13°

853 51 2
                                        

— Eu imagino que não foi fácil pra você... sozinha com ela. — Christopher disse, já mais calmo, enquanto a conversa começava a fluir para outros assuntos. — Ou você tem... bom, você tem alguém? Que ajuda com ela?

— Ah... não. — Dulce sorriu levemente. — Somos só nós duas. Sempre foi assim. O Cris foi me ajudar quando eu precisei, depois quando ela nasceu, e mais algumas vezes quando ele foi à Itália a trabalho.

Christopher respirou aliviado. Não havia mais ninguém interferindo na vida da filha, e, de certa forma, sentiu-se grato.

— Você e o Cris...? — ele perguntou, uma pontada de ciúme atravessando sua voz, mesmo sabendo que eram apenas amigos.

— Pelo amor de Deus, Christopher. Você não percebeu? — Dulce revirou os olhos, sorrindo.

— O que? — ele perguntou, confuso.

— O Cristian é gay.

— Ah... mas... sério? — ele ficou surpreso. — Ele nunca me falou.

— Porque as pessoas não precisam falar sobre suas vidas afetivas. — Dulce respondeu, descontraída.

— Certo. — Christopher sorriu, ainda surpreso, mas divertido.

A conversa seguiu, leve, enquanto falavam sobre Isa e como estavam suas vidas. Dulce percebeu então que também queria saber mais sobre ele.

— E você, Uckermann? Tem alguém? — perguntou, sincera, olhando diretamente nos olhos dele.

— Eu sou médico... vivi só pra estudar e agora só pra trabalhar. — Ele riu levemente, meio sem jeito, mas com sinceridade. — E também... voltei pra cidade há menos de um mês, Dul. A única pessoa que sei que tenho é a nossa menina.

Dulce sentiu uma onda de emoção ao ouvir isso. Um calor no peito que ela tentou disfarçar, mas não conseguiu evitar o sorriso.

— Vamos... bom, vamos marcar um almoço ou um jantar. Pra você conhecer melhor ela. O que acha? — ela perguntou, com esperança na voz.

— Acho perfeito. Amanhã é sábado e não estou de plantão. Então se você puder... — respondeu, com entusiasmo contido, tentando não demonstrar o quanto estava ansioso.

— Claro! Fica ótimo. Vou falar com o Cristian hoje sobre ser na casa dele, assim ficamos todos mais à vontade.

— Ok. Você me liga? — Ele perguntou enquanto caminhavam para a saída do restaurante, a ansiedade evidente na voz.

— Ligo. Ou mando uma mensagem. — Dulce sorriu, tranquila, sentindo a leveza de finalmente esclarecer tudo.

Eles se despediram apenas com palavras, mas o silêncio que se seguiu estava carregado de sentimentos. Dulce voltou para a casa de Cristian com o coração mais leve, feliz por ter esclarecido tudo com o pai da filha.

Christopher, por sua vez, caminhava pelo corredor do restaurante, sentindo que finalmente a vida lhe dava uma segunda chance. Ele ainda não tinha tido tempo de estar com Isadora, mas agora sabia que poderia fazer tudo certo — aproveitar cada momento, abraçar, ensinar, amar... e finalmente construir a família que o destino parecia ter adiado por tanto tempo.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora