida como no início – sinceramente não esperava uma luta sangrenta entre Yoshino e a loira no primeiro encontro, mas era sacanagem se juntarem contra ele. Ao decorrer do tempo que passavam juntas, Temari havia criado uma estranha relação de cumplicidade com a sua mãe. Agora, no lugar de ter apenas uma mulher debochada para encher seu saco, tinha duas. Pior, como gostava de inferniza-lo, a Sabaku fazia questão de irritá-lo próximo a sua mãe que, obviamente, saia em defesa da outra independente do quão ofendido ele fosse. Ele, seu único filho.

Complicado, pensou.

Precisava admitir pelo menos para si mesmo que nutria por Temari um sentimento estranho que não tinha como nomear, mas estava lá, cada dia mais presente. Queria saber como ela lidaria com sua mãe, ou qual impressão passaria para o pai. Se levaria jeito com as crianças, e os velhos teimosos do clã. Também desejava dar a experiência daquele dia de presente para ela, pois ainda que fossem barulhentos e intrometidos, os Nara eram extremamente receptivos, iriam cuidar dela como se fosse da família.

Quando se mudou para a Capital para estudar, e depois trabalhar, havia sentido muita falta da família. Apesar de ser do tipo expectador, que preferia deixar a confusão Nara acontecer ao seu redor sem participar ativamente, só aproveitando a cacofonia de interações – quase sempre fingindo estar irritado – amava saber que fazia parte de tudo aquilo. É claro que ainda tinha bastante barulho em sua vida – convivendo com pessoas como Naruto e Kiba era inevitável – entretanto, não era a mesma coisa que os pais, tios, avós e primos.

– Fez uma boa escolha – disse seu pai, sentando-se ao seu lado.

O homem vestia um kimono azul escuro bem alinhado, trazia entre os lábios um cacimbo meio apagado que sua mãe odiava com todas as forças. A semelhança entre os dois era assustadora, apesar das linhas de expressão e semblante sereno, Nara Shikaku era uma perfeita versão mais velha do filho.

– O quê? – estava tão concentrado na cena a sua frente que foi pego desprevenido pela aproximação dele.

– A menina – fez um movimento com o cachimbo apontando para a Sabaku – é uma boa escolha, ela me lembra sua mãe quando jovem.

– Oh, não – Shikamaru fez uma careta de completo horror, não pela suposição de namoro como deveria, mas pela pespectiva de se interessar por alguem semelhante a mãe – Temari é só minha amiga, e eu não seria burro o bastante pra me envolver com alguem igual a mamãe, Kami sabe o quanto ela sozinha já faz um otimo trabalho me irritando.

Seu pai só o observando com sabedoria – com um olhar que dizia conhecer tudo sobre o filho e o mundo.

– Não me olhe assim – resmungou na defensiva – passei minha vida inteira correndo de mulheres mandonas, barulhentas e briguentas – enumerou – você pode gostar de ser dominado por uma, já que está há tanto tempo com a mamãe, mas eu não.

Colega de quartoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora