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Isadora acordou empolgada com a ideia de conhecer Blanca.

Dulce, por outro lado, carregava um aperto no peito. Tinha medo de como a filha reagiria ao entrar em um hospital. Medo de como reagiria ao ver Blanca naquele estado. Mas também sabia que Isadora era esperta, sensível — e talvez atravessasse aquela situação com mais leveza do que ela mesma.

— Como é o nome da moça que eu vou conhecer, mamãe? — perguntou Isa, pulando na cama enquanto colocava os tênis.

Dulce sorriu.

— É Blanca. — respondeu com suavidade. — Ela é sua avó. A filha dela... sou eu.

Isadora franziu a testa.

— Eu não sabia que mamães tinham mamães.

A frase fez Dulce engolir seco.

Ela nunca falara sobre Blanca. Parte por mágoa. Parte por proteção. Não queria que a filha crescesse carregando ressentimentos que não eram dela.

Dulce se abaixou na frente da menina e segurou seu rosto pequeno entre as mãos.

— Pois acredite, boneca... mamães têm mamães, sim. — sorriu e fez cócegas nela. — Agora vamos dar um beijo no tio Cristian antes de irmos, senão a gente perde o horário da visita.

Isadora saiu correndo pelo corredor.

— Tiooooo!

Minutos depois, as duas estavam a caminho do hospital, que ficava a poucas quadras dali.

Assim que entraram, Dulce foi direto à recepção que já conhecia. Receberam autorização e seguiram pelo corredor em direção ao quarto.

Foi nesse momento que, a poucos metros dali, Christopher parou.

Congelou.

Ele vinha no sentido oposto quando a viu.

Dulce.

Ela já não tinha os cabelos vermelhos como antes. Mas o olhar... era o mesmo. Intenso. Marcante. O jeito de andar. O sorriso.

Um sorriso que naquele instante era dedicado à garotinha que segurava sua mão.

O mundo ao redor pareceu desaparecer.

Christopher sentiu o coração bater descompassado.

Cinco anos.

Cinco anos sem notícias. Sem respostas. Sem explicação.

E agora ela estava ali.

Com uma criança.

Ele não se aproximou. Não conseguiu. Faltavam palavras. Faltava ar.

Ficou parado, observando enquanto ela se afastava pelo corredor.

A cabeça virou um turbilhão.

Onde ela esteve todo esse tempo?
Ela estava feliz?
Estava casada?
Aquela menina era filha dela?

Aquela menina...

Sentiu um aperto estranho no peito ao notar a semelhança no formato do rosto, no jeito de inclinar a cabeça enquanto ouvia a mãe falar.

Quando conseguiu, finalmente, mover as pernas, virou na direção oposta.

Precisava de informações. Precisava entender.

Alguns minutos depois, já mais recomposto, foi até os prontuários.

Descobriu que a paciente que Dulce visitava era Blanca.

Estágio final de câncer.

Sem possibilidade de cura. Apenas cuidados paliativos.

Christopher fechou os olhos por um instante.

Ele se lembrava bem de dona Blanca. Da postura rígida. Da exigência constante. Do sonho frustrado de ser modelo que projetava na filha.

Não tinha boas recordações da ex-sogra.

Mas também não desejava aquela situação a ninguém.

Muito menos sendo médico.

Ele respirou fundo.

Dulce estava ali.
Com uma menina.
Visitando a mãe moribunda.

E ele não fazia ideia de como — ou se — deveria atravessar aquela porta.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora