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A cara de sono de Ucker não negava que ele havia dormido poucas horas.
- Bom dia. Vamos tomar café pra ver se você acorda. - disse Dulce ao vê-lo na porta.
- Eu não tô com sono. - respondeu ele, dando um selinho de surpresa.
- Uckermann! - reclamou Dulce, sorrindo ao mesmo tempo.

Ela queria gritar pro mundo muitas coisas, mas não queria confundir a filha nem trocar os pés pelas mãos. Isadora correu até a sala ao ouvir Ucker chegar, radiante.

Os três tomaram um café da manhã animado e logo seguiram para o parque. Ucker e Isa levaram seus skates, e Dulce os observava com um misto de alegria e preocupação, tentando não imaginar nenhum tombo. Mas a ligação entre pai e filha era evidente, sem explicação, natural e emocionante.
- Isa, você gostaria de conhecer seu papai, filha?

Dulce surpreendeu Ucker ao perguntar, aproximando-se com cuidado para que Isadora se sentisse segura.
- Simm! Muito! - respondeu a menina animada.
- E como você imagina que ele seja? - perguntou Dulce, observando a reação de Christopher.
- Bonito, você sempre fala que ele é muito bonito, né mamãe? - respondeu Isa, sorrindo. Ucker sorriu convencido e Dulce fez uma careta, divertida.
- Isa... - Dulce a repreendeu levemente. - Como você imagina ele, filha?
- Bonito e legal, que anda de skate comigo, que nem o tio Ucker. - completou, olhando para o pai com admiração.

Dulce e Christopher congelaram por alguns segundos, mas logo sorriram. Dulce incentivou o pai com um olhar, preparando o momento.
- E se eu fosse o seu pai? - perguntou rouco, emocionado.
- Ia! - respondeu Isa, pulando de alegria. - Muito!
- Eu sou... minha filha. - ele disse, sem conseguir conter as lágrimas, agachando na frente dela. - Eu sou seu pai, Isa.
- Você é o meu papai? - perguntou ela, sorrindo com os olhos brilhando. - É verdade, mamãe? - olhou para Dulce, que chorava de emoção e apenas assentiu.
- E vocês estão tristes? - Isa colocou as mãos na cintura, tentando entender.
- Não, meu anjo, estamos muito felizes. - disse Dulce, sorrindo entre lágrimas.
- Então não chorem. - explicou a menina, com toda a doçura de quem percebe a importância daquele momento. - Se agora eu tenho um papai, a gente tem que ficar feliz.
- Me dá um abraço, Isa? - pediu Ucker, secando as próprias lágrimas.
- Claro... tio Uc... papai! - ela abriu os braços pequenos e se jogou nos dele.

Ucker a segurou com força, sentindo a necessidade de não deixá-la escapar, de estar presente em cada instante. O coração dele transbordava ao perceber que, mesmo conhecendo-a há tão pouco, Isa já era dona de uma parte dele que nunca existiu antes. E naquele abraço, tudo finalmente fazia sentido.

Nossa menina - VONDY (REESCRITA 2026)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora