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Alguns minutos depois, Christopher já havia lido partes do prontuário de Blanca. As informações médicas estavam claras, objetivas, frias.

Mas sua mente não estava ali.

Estava no corredor.
Nos olhos de Dulce.
Na menina de mãos dadas com ela.

Ele passou a mão pelo rosto, inquieto.

Precisava de respostas.

Foi até sua sala, fechou a porta, pegou o celular e discou um número que sabia de cor.

— Alô?

— Cris... é o Ucker.

— E aí, cara! — a voz de Cristian soou animada. — Você falou que tinha voltado, mas a gente nem conseguiu conversar direito.

— Voltei faz duas semanas. Ainda tô organizando tudo. Apartamento novo, rotina no hospital... — fez uma pausa. — Vamos tomar uma cerveja qualquer dia.

— Claro. Quando você quiser. — Cristian respondeu, mas havia algo diferente na voz. — Como você tá?

Christopher respirou fundo.

— Confuso. — admitiu. — Eu acho que vi a Dulce hoje. Você sabe de alguma coisa?

Houve um pequeno silêncio do outro lado da linha.

— Ah... sim. — respondeu, fingindo casualidade. — Ela chegou faz dois dias.

— Chegou de onde?

O tom de Uckermann ficou mais atento. Algo dizia que havia mais naquela história.

— De Milão. Ela morava lá.

Christopher franziu o cenho.

— Milão?

Cristian hesitou antes de continuar.

— Olha, Ucker... vocês têm muita coisa pra conversar. Têm uma história. Eu não quero ser um amigo ruim pra nenhum dos dois. — suspirou. — Mas posso te dizer que ela... e a filha dela estão na minha casa.

Silêncio.

Pesado.

— Filha? — a palavra saiu baixa. — Então... a garotinha que eu vi é filha dela.

Não era exatamente uma pergunta.

Era uma constatação.

— Então ela casou? — completou, o coração acelerando.

— Cara... vocês dois precisam conversar. Eu não posso sair contando a vida da Dulce.

Christopher passou a mão na nuca, inquieto.

— Que idade tem a menina?

Cristian respirou fundo.

— Ucker... eu moro no mesmo lugar de sempre. — respondeu, direto. — Elas estão lá.

A mensagem era clara.

Se queria respostas, teria que ir buscar.

Christopher ficou alguns segundos em silêncio, organizando os pensamentos.

— Posso ir aí hoje no fim da tarde?

— Pode. — respondeu Cristian. — Mas se você falar pra ela que eu te chamei... eu juro que esmago essa sua cara de galã.

Os dois riram.

Era bom perceber que, apesar de tudo, a amizade permanecia intacta.

— Relaxa. Eu não vou te entregar. — respondeu Ucker.

Desligaram.

Mas, assim que o celular saiu da orelha, o sorriso de Christopher desapareceu.

Dulce estava de volta.
Com uma filha.

Ela estava casada?
Quem era o pai?
Ela o havia esquecido tão rápido assim?
Ou...

O pensamento veio como um choque.

E se aquela menina fosse sua filha?

Ele fez as contas mentalmente.

Cinco anos.

Dulce sumiu sem explicação.

E-mails nunca respondidos.
Chamadas que nunca aconteceram.
Silêncio absoluto.

O coração começou a bater mais forte.

Se aquela menina fosse dele...

Ele fechou os olhos por um segundo.

No fim da tarde, descobriria.

E sua vida poderia mudar de novo.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora