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No dia seguinte, Dulce mal esperava, mas um sorriso surgiu em seu rosto ao ver o nome de Ucker na tela do celular após terminar de almoçar com Isa e Cristian.

— Oi, Ucker. — atendeu, e notou um sorriso de cumplicidade no rosto de Cristian, que saía para uma reunião.

— Oi... tudo bem com vocês? — perguntou ele, a voz carregada de expectativa.

— Tudo. E com você? — Dulce respondeu, curiosa.

— Tudo certo. Saí do plantão agora e estava pensando em convidar a Isa pra tomar um sorvete...

— Sorvete? — Dulce falou alto, e viu Isadora saltitar de alegria. — Claro! Ela vai amar!

Logo combinaram os detalhes e desligaram. Isadora, empolgada, passou até batom rosa, acreditando que sorvete merecia cerimônia.

Em poucos minutos, Ucker chegou e ficou parado por alguns segundos, admirando a filha de longe.

— Você está linda. — disse, encantado.

— Você gosta de sorvete? — Isa perguntou, e ao vê-lo mais próximo, correu para abraçá-lo.

— Eu amo. E você? — ele respondeu, depositando um beijo suave em sua testa.

— Eu também! De todos os sabores, principalmente chocolate.

— Igual a sua mãe? — Ucker sorriu, lembrando o quanto Dulce sempre amou sorvete de chocolate.

— Você lembra? — Dulce perguntou, aparecendo atrás da filha.

— Lembro. — ele respondeu, com um sorriso terno.

Isadora interrompeu o clima que começava a se formar: enumerou todos os sabores de sorvete que queria experimentar, puxando a conversa de volta para si e enchendo o ar de risadas.

— Você acha que ela... tudo bem se você não for? — ele perguntou, quase implorando.

— Mãe, você vai junto, não vai? — a pequena falou, piscando com a inocência de quem não entende o mundo adulto.

— Ela quem tá pedindo. — Ucker fez cara de pidão. Dulce sorriu e não pôde negar.

Na sorveteria, os três se divertiram imensamente. Dulce e Ucker conversaram pouco, mas se bastava olhar Isa sorrindo, correndo de um lado para outro, esbanjando alegria. Depois, foram à pracinha, e Isa fez Ucker prometer que voltariam outro dia para andar de skate.

— As baterias estão acabando... — Dulce disse ao notar a filha quase adormecida no banco de trás do carro. Os dois sorriram, cúmplices.

— Obrigado, Dul. — ele tocou sua mão.

— Porque? — ela perguntou, surpresa.

— Por proporcionar uma das melhores tardes da minha vida. — ele disse, a voz carregada de emoção.

Dulce apenas sorriu, sentindo o coração aquecido.

— É sério. — continuou ele, olhando-a nos olhos. — Se há algumas semanas alguém me dissesse que eu tomaria meu sorvete favorito com minha filha e a mulher que eu amo... eu teria rido na cara do imbecil.

As bochechas de Dulce pegaram fogo, e ele percebeu, sorrindo. Então, sem pensar mais, tomou seus lábios em um beijo breve, mas carregado de amor e saudade. Apenas alguns segundos, mas suficientes para responder todas as perguntas silenciosas de ambos.

— Mamãe? — Isa perguntou, ainda com os olhos semicerrados.

— Oi, filha? — Dulce respondeu, acariciando seus cabelos.

— O tio Ucker pode dormir com a gente? — perguntou, sonolenta, com uma seriedade adorável.

— Ele tem que ir pra casa e pro hospital. Lembra? — respondeu Dulce, explicando com paciência.

— Tudo bem. Mas combinamos de andar de skate amanhã. Você volta amanhã? — insistiu Isa, já animada com a promessa.

— Sempre que você quiser, princesa. — ele respondeu, sorrindo, e o sorriso dela se espalhou como um raio de sol.

Os três se despediram, e Dulce, sem conseguir esconder o sorriso, entrou com Isa. Depois de um banho, notou uma mensagem no celular:

Ucker: Senti muito a falta do seu beijo. Parece que tudo melhorou agora.
18:24pm

Ela não respondeu. Apenas sorriu, segurando o celular como se a adolescente de cinco anos atrás tivesse finalmente retomado sua vida de onde parou.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora