Cristian conseguiu raciocinar rápido e chamou Isadora para ir até a pracinha do condomínio, dizendo que achava que estavam doando filhotes.
A menina foi, embora relutante, pois queria ficar ali, perto do novo amigo que mal conhecia, mas já gostava.
Dulce permaneceu em silêncio, apenas se despediu da filha e pediu para que tivesse cuidado nas brincadeiras.
Assim que ficaram sozinhos, Christopher quebrou o silêncio, com a voz baixa, quase hesitante:
— Eu vi você no hospital. Eu trabalho lá...
— Ah... é a minha mãe. — Dulce respondeu, finalmente olhando nos olhos dele, aqueles mesmos olhos que, antes do nascimento de Isadora, eram os seus favoritos no mundo. — Ela tem câncer. Está em estado terminal.
Christopher respirou fundo, a emoção apertando o peito.
— Sinto muito... Se houver algo que eu possa fazer por ela, por favor, me avise.
— Obrigada. — Dulce sorriu levemente e desviou o olhar.
— Dulce... a Isadora...
— É minha filha. — respondeu seca. Sabia que ele queria ouvir isso, mas não queria facilitar.
— Porque ela se parece comigo? — perguntou no mesmo tom, tentando controlar a voz.
— Você tá falando sério, Christopher? Por favor! — ela virou as costas, mas ele segurou seu braço.
— Porque a sua filha se parece comigo? — rosnou, segurando firme.
— Me solta! Você tá apertando meu braço! — ela gritou, e ele a soltou rapidamente.
— Ela é minha filha? — perguntou, quase em sussurro, mas com o peso de anos de espera.
Dulce ficou em silêncio. Os olhos cheios de lágrimas falaram por ela.
— Caralho, Dulce... — Christopher murmurou, a voz quebrada. — Ela é minha filha.
— Não. — os olhares se encontraram, tensos, carregados de anos de ausência.
— Sim. — ela finalmente confessou, olhando para baixo, ainda perto o suficiente para sentir a respiração dele, tensa e irritada.
— Porra! — ele se afastou, encostando-se na parede para não cair. — Eu tenho uma filha. Você... por quê você...
— Você foi embora pra Boston... Eu vim contar. — ela respondeu, tentando controlar o choro.
— Mentira! — ele gritou, a raiva misturada à dor. — Eu esperei duas semanas por você. Igual a um idiota!
— Minha mãe me levou pra Milão, sem celular, sem internet... Voltei um mês depois. Você já tinha ido. Sem ao menos deixar um número.
— Por quê? — Ele tinha um misto de mágoa e raiva nos olhos, incapaz de ouvir as desculpas.
— Ela queria que eu abortasse... Me levou pra longe de você. Eu precisei proteger a minha filha.
— Por que você não me contou que eu sou pai? — ele gritou, se aproximando de novo.
— Porque você não estava mais aqui! — ela gritou, encarando-o.
— Foda-se! — ele explodiu. — Você tinha que ir atrás de mim! Eu tinha o direito! Ela tem o direito de saber que tem pai... Porra!
— Eu tentei ligar! — Dulce gritou, as lágrimas caindo agora livremente. — Eu vim atrás de você! Mandei e-mails todos os dias durante dois anos! — Ela o encarava, tremendo, exausta. — Dois anos, Christopher! E você vem me falar em direitos?
O silêncio caiu pesado entre eles. Christopher apenas a encarou, notando cada tremor, cada gesto dela.
— Eu... — ele respirou fundo, a raiva e a dor brigando dentro dele. — Eu vou embora. Preciso... preciso ficar sozinho.
Ele olhou para ela uma última vez, os olhos cheios de conflito, e antes de se afastar, disse, baixo, mas firme:
— Mas... eu vou querer ver ela.
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Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)
FanficDulce e Christopher eram um casal apaixonado, mas devido ao destino, com a ajuda de Blanca, os dois não se veem há quase 5 anos. Quando se reencontram ele descobre que ela carregava uma parte dele consigo.
