O passado bate à porta - Parte I

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Fazendo um balanço do dia como um todo, Temari poderia considerá-lo um verdadeiro sucesso. Kankuro não havia envenenado Shikamaru, e o Nara — no final do encontro — estava até confortável. Os dois até ficaram na cozinha lavando louça como duas velhas fofoqueira, provavelmente falando mal dela.

— Você podia ter me dito que ele era seu irmão, sabe, antes do shopping — ambos estavam no carro voltando para casa.

— Não achei que fosse relevante — todas as vezes que Kankuro havia surgido na conversa era num contexto engraçado. A ideia dele ser algo diferente do seu irmão era tão idiota que ela não considerou realmente que alguém pudesse classifica-lo como seu namorado, principalmente o Nara.

Porém, sendo sincera consigo, mesmo que tivesse percebido a confusão de Shikamaru não tinha certeza se seria honesta — ou madura — o suficiente para explicar a situação. Gostava de inferniza-lo, e vê-lo completamente sem palavras, tendo que ser salvo por um Chouji igualmente constrangido foi no mínimo divertido.

— Mulher problemática... — resmungou.

Ela sorriu.

O resto da queixa se perdeu, a mente de Temari congelou quando o carro fez uma curva na esquina que levava ao apartamento que moravam e ela viu o carro parado em frente ao prédio. Veja bem, se fosse uma limosine preta comum, não causaria o aperto no seu coração, mas conhecia um carro de diplomata quando via um — e nem precisava identificar a bandeira presa nele para saber que se tratava de algo vindo de Suna.

Suas mãos começaram a suar no volante, as pernas, tremiam involuntariamente. A primeira reação que teve foi procurar um retorno, precisava buscar Kankuro e fugir.

Ele tinha os encontrado.

— Temari? — Shikamaru a chamou, talvez não pela primeira vez.

O Nara tinha o cenho franzido com preocupação, com um ponto de interrogação no rosto, colocou a mão em cima da dela no volante — Temari afrouxou um pouco o aperto sobre o objeto, os nós dos dedos brancos pelo esforço.

— Quem é?

— Meu pai — sua voz não vacilou, entretanto, a sentença foi dita num tom baixo, como se temesse que pronunciar as palavras pudesse invocá-lo.

— Não é uma visita amigável.

Era uma afirmação, entretanto ela respondeu de qualquer forma:

— Nunca é.

Se recomponha. Ordenou para si mesma.

Já não era mais uma criança desamparada, cercada de perigo e medo. Seu pai podia ser poderoso em casa, mas ali não exercia jurisdição alguma. Tudo bem que havia evitado pesquisar sobre a situação do seu país natal — qualquer pequena informação parecia ter o poder de transporta-la novamente para aquele inferno, arrancando de si qualquer sensação de segurança que havia conquistado — porém tinha certeza que os acordos diplomáticos que Suna tinha com Konoha eram limitados. O principal motivo disso era o fato da Aldeia da Folha ser democrática, respeitar os direitos humanos e ter a ciência como base, e a Aldeia da Areia ser uma ditadura fundamentalista e violenta.

Foi por isso que fugiu para Konoha, um lugar que não a deportaria mesmo se o Kazekage solicitasse.

E ele deve ter tentado.

Durou apenas alguns segundos, mas para a Sabaku, percorrer os poucos metros de distancia entre os dois pareceu durar horas. Lentamente, estacionou o carro na vaga ao lado da limosine.

Só saia do maldito carro e acabe com isso. Não conseguiu se mover.

— Podemos ir para outro lugar, ou posso sair e falar com ele que não está interessada numa visita de família — a preocupação a voz de Shikamaru era palpável.

Colega de quartoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora