Capítulo 10

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Pronta para ir embora do hospital com Helen nos braços, Rachel ainda recebia algumas visitas. Algumas esperadas e gratas, uma completamente surpreendente. A maternidade do hospital esteve movimentada.

 - Como seu advogado, Rachel, devo informá-la de que a juíza Clare Parker está aí na porta e deseja conversar com você. Ela solicitou esse encontro antes de lhe dar o parecer.

- O que sabemos dela? – Rachel perguntou. Informação era sempre uma vantagem.

- Pouco. É honesta, casada e mãe de três filhos. E tem quase trinta anos de carreira. Não será fácil enganá-la e convencê-la de que está regenerada.

- Mas agora? Aqui? – Neal surpreendeu-se.

- Sim.

- Vocês dois saiam. – Rachel orientou-os depois de beijar levemente os lábios do marido. – Deixem eu me arrumar primeiro. – Preparem a mala de Helen. No que depender de mim, Clare deixará esse hospital exaltando minha recuperação. 

Enquanto se arrumava, Rachel fazia uma lista mental de coisas a fazer e esconder. Não podia perder o foco em seus objetivos. Ela e Neal arriscaram sua paz para retornar ao EUA. Ela passou o fim da sua gravidez encarcerada, sem ter Neal e George. Agora era sua chance. Precisava lançar mão de todo deu poder de convencimento para, no final, alcançar seus objetivos. E eles eram claros: livrar-se das algemas, descobrir os segredos do próprio passado, ajudar Neal a encontrar a própria família e, finalmente, por as mãos em seu diamante. É claro que nada disso estaria na versão para Clare Parker.

Quando entrou, Parker encontrou uma mulher propositalmente pálida. Para que passar maquiagem quando fragilidade era exatamente do que precisava transparecer? Seus olhos muito azuis eram destacados pelos cabelos vermelhos e brilhantes. Por fim, o sorriso doce coroava a encenação. 

- Bom dia, excelentíssima. É um prazer conhecê-la.

 Nas décadas de trabalho junto a bandidos Clare tinha conhecido muitos elementos ligados ao crime. Alguns eram apenas inconsequentes, outros, maus na essência. Mas poucos tinham as características perigosas e atraentes que agora observava em Rachel Turner. Há meses tinha sobre sua mesa aquela decisão. E não estava apenas protelando, como alguns poderiam pensar. Estivera estudando a mulher à sua frente. Ela tinha beleza, inteligência e controle emocional assustadores. Seu caso era estranho, surpreendente e até perturbador. A assassina cruel deveria passar a vida atrás das grades. A mãe dedicada merecia o convívio familiar. Seria simples se aquelas duas não fossem, na realidade, apenas uma. Clare provavelmente adiaria aquela decisão por mais algum tempo, mas foi impedida por uma pressão política. Ao que parecia, gente grande queria Rachel na rua. Então, antes de tomar sua decisão, veio conversar com a condenada. 

- Vamos direto ao ponto, Rachel. – Ela era realmente sedutora e convincente. Precisava ver atrás daquela falsa verde e descobrir se havia alguma sinceridade em Rachel. – Eu sei que você quer deixar a cadeia. E sei que muitos a desejam livre. Minha dúvida é se você consegue viver em sociedade respeitando a vida e as gregas sociais. O que tem a me dizer?

 Rachel não esperava uma abordagem tão direta e franca. Desejou conhecer melhor essa juíza e, principalmente, saber o quanto ela lhe conhecia. Seu instinto dizia para manter o alerta no máximo.

 - Eu convivi muito bem em sociedade quando trabalhei no FBI, não sou um monstro. Foi Joseph Harabo quem acabou com tudo quando matou minha filha e me jogou no inferno novamente.

- Sim, você passou por uma situação traumática.

- Não. Eu fui ao inferno e uma parte de mim ficou lá no dia em que, com a ajuda de uma barra de ferro, Harabo arrancou Lis dos meus braços. – Àquela conversa tinha o objetivo de convencer Clare, mas o sentimento era verdadeiro. Nunca se esqueceria daquela dor. – Minha filha está enterrada aqui. Assim que eu sair da cadeia, se sair, é o túmulo dela o primeiro lugar aonde irei.

Diaba Ruiva: Passado ReveladoLa tua prossima ossessione. Scoprilo ora