— Como foi? — Cristian perguntou, voltando da cozinha e notando que Ucker já havia ido embora. Dulce estava no sofá, com rímel borrado pelo rosto, denunciando o quanto havia chorado.
— Me passa o número do telefone dele, Cris? — ela pediu, a voz rouca.
— Pelo jeito, nem deu pra brigar muito, né? — ele observou com cuidado, percebendo o cansaço e a tensão da amiga.
Dulce sorriu levemente, tentando disfarçar.
— Nem deu tempo de brigar, mas não é pra isso que quero falar com ele. Quero fazer tudo certo, pela Isa. Amanhã, mais tranquila, vou ligar.
Cristian observava a menina distraída brincando na sala.
— Você contou? — perguntou, curioso.
— E precisa? — Dulce respondeu, quase com um sorriso triste. — Ele viu o rosto dela. E provavelmente se vê no espelho todos os dias. — Ela suspirou. — Ele ficou muito, muito puto comigo mesmo.
— Nenhum de vocês teve culpa — opinou Cristian. — Vocês tentaram. Ele esperou você. Quando você conseguiu voltar, ele já não podia mais esperar...
Dulce olhou para Isadora, tão viva, tão cheia de energia, e sorriu.
— A Isa me disse que achou o "homem bonito" que veio me visitar muito legal.
— Ah... — Dulce riu, imaginando a filha falando aquelas palavras com a inocência e sinceridade que só uma criança tem.
— O Ucker é galã. Não tem o que fazer. — Cristian sorriu, abanando a cabeça.
— Ele usa o mesmo perfume, Cris... — reclamou, deitando a cabeça no colo do amigo. — É injusto... ele está tão bonito, tão... meu.
Em poucos minutos, Dulce adormeceu no sofá, exausta, deixando as dores da noite escaparem pelo cansaço. Cristian acariciava os cabelos dela, silencioso, guardando cada detalhe daquele momento. Nos sonhos, Ucker estava presente a noite toda, como se o tempo não tivesse passado.
Quando acordou, a primeira coisa que viu foi o fruto do amor que um dia existiu entre eles: Isadora, radiante e feliz, brincando no tapete da sala.
A alegria da filha deu força a Dulce. Respirou fundo, segurou a determinação no peito e decidiu que era hora de agir. Pegou o celular e ligou para Ucker logo cedo.
— Alô?
— Oi... É a Dulce. — disse baixinho, quase sem fôlego.
— Oi. — ele respondeu, suspirando do outro lado da linha.
— Sei que você não deve querer falar comigo... mas... acho que precisamos conversar. Com calma. Ouvir um ao outro.
— Eu também acho. — respondeu ele, firme e contido.
— Você pode almoçar hoje? — propôs ela, tentando manter a voz tranquila.
— Posso. Tem um restaurante próximo do hospital. — respondeu ele.
— Ok. — Dulce anotou. Confirmaram horário e endereço.
— Dulce! — ele chamou antes que ela desligasse. — Você... vai levar ela?
— Na verdade, não. Quero ter uma conversa de adultos com você. — explicou ela, respirando fundo. — Se você não se importar, pode vir na casa do Cris depois, ou marcamos algo pra você ficar mais tempo com ela... se aproximar.
— Ok. — ele respondeu, com uma pausa que dizia muito mais do que palavras poderiam.
Christopher desligou, sentindo algo intenso tomar conta dele. Era medo, saudade, culpa e, acima de tudo, desejo de estar perto, mesmo que fosse apenas observando Isadora.
Ele não sabia como lidar com aquilo, mas já sabia que não conseguiria se afastar novamente.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)
FanficDulce e Christopher eram um casal apaixonado, mas devido ao destino, com a ajuda de Blanca, os dois não se veem há quase 5 anos. Quando se reencontram ele descobre que ela carregava uma parte dele consigo.
