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5 anos depois

Cinco anos haviam passado.

Dulce recebeu, há dois dias, a notícia que fez seu mundo girar outra vez: sua mãe estava internada em estado terminal. O câncer, que antes estava restrito ao pulmão, havia se espalhado agressivamente pelo corpo de Blanca. Os médicos, sem alternativas, entraram em contato com a única familiar registrada — a filha que morava na Itália há cinco anos.

Cinco anos.

Desde o dia em que Dulce revelou a gravidez.

Blanca não aceitara. Não discutiu, não acolheu, não ouviu. Ordenou. Obrigou. Levou a filha até uma clínica para interromper a gestação.

Mas Dulce não abortou.

No mesmo dia, embarcaram para Milão. O que deveria ser uma viagem virou prisão. Blanca manteve a própria filha em cárcere privado por quase um mês — vigiada, sem celular, sem computador, sem qualquer contato externo — até descobrir que Dulce não havia feito o aborto.

Foi embora no mesmo instante.

Deixou a filha sozinha em um país estrangeiro, grávida.

Antes de partir, as palavras que ainda ecoavam na memória de Dulce como uma ferida aberta:

"Você não é minha filha. E essa criança que você espera também não é nada minha. Não me procure mais, Dulce."

Dulce sofreu por dias. Chorou até sentir o corpo doer. Mas havia algo que doía ainda mais.

Christopher.

Desde que contou à mãe sobre a gravidez, foi proibida de sair, teve o celular e o computador recolhidos. Ficou incomunicável. Quando finalmente conseguiu voltar para contar a ele pessoalmente, já era tarde.

Christopher havia ido para os Estados Unidos, morar com os pais e concluir os estudos.

Dulce enviou e-mails. Mensagens. Tentou redes sociais. Nada.

Talvez ele tivesse trocado de número. Talvez estivesse ocupado. Talvez... não quisesse responder.

Por muito tempo, ela usou o e-mail como um diário. Escrevia contando sobre os chutes da bebê, sobre os exames, sobre o medo, sobre a saudade. Escrevia como se ele estivesse lendo.

Mas ele nunca respondeu.

E agora, quase cinco anos depois, Dulce voltava. Com a filha pela mão. Voltava para cuidar da mãe que as havia renegado.

No fundo, sentia como se estivesse retornando ao mesmo lugar de onde jamais deveria ter saído.

O aeroporto estava movimentado. Dulce segurava firme a pequena mão de Isadora, mas a menina tinha energia demais para caber em si.

— Tio Crissss! — Isadora gritou ao reconhecer o homem parado mais à frente.

Soltou-se da mãe e saiu correndo.

Dulce levou a mão ao peito.

— Isa, cuidado!

Cristian se abaixou no momento exato em que a menina se jogou em seus braços.

— Princesa! — ele riu, levantando-a no colo. — Como você cresceu! Já está uma mocinha!

Isadora gargalhou.

— Eu faço cinco esse ano, tio!

— Cinco? Não pode ser! Eu jurava que você tinha três ainda.

Dulce se aproximou, observando a cena com os olhos marejados.

Cristian levantou o olhar para ela.

— E você, Dul... — Ele abriu os braços.

Ela se permitiu aquele abraço. Forte. Seguro. Amigo.

— Oi, Cris... Que saudade.

Ele sentiu o peso na respiração dela.

— Você tá bem?

Dulce tentou sorrir.

— Eu não sei.

Cristian segurou os ombros dela com delicadeza.

— Vai ficar.

Houve um pequeno silêncio.

Ele então olhou em volta, como se medisse as palavras.

A voz saiu mais baixa.

— Você não vai acreditar em quem eu encontrei no caminho pra cá.

O coração de Dulce falhou uma batida.

— Quem?

Cristian sustentou o olhar dela por um segundo a mais.

— Christopher.

O mundo pareceu parar.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora