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Madison

Ele achava mesmo que me podia dispensar assim? Que raiva.

Ouvi rumores de um jantar com colaboradores da empresa e graças a uma pequena ajuda consegui convencer o segurança da quinta a deixar-me entrar.

Procurei o Kyle no meio da multidão e encontrei-o a dirigir-se para a saída. Agarrei rapidamente o seu braço e puxei-o para um dos cantos da sala, perto de uns sofás.

– O que estás aqui a fazer? – Ele parecia irritado, mas eu ignorei. Mordi o lábio. Ficava cheia de calor quando ele ficava com raiva.

– Eu vim ver-te. – Encolhi os ombros e tentei colocar os braços à volta do seu pescoço, sendo impedida por ele. Bufei. – Ah, vá lá, Kyle. Eu sei que me queres.

– Não, não quero. – Senti-me humilhada pela sua reposta. Ele era meu, mas estava confuso por causa daquela idiota da Zoe. Ela arruinava sempre tudo.

Senti os meus olhos ferverem de raiva quando a vi ao longe no meio da multidão. Só queria que ela desaparecesse de uma vez por todas. O Kyle amava-me, mas ela tinha que se meter sempre no meio. Mas ia acabar tudo. Porque ela ia perceber que era a mim que ele me amava.

Puxei-o rapidamente e colei os meus lábios aos dele. Ele tentou resistir e fugir ao meu toque, mas eu agarrei firmemente o seu rosto.

– Larga-me! – Ele soltou-se de mim. Algumas pessoas olharam, mas ninguém se aproximou de nós.

Eu sorri vitoriosa ao ver os olhos da Zoe cheios de lágrimas. Acho que ela tinha finalmente percebido quem era a mulher da vida do Kyle.

Zoe

Quis vomitar ao ver aquela cena. As minhas pernas ficaram bambas e eu tive que segurar as minhas lágrimas.

O olhar do Kyle cruzou-se com o meu e ele afastou rapidamente a Madison. Senti ânsia de vómito e corro para a primeira pessoa que me lembrei.

– Michael. – Chamei, mordendo o lábio para conter as lágrimas. – Leva-me para casa. Por favor.

Ele franziu a testa e despediu-se das pessoas com quem falava, seguindo-me até à porta.

– O que se passa? – Ele perguntou, colocando amigavelmente a mão nas minhas costas.

– Zoe. – O Kyle correu para a nossa beira. – Zoe, por favor. Vamos falar.

– Eu... Eu vou preparar o carro. – O Michael saiu, e eu comecei a caminhar em direção à saída.

– Zoe, espera. – Ele correu atrás de mim e eu ignorei. Senti a sua mão agarrar o meu braço e eu soltei-me dele com um movimento brusco.

– Deixa-me. Seu porco. – Uma lágrima escorreu pela minha face e eu limpei-a rapidamente, amaldiçoando-me por estar a chorar à frente dele.

– Ela beijou-me. Mas eu afastei-me logo dela.

Gargalhei alto, chamando a atenção de algumas pessoas que fumavam na relva.

– Claro! Pelo amor de Deus, Kyle.

– É verdade. – Defendeu-se, e eu enfureci-me mais.

– Claro que é! Qual era a tua ideia, Kyle? Ias ficar comigo na casa de banho e depois ias ficar com a Madison? Que nojo! – Olhei para a porta, vendo a Madison sorrir na minha direção. Mordi o interior da minha bochecha, tentando acalmar-me.

– Claro que não! Eu não era capaz de te fazer uma coisa dessas!

– E achas mesmo que eu vou acreditar nisso? Depois do que me fizeste? Depois do que eu vi? – Gesticulei. – Meu Deus, eu tenho nojo de ti! E de mim por ter quase caído nisso mais uma vez.

– Zoe... Não digas isso... – Ele sussurrou, e uma lágrima escorreu pela sua face.

O meu coração apertou. Odiava vê-lo chorar. Mas ele tinha a Madison para o reconfortar. Ela ainda sorria, começando a aproximar-se de nós. Controlei-me para não a agarrar pelos cabelos ali mesmo.

– Ah, Kyle. Não sejas tão bonzinho. – Ela pousou a mão no seu ombro e ele afastou-se dela com um movimento brusco. Ela riu. – Ainda estás aqui? – Ela dirigiu-se a mim.

Senti-me mais uma vez humilhada por ela, mas segurei o choro e suspirei aliviada ao ouvir o motor de um carro atrás de mim.

– Eu estou a ir já. Parabéns ao casal. Vocês merecem-se mesmo. – O Kyle ficou paralisado, e eu saí de lá o mais depressa possível, nem olhando para trás.

– Estás bem? – Perguntou o Michael e eu limpei as lágrimas, olhando pela janela do carro.

– Estou, Michael. Obrigada. – Forcei um sorriso e ele apenas assentiu, focando-se na estrada.

– Onde queres que te leve? – Perguntou, simpático.

– Para casa, se possível. – Expliquei onde morava e ele deixou-me lá.

Ele era muito simpático. Sempre sorridente e carinhoso comigo. Demonstrou-se muito preocupado comigo e ouviu-me sem me julgar. Não lhe contei a história toda, mas ele não insistiu comigo.

– Obrigada mais uma vez, Michael.

– Não tens que agradecer. – Sorriu para mim. – Já guardei o teu número. Podemos ir tomar um café um dia destes e desabafar.

Apenas assenti. Ele era um bom amigo.

Quando saí do carro, arrepiei-me pelo veio que se fazia sentir. Mal subi e entrei em casa, deixei-me chorar. Deixei que a raiva e a tristeza saíssem em forma de lágrimas e depois deixei uma mensagem à Skylar a explicar resumidamente tudo.

Não consegui dormir nada naquela noite.

SunshineOnde histórias criam vida. Descubra agora