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— E aí... como foi lá? — perguntou Cristian assim que Dulce entrou.

Ela fechou a porta devagar, como se ainda estivesse deixando o hospital para trás.

— Ah... — suspirou, sentando-se ao lado dele no sofá. — Ela tá péssima, Cris. Muito frágil. — Fez uma pausa. — E arrependida de tudo.

Os olhos ficaram marejados outra vez.

— E a Isa? — perguntou, tentando mudar o foco.

— Tá tirando uma soneca. — Ele sorriu de leve. — Prometi que vamos ver um filme e pedir pizza pra janta.

Dulce esboçou um sorriso.

— Você vai estragar minha filha assim.

Mas Cristian percebeu. O sorriso não chegava aos olhos.

— O que aconteceu lá? — perguntou com cuidado. — O que você tá sentindo depois de ver sua mãe?

Dulce apoiou a cabeça no encosto do sofá e ficou alguns segundos em silêncio.

— Tristeza... — respondeu, finalmente. — Muita tristeza por ver ela daquele jeito. — Respirou fundo. — E frustração também. Não vou mentir.

Cristian permaneceu quieto, apenas ouvindo.

— Ela dizer que está arrependida... — Dulce continuou, com a voz baixa — me faz pensar em como tudo poderia ter sido diferente. Se ela não tivesse feito o que fez... talvez nada disso tivesse acontecido. Teria sido muito mais fácil viver... do que se arrepender depois.

— Com certeza. — Ele concordou. — Você e o Ucker estariam juntos. Você não teria ido embora.

Dulce sorriu de leve, pensativa.

— O Ucker... — murmurou. — Será que a gente estaria mesmo junto?

Cristian soltou uma risada curta.

— Você tem dúvida? Vocês eram o casal mais meloso da escola. Chegava a ser irritante.

Ela riu, e ele também.

O clima ficou mais leve por alguns segundos.

— Você ainda sente tudo que sentia por ele? — Cristian perguntou, mais sério. — Não esqueceu, né?

Dulce inclinou a cabeça, pensativa.

— Eu tenho uma miniatura dele comigo todos os dias. — Sorriu. — A Isadora é o Christopher versão menina. Como esquecer?

Cristian balançou a cabeça, concordando.

— Eles nem se conhecem e ela já é mais parecida com ele do que com você. Hoje ela me pediu pra ir na praça andar de skate.

Dulce arregalou os olhos.

— Ah, o skate! — reclamou. — Já falei que só anda de capacete, joelheira e cotoveleira. Eu lembro muito bem o quanto o pai dela se machucava caindo sem proteção.

Cristian riu.

— Você vai apresentar os dois?

O sorriso dela ficou mais determinado.

— Vou. — Disse firme. — É uma das coisas que eu preciso fazer logo. Amanhã levo a Isa pra conhecer minha mãe. Também quero ver um apartamento perto daqui, vi um anúncio interessante... e ainda essa semana eu vou atrás dele.

— Você sabe que pode ficar aqui o tempo que precisar.

Dulce olhou para ele com gratidão.

— Eu sei, Cris. Obrigada.

Ficaram ali conversando por mais algum tempo, relembrando histórias antigas, tentando fingir que tudo estava simples.

Até que passos pequenos e sonolentos surgiram no corredor.

— Mamãeeeee...

Isadora apareceu descabelada, abraçando a própria pelúcia.

— Minha princesa acordou! — Cristian abriu os braços.

Em segundos, a sala se encheu de risadas, perguntas e energia.

E, como prometido, à noite teve pizza, filme escolhido depois de muita discussão e uma criança feliz entre os dois adultos que, mesmo carregando o peso do passado, ainda conseguiam sorrir.

Mas, enquanto observava a filha rir, Dulce sabia:

A semana que começava mudaria tudo.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora