O plano do amor

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Shikamaru estava apreensivo, rezando em silencio para ter dado tempo de arrumar tudo.

— Não acredito que acabei de dirigir mais de duas horas por um bolo de mercado — Temari disse ao seu lado, ela não aparentava irritação, apenas uma indignação amistosa.

— Bem vianda ao poder de persuasão da Ino — respondeu vagamente, sua mente no portão que levava a casa de praia.

O plano era simples, Ino havia arrumado um pretexto idiota para os dois irem até a cidade vizinha que ficava a uma hora de distância, nesse meio tempo, seus amigos iriam criar todo um clima "romântico" para Shikamaru fazer sua grande cena de filme.

Um clássico: rápido, coerente e fácil.

A caminhonete sapateou um pouco na alameda que levava a garagem, totalmente desacostumada ao chã de areia. O Nara se inclinou discretamente para a janela, observando para ver se pegava alguma sombra dos amigos, qualquer coisa fora do lugar que indicasse que era cedo demais.

O sol poente pintava o céu com tonalidades quentes de laranja e rosa, refletindo suavemente na superfície calma do mar. Uma brisa suave carregava consigo o cheiro salgado do oceano, enquanto o som das ondas quebrando na costa proporcionava uma trilha sonora serena para o momento. Mas Shikamaru não percebeu nada disso, seu coração retumbava dentro do peito.

Caminharam de mãos dadas pela trilha que os levava até a entrada, à medida que se aproximavam da mansão, uma visão surpreendente se desdobrou diante deles. Uma propriedade antes conhecida como um refúgio havia sido transformada em um cenário de romance: luzes de velas na beira da piscina lançavam reflexos dançantes na água, criando um ambiente mágico. Uma mesa elegantemente decorada foi colocada próxima, e a música Can't Take My Eyes Off Of You, Glória Gaynor, preenchia o ar — cortesia de Kiba, Shikamaru deduziu.

— Uau, o que é tudo isso? — Temari olhou ao redor, surpresa e encantada.

— Parece um jantar — Shikamaru coçou a nuca, um sorriso envergonhado surgiu em seus lábios.

— E quem será que planejou? — entrando na brincadeira, a Sabaku o enlaçou pela cintura, aproximando seus corpos.

— Talvez tenha sido eu — pela resposta, recebeu um beijo dela, um roçar de lábios.

— Até a música?

— Não, isso foi coisa do Kiba — e como se zombasse dele, a playlist mudou para I Want It That Way, Backstreet Boys.

— Com toda a certeza — ela concordou.

Rindo, caminharam até a mesa.

De acordo com as aulas exigentes que teve com Ino, ele cumpriu religiosamente seu papel: puxou a cadeira, serviu o vinho, tirou o cloche de prata que cobria a refeição para dar lugar a um prato principal extremamente elaborado — algo que só Neji conseguiria executar com perfeição.

Ignorando completamente a etiqueta que ditava que deveriam sentar-se um de frente para o outro, Shikamaru acomodou-se ao lado de Temari.

Tudo estava perfeito, a comida era boa, o vinho, caro, a Sabaku parecia muito satisfeita.

Podia sentir o olhar dela sobre si de vez em quando, e sempre que seus olhares se cruzavam, ela lhe dava um sorriso caloroso, como se lhe dissesse que estava feliz por estar ali.

Cada sorriso dela só aumentava a determinação dele, sabia que era hora de enfrentar seus sentimentos de uma vez por todas. No entanto, a ideia de se declarar para Temari, especialmente quando ela estava prestes a partir, era assustadora.

Como um covarde que era, decidiu abrir a garrafa de champanhe que os aguardava em um balde de gelo, no centro da mesa — talvez para uma comemoração pós declaração.

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