Confusão. Dormência no corpo. Olhos nebulosos. Mente confusa. Neal precisou de esforço para lembrar-se do que tinha acontecido. Estar amarrado e amordaçado num lugar escuro facilitou a tarefa. Estava no arquivo do FBI guardando documentos quando um grande estrondo foi ouvido. Quando pensou em reagir e ir descobrir o que se passava, sentiu seus músculos se contraírem. Foi ao chão instantaneamente, sem forças para gritar ou tentar escapar. De relance pode ver seu algoz, vestindo roupas claras e uma máscara no rosto. Impossível reconhecê-lo.
- Quem é você?
- Calado!
Não houve alternativa à obedecer. Ele apagou enquanto sentia seu corpo sendo arrastado. Quanto tempo se passou? Onde estava? Quem? Por quê? Eram dúvidas demais. E, a mais importante delas, quando viriam soltá-lo? Afinal, seus braços já estavam bem doloridos por ficar amarrado naquela incômoda posição.
O barulho do metal rangendo o alertou para a chegada de mais alguém. Passos lentos. Alguém o observava à distância. Ele percebia, sentia, mas não conseguia ver nada na escuridão. A sensação de vulnerabilidade fazia seu coração disparar. Há anos não se sentia tão solitário e em perigo. Somente uma certeza o tranquilizava: se estava vivo, era porque tinha alguma serventia ao seu sequestrador. Restava saber qual.
Quanto de uma única vez as luzes se acenderam, Neal percebeu estar preso dentro de uma imensa cela gradeada. Cercado por barras de ferro, nem adiantava tentar soltar os braços. Não tinha chance alguma de escapar. Passou então a ouvir passos mais firmes e ágeis contra o chão de cimento. Até que um homem alto, forte e grisalho postou-se à sua frente, numa distância segura da grade. Aquele rosto era conhecido. Thomas Carter.
- Deu trabalho te colocar aí, Neal. Espero que você faça valer o meu esforço.
Neal teve de dar algum crédito ao inglês. Entrar no FBI é algo para gente ousada, ou louca. Ainda assim, não era um demente ali na sua frente. Thomas Carter era tudo menos louco. Provavelmente antecipou os passos do FBI ou, ainda pior, guiou as investigações como bem preferiu.
- Vou deixar você falar, Neal. Mas sem gritos, por favor. James...tire a mordaça de Neal. Ele irá de comportar.
Neal sequer tinha visto o outro homem. Também pudera, ele não tinha importância nenhuma mesmo. Estava ali para obedecer. Não passava de um empregado de Thomas. Calmamente o homem ainda jovem abriu a cela, guardou a chave no bolso e aproximou-se de sua cadeira antes de puxar o pano que lhe cobria a boca. Neal mexeu o maxilar enquanto pensava se tinha alguma chance de derrubar James. Não tinha...a menos que lhe soltassem os pulsos e isso não parecia nos planos.
- Finalmente frente a frente, Carter. Cheguei a pensar que você fosse um fantasma. – Neal provocou-o enquanto via o comparsa voltar a sair de sua cela calmamente. – Mas eu preferiria se você tivesse usado de maior diplomacia. Podia ter me convidado para uma taça de vinho, não precisava invadir o FBI.
- Sempre espirituoso, Sr. Caffrey. Mas, com todo o respeito, se fosse convidar alguém para beber vinho, seria a sua mulher. Mas eu acho que logo terei o prazer de encontrá-la. Ela virá até mim.
- Tenha a certeza disso. Ela vai te caçar. – Era uma constatação que poderia ser encarada ameaça.
- E sei. E estarei esperando.
- O que você quer?
- Calma Neal. Nós teremos muito tempo para conversar. – Calmamente Carter acendeu um cigarro e sentou-se à frente da cela. – James, vá conferir se Zacker já está longe de NY. E procure-o para pagar a grana. Mantenha-o de boca fechada. Eu vou bater um papo com o Neal.
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Diaba Ruiva: Passado Revelado
RomansaPromessa é dívida! Como prometido, a Diaba Ruiva e seu amado ladrão estão de volta. O nome será Diaba Ruiva: Passado Revelado. É a continuação da fanfic Dupla Perseguição e segue contando a história de Neal Caffrey e Rachel Turner. Pra quem não leu...
