Shikamaru estava mais cansado que o normal. Quando o alarme tocou, tudo o que queria fazer era enfiar a cabeça debaixo do travesseiro e voltar a dormir. Do outro lado do quarto, soou um palavrão, e o despertador — comprado após o fim trágico do anterior — foi subitamente desligado, lembrando-o de que agora tinha um novo colega de quarto.
No dia anterior, Temari havia feito sua mudança. Para não precisar enfrentar a mulher problemática, Shikamaru ficou até tarde na universidade e, depois, acabou indo ao apartamento de Chouji para filar a comida de Karui. Quando chegou em casa — tarde da noite —, a loira já estava dormindo. Ele fez o mínimo de barulho ao se preparar para deitar e agradeceu a Kami por não precisar lidar com aquilo. Alguns poderiam chamá-lo de covarde, mas ele era um estrategista nato e, desde muito jovem, havia aprendido com o casamento dos pais que, ao dividir espaço com uma mandona, o ideal era ficar fora do caminho.
Passados 20 minutos, resolveu levantar — não podia mais enrolar e já contava em pular o café da manhã para chegar a tempo da primeira aula. Porém, todos os seus planos foram por água abaixo ao dar de cara com a porta do banheiro trancada.
Vinte minutos para tomar banho era exagero, mas resolveu dar mais dez; afinal, ela poderia estar fazendo uma dessas coisas de mulher. Perdeu a paciência quando o relógio marcou 15 minutos e nenhuma indicação da fechadura sendo aberta foi ouvida.
— Temari, está tudo bem? — Sem resposta. Encostou a orelha na porta e escutou a batida ritmada de uma música. — Temari, preciso me arrumar para o trabalho!
Silêncio de novo.
Tentou a maçaneta novamente, calculando quanto tempo tinha e se valia a pena usar o banheiro de Kiba e Naruto, ou até mesmo de Neji. Mas desistiu. Se cedesse uma vez, teria que fazer isso todas as manhãs. Complicadas ou não, algumas batalhas precisavam ser travadas.
— Temari! — Bateu com o punho na porta com urgência. Não era só questão de defender seu território ou de chegar na hora. — Preciso fazer xixi!
Nada.
Furioso, Shikamaru marchou até a cozinha. Passando por um Naruto sonolento e um Sasuke silencioso, foi até a área, abriu a caixa de força e desligou um dos disjuntores.
Esperou.
O grito irado soou como música para seus ouvidos. Sorriu satisfeito.
Quando chegou no quarto, Temari já estava arrumada, e o banheiro vazio — como esperado.
— Seu desgraçado! — A loira o encarou com os olhos em chamas. — O que você fez?
Longe de transparecer o quão intimidado estava, a ignorou, pegou sua toalha, roupa e se encaminhou para o banheiro.
— Não terminei de me arrumar. — Ela colocou as mãos na cintura, bloqueando a entrada do banheiro.
Muitas pessoas pensavam que, por Shikamaru ser calmo e pacifista, ele não fosse capaz de segurar uma briga. Mas ele era. Junte a equação o mau humor matutino, e você tem o combo perfeito.
— Se precisa de tanto tempo, acorde mais cedo. — Devolveu seu olhar com dureza, suas palavras tão afiadas que ela deu um passo para trás. — O banheiro é compartilhado, e não vou me atrasar todas as manhãs porque você é egoísta demais para dividir.
— Não sou egoísta! — A retórica perdeu força uma vez que a raiva havia arrefecido com a reação dele.
— Ninguém demora tanto tempo assim num banho, a menos que seja proposital — acusou. — Sendo assim, ou você é egoísta, ou imatura — passou por ela —, ou talvez os dois.
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Colega de quarto
Fiksi PenggemarNara Shikamaru tinha a vida perfeita que todo preguiçoso crônico sonhava. Era professor universitário aos 21 anos, dividia seu apartamento com outros cinco amigos e mantinha uma rotina banal e minimamente notória. Até que seu melhor amigo, Akimichi...
