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Isadora, como Dulce previra, não ligou nem um pouco para a palidez da avó, nem para os diversos aparelhos que a mantinham viva, muito menos para a traqueostomia no pescoço de Blanca.

A menina se acomodou sentada de pernas cruzadas nos pés da cama. Dulce a observava da poltrona ao lado da cabeceira, o coração apertado e cheio de emoção.

— Você é linda. — Blanca segurou as mãos da neta, tentando sorrir.

— Obrigada! — Isa respondeu docemente. — Você também é linda.

— Oh, querida... — a mulher fraca sorriu, com lágrimas nos olhos. — Estou tão feia.

— Não está não! — Isa levantou o dedinho indicador, decidida. — Podemos comprar um cabelo rosa pra você. Vai ficar ótimo!

Dulce e Blanca trocaram um olhar e sorriram diante da doçura da menina.

— Você fez um excelente trabalho. Sua filha é um anjo. — Blanca disse, olhando Dulce.

— Ela é. — Dulce sorriu, mas logo se arrependeu ao ver a mãe fechar os olhos por um instante. — Não imagino como seria minha vida sem ela.

Sabia que Blanca se culpava, agora mais do que nunca, por tê-la obrigado a interromper a gravidez.

— Vovó, você gosta de batata frita? É minha comida favorita. — Isa perguntou, quebrando o clima pesado com sua inocência.

— Eu amo batatas fritas! — Blanca sorriu, observando a neta com atenção.

— Quando você sair do hospital, podemos comer muitas batatinhas juntas.

— Claro que podemos! Desde que eu esteja com a peruca rosa que você me prometeu.

— Combinado! — Isa tocou a mão frágil da avó como se fosse um acordo.

Dulce e Blanca trocaram um olhar silencioso. Ambas sabiam que o "sair do hospital" talvez nunca acontecesse. Dulce também não podia esquecer que a mãe odiava batatas fritas — lembranças de quando a pegou no shopping com Christopher comendo batatas fritas e a obrigou a uma semana de dieta restritiva vieram à tona.

— Bom... eu duvido que a nutricionista do hospital deixe sua avó comer batatinhas fritas hoje, Isa. — Dulce sorriu. — Mas acho que consigo uns moranguinhos pra vocês lancharem. O que acha?

Isadora olhou para Blanca, que sorriu positivamente.

— Que simm! — respondeu animada.

Dulce pediu à nutricionista que enviasse alguns morangos picados para que a mãe pudesse comer e compartilhar aquele momento com a neta pela primeira vez.

As duas se divertiram lanchando juntas. Dulce apenas observava, emocionada, e não podia deixar de pensar como tudo teria sido diferente se Blanca a tivesse apoiado desde o início.

— Obrigada, Dulce, por me proporcionar esse momento com minha neta. — Blanca sorriu, fraca, ao se despedir.

— Não precisa agradecer. — Dulce acariciou a mão da mãe. — Ela também adorou. Nós vamos voltar mais vezes.

— Obrigada... Espero que um dia vocês me perdoem pelo que fiz.

— Mãe... está tudo bem. Fica bem.

Logo, a enfermeira apareceu na porta, lembrando que o horário de visitas havia acabado. Dulce se levantou, pegou Isa no colo e se despediu, levando consigo aquele instante de ternura que jamais seria esquecido.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora